Na IA, “é fundamental que UE aborde a questão da escala”, diz eurodeputada Lídia Pereira

Eurodeputada reconhece que a União Europeia tem de "acertar na regulação" para esta deixar de ser um entrave ao crescimento das empresas. Contexto político fragmentado não ajuda, admite.

Das 15 maiores empresas do mundo, apenas quatro têm sede na Europa. O dado foi referido pela eurodeputada Lídia Pereira num painel da Web Summit para sublinhar que a União Europeia tem de fazer crescer e consolidar as empresas para alcançar soberania na inteligência artificial (IA) e outras tecnologias.

“É fundamental que a Europa aborde a questão da escala”, disse a eurodeputada do PSD, numa sessão na conferência de tecnologia que tem lugar esta semana em Lisboa. “Reuni-me recentemente com alguns CEO do setor das telecomunicações na Europa e ficou muito clara a sua exigência em termos de escala.

Lídia Pereira deu o exemplo do setor das telecomunicações — salientando que nos Estados Unidos há cinco operadoras, o mesmo número que em vários países europeus, incluindo Portugal. “Quando falamos de telecomunicações, estamos também a abordar a soberania” e a mesma questão aplica-se à IA e aos setores de cloud“, vincou.

Recordou que a Comissão Europeia também tem a lei antitrust, a lei da concorrência, mas sublinhou que que “precisamos de abordar a questão de um ângulo diferente, porque é evidente que não está a funcionar”.

“O que temos de fazer a seguir, e também reconhecer isso e depois agir do ponto de vista legislativo e dos tribunais”, explicou, num painel com o título ‘A soberania europeia na AI’, na qual também participaram Fabrizio Del Maffeo, fundador e CEO da neerlandesa Axelera AI, e Gautier Cloix, CEO da francesa H Company.

A eurodeputada reconheceu no entanto, que o contexto político atual não é fácil. “É um desafio porque, se olharmos para o contexto de uma perspetiva nacional, ou mesmo de uma perspetiva europeia, o contexto é uma reação contrária ao desejo de avançar de uma forma mais direta.

“Tem de haver uma conciliação entre os interesses nacionais e os objetivos europeus e isso tem de ficar muito claro na mente de todos e das pessoas que constroem o projeto europeu no dia a dia. É um contexto muito fragmentado“, vincou.

Além de facilitar o crescimento através de consolidação, a União Europeu também tem de remover alguns dos impedimentos que colocou à expansão orgânica das empresas.

Acertar a regulação

“Recebemos a mensagem de que, se olharmos para trás, para a economia europeia em 2008, éramos responsáveis por 20% do desenvolvimento tecnológico mundial, mas agora os números são significativamente mais baixos”, referiu. “Portanto, a IA é uma das tecnologias determinantes no presente e no futuro da humanidade e, em termos de governação, precisamos de ajustar o que não fizemos corretamente“.

“Queríamos fornecer orientações em termos de direitos fundamentais em termos de governança, mas obviamente isso criou um certo conflito entre regiões do mundo, porque há regiões que não têm o mesmo entendimento que nós em termos de legislação, há um desequilíbrio e precisamos corrigir isso”, reforçou. “Acho que todos os legisladores, todos os formuladores de políticas, entenderam a mensagem: temos que acertar.

Lídia Pereira recordou que em 2016, quando a China era o maior investidor em IA, Donald Trump chegou à Casa Branca e uma das suas primeiras prioridades foi investir para aproveitar oportunidade criada pelos chineses.

Nós, europeus, desenvolvemos muitas outras tecnologias, também em IA, mas em pequena escala, por isso precisamos de aproveitar o potencial que temos em várias tecnologias que dependem da IA e fornecer a orientação necessária para permitir que as startups, as pequenas e médias empresas cresçam e se tornem verdadeiros concorrentes”, acrescentou.

“A mensagem foi transmitida e penso que todos os decisores políticos estão convencidos de que precisamos de acertar nesta questão. Não fizemos tudo mal, mas é o momento de aproveitar este impulso e, no próximo Omnibus digital que a UE está a preparar, podemos abordar estes aspetos que têm sido, de alguma forma, obstáculos para as empresas crescerem”.

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