Bruxelas publica na próxima semana roteiro para indústria da defesa

  • Lusa
  • 11 Novembro 2025

A comissária europeia defendeu ainda que é importante ter regras mais rigorosas sobre os fornecedores de alto risco, quando questionada sobre a presença da Huawei e a ZTE nas redes.

A vice-presidente da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia anunciou esta terça-feira que a Comissão Europeia vai publicar na próxima semana o roteiro para a indústria da defesa. Henna Virkkunen falava a um grupo de jornalistas à margem da sua participação na Web Summit.

Na próxima semana, a Comissão Europeia” irá publicar o “roteiro para a transformação da indústria da defesa e a ideia é realmente combinar tecnologias críticas com a indústria de defesa”, afirmou a vice-presidente da Comissão. Portanto, “vejo que isto também está a apoiar muito a nossa governação tecnológica, os investimentos na defesa”, acrescentou.

Questionada sobre o desafio no digital na União Europeia, Henna Virkkunen salientou que “é sempre o facto de o mercado “ser tão fragmentado”.

Isto porque “mesmo que tenhamos uma União Europeia, muitas vezes temos 27 regulamentos diferentes e, claro, para as empresas, é muitas vezes difícil expandir, por exemplo, as suas atividades na Europa, porque existem diferentes sistemas fiscais, diferentes leis laborais, por exemplo”, explicou.

Por isso, se as empresas quiserem operar em toda a União Europeia, “isso representa um desafio para eles e é por isso que estamos agora também a preparar o chamado ’28th regime’ [28.º regime]” na União Europeia, um quadro jurídico opcional na União Europeia, que servirá como uma legislação harmonizada para empresas inovadoras, como startups e scaleups.

Assim, as empresas inovadoras poderão “operar ao abrigo de um único regulamento na União Europeia”, disse, considerando que “este é um passo em frente muito importante” mas, sobretudo agora: “Quando vemos a corrida às tecnologias, esta intensificou-se muito nos últimos meses, e também porque os desenvolvimentos tecnológicos (…) são cada vez mais rápidos, especialmente quando falamos de IA”.

É importante ter regras mais rigorosas sobre fornecedores de alto risco, diz Virkkunen

A comissária europeia defendeu ainda que é importante ter regras mais rigorosas sobre os fornecedores de alto risco e que Bruxelas terá um olhar mais amplo sobre isso.

Instada a confirmar a notícia da Bloomberg de que a Comissão Europeia está a explorar formas de obrigar os Estados-membros da União Europeia (UE) a eliminar gradualmente a Huawei e a ZTE das suas redes, a responsável recordou que há uma “5G toolbox” [caixa de ferramentas 5G] publicada, mas que nem todos os Estados-membros a implementaram.

“Temos a nossa caixa de ferramentas 5G que já foi publicada (…) mas uma grande parte dos nossos Estados-membros ainda não a implementou”, disse a vice-presidente da Comissão Europeia para as pastadas de Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia. A ideia desta ‘5G toolbox’ “é que não devemos ter fornecedores de alto risco nas nossas redes 5G em partes críticas, mas nem todos os Estados-membros a implementaram” e “é claro que não estou satisfeita com a situação”, prosseguiu.

Nesse sentido, “penso que é importante que tenhamos regras mais rigorosas no que diz respeito aos fornecedores de alto risco, porque vemos que os nossos Estados-membros estão a investir centenas de milhares de milhões na defesa” e, por isso, “ao mesmo tempo, não devemos ter vulnerabilidades nas nossas infraestruturas críticas”, defendeu Henna Virkkunen.

A responsável europeia reforçou que é “muito importante agora que os Estados-membros estejam realmente a olhar para as partes críticas das suas redes 5G”.

Mas, também “já dissemos na nossa estratégia de segurança interna, durante a primavera, que também teremos um olhar mais amplo para outras partes da nossa infraestrutura de TIC [tecnologias de informação e comunicação], e também para outras partes críticas da nossa infraestrutura como um todo”, sublinhou.

Por isso, “teremos agora um olhar mais alargado para saber onde estão as partes críticas e, como é óbvio, não deveremos ter aí fornecedores de alto risco”, rematou.

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