Ministro das Finanças defende emissão de dívida para financiar Defesa

Joaquim Miranda Sarmento diz que a Europa tem "uma enorme oportunidade de aumentar o papel do euro" com a Defesa, porque "nenhum país pode ter uma moeda forte sem uma base militar sólida".

O ministro de Estado e das Finanças defendeu esta terça-feira, na Web Summit, que a Europa continue a emitir dívida em euros para financiar a Defesa, a transição digital e energética e infraestruturas críticas.

Joaquim Miranda Sarmento considera que traz “enormes benefícios” não só para os governos de cada Estado-membro e sociedade em geral, como também para o financiamento de fundos e de particulares. E deu à audiência da cimeira tecnológica três exemplos concretos de onde a Europa compara pela positiva: Suíça, Reino Unido e China.

“Temos uma enorme oportunidade de aumentar o papel do euro. Se excluirmos o ouro, que tem uma oferta inelástica, 75% do valor das reservas está em dólares. Por conseguinte, qualquer investidor que queira diversificar os seus investimentos além do dólar precisa de duas coisas: um mercado de dívida robusto e um Estado de Direito”, começou por explicar o ministro das Finanças.

“Se for para o Reino Unido ou para a Suíça, encontrará um Estado de Direito, mas não um grande mercado de dívida. E se for à China, encontrará um grande mercado de dívida, mas não terá um Estado de Direito como temos na Europa. Assim, a única moeda que, além do dólar, apresenta ambas as condições em simultâneo, é o euro”, garantiu Joaquim Miranda Sarmento.

Na sua opinião, este desafio é “mais preocupante” do que o das tarifas dos Estados Unidos, porque “a Europa tem de se rearmar” e “a defesa é um bem público europeu”. “Temos de nos coordenar sobre como é que vamos resolver o gap entre o que temos, o que queremos e como o vamos financiar”, advertiu o responsável pela pasta das Finanças no Governo.

“A defesa representa uma grande ameaça, mas também uma enorme oportunidade para a reindustrialização, para a segurança das nossas fronteiras e território e para reforçar o papel do euro. Nenhuma região ou país pode ter uma moeda forte se, ao mesmo tempo, não tiver uma base militar sólida”, concluiu o governante na sessão “The Portuguese economy in 2026 and beyond” (“A economia portuguesa em 2026 e depois”).

“A incerteza das tarifas passou”

Aliás, Joaquim Miranda Sarmento disse mesmo que a “incerteza das tarifas já passou”. O ministro das Finanças prevê que a situação “fique resolvida” em breve, uma vez que, desde agosto e setembro, que as exportações estão novamente a subir.

“O facto de termos chegado a um acordo com os Estados Unidos — que não foi um bom acordo, no sentido em que qualquer macroeconomista lhe dirá que as tarifas prejudicarão as economias e os consumidores, principalmente, os com baixos rendimentos — foi muito importante”, reconheceu sobre o acordo entre Washington e Bruxelas assinado no verão.

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