Cidades Inteligentes vão à COP. Um “laboratório” para as “quick wins”

Miguel Castro Neto e Luís Almeida Capão falam-nos de Cidades Inteligentes no podcast Clima 3.0, no qual poderá acompanhar os temas que irão marcar a agenda da COP30.

  • Este texto é escrito com base no podcast Clima 3.0, que trará aos leitores, diariamente e ao longo das duas semanas da COP, uma visão sobre os principais temas discutidos na COP30, numa série de dez entrevistas a especialistas das diversas áreas em discussão.

Cidades inteligentes é um dos temas que está em destaque na 30.ª Conferência do Clima (COP30), integrando a agenda temática do evento. Em conversa com o ECO/Capital Verde, no âmbito do podcast Clima 3.0, o vereador da Câmara Municipal de Cascais, Luís Almeida Capão, afirma que o papel das cidades no combate às alterações climáticas passa por serem “muitas vezes o laboratório experimental” de soluções, e permitirem vitórias rápidas (“quick wins”), para depois terem “um efeito aglutinador e inspirador”.

“Pequenas mudanças podem ter depois impactos globais a nível do planeta”, remata o vereador. Na mesma linha, o diretor da Nova IMS, Miguel Castro Neto, acredita que “a capacidade executiva de quem governa as cidades poderia fazer toda a diferença no cumprimento das ambições que muitas vezes estão presentes nas COP”.

As cidades já estão a adotar soluções mais inteligentes para gerir as operações, afirma o diretor e professor da Nova IMS. Na sua ótica, está-se já a caminhar para o patamar seguinte em que, com capacidades analíticas, passam a verificar-se “políticas públicas data driven”. Através da análise de dados e tirando partido da inteligência artificial, quem governa as cidades e os territórios pode testar cenários antes de tomar uma decisão, de forma a alcançar o resultado pretendido.

Em termos de governança, é um grande avanço, também“, considera, ao mesmo tempo que deteta “uma vontade genuína de dar este salto” para um modelo de gestão inteligente das cidades a nível nacional. E o movimento também se faz a nível europeu: em paralelo com o acordo de Paris, em 2015, foi lançado o Pacto dos Autarcas, “precisamente em linha com esta ideia de que tínhamos que pensar global e agir local”, assinala Castro Neto.

Sabemos que 80% do PIB global tem origem nestas áreas, mas são também onde produzimos mais resíduos, consumimos mais energia e emitimos mais gases com efeitos de estufa.

Miguel Castro Neto

Diretor da Nova IMS

Além da capacidade de agir, as cidades são importantes polos de ação na medida em que já mais de 50% da população do mundo se concentra nas áreas urbanas e as tendências apontam para chegarmos a 2050 com mais de 70% da população global a residir e a trabalhar nestas áreas, de acordo com o professor. “Sabemos que 80% do PIB global tem origem nestas áreas, mas são também onde produzimos mais resíduos, consumimos mais energia e emitimos mais gases com efeitos de estufa“, contrabalança.

A mobilidade e o edificado são dois dos grandes responsáveis pelas emissões com efeito de estufa, e que estão muito diretamente inseridos na esfera das autarquias. No caso de Cascais, tem-se apostardo na mobilidade gratuita e na criação de um fundo verde, que apoia as famílias na troca de equipamentos para alternativas de baixas emissões e maior eficiência. “Houve um grande aumento da utilização desses transportes públicos urbanos gratuitos de Cascais e, no Fundo Verde, neste momento, temos listas de espera“, sublinha Almeida Capão.

Em oposição, o vereador da Câmara Municipal de Cascais afirma que tem-se deparado com uma “grande dificuldade” em termos da captação de recursos humanos na área do tratamento de dados, uma vez que existe uma grande procura por este perfil, também por parte do setor empresarial privado, em particular tecnológicas.

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