Nokia substituiu metade da fibra ótica da Huawei na Meo. Parceria vai ser reforçada
No dia em que a Meo e a Nokia vão à Web Summit anunciar o reforço da cooperação estratégica, o ECO faz um ponto de situação ao acordo. Empresa finlandesa diz que substituição está a 50% na ótica.
A substituição dos equipamentos de fibra ótica da Huawei na Meo vai a meio caminho, revela John Harrington, vice-presidente executivo da Nokia, em entrevista ao ECO. O gestor explica que a mudança da tecnologia chinesa abrange vários parâmetros de infraestruturas e redes, como rádio e IP (Internet Protocol), e significa uma modernização.
“Estamos a substituir os equipamentos de rádio, IP e ótica. Está a correr bem. Na parte de ótica, temos cerca de 50% [do processo] concluído e faltam outros 50%. Penso que o cliente está satisfeito com o ritmo da transformação. Não se trata apenas de uma troca, mas sim de uma modernização. Estamos a implementar a mais recente tecnologia, orientada para o futuro”, afirmou John Harrington, vice-presidente executivo da Nokia responsável por Infraestrutura de Rede na Europa, Médio Oriente, África (EMEA) e Ásia-Pacífico.
A empreitada de rip and replace (eliminar e substituir) dos equipamentos da Huawei na Meo não é “apenas a tirar o antigo e a colocar outro novo”, segundo o executivo da Nokia. “Estamos a trazer inovação, ajudando-os a reduzir os seus custos operacionais”, explicou John Harrington, em declarações ao ECO à margem da conferência Atlantic Convergence, em Lisboa.

O vice-presidente da Nokia com a pasta da Infraestrutura de Rede na Europa caracterizou também o acordo de “arquitetura do estado futuro” (future state architecture) – uma expressão também utilizada para definir o planeamento dos objetivos tecnológicos dentro de um negócio – e mostrou-se empático com a situação da Meo e de outras empresas do setor.
“Imagine a situação das operadoras. Instalaram uma rede e agora precisam de a substituir por algo melhor. É por isso que tenho muito orgulho em dizer que estamos a substituir os equipamentos antigos da Huawei por algo mais avançado, melhor, mais preparado e compatível com as tecnologias futuras”, frisou John Harrington, sem se comprometer com uma data de conclusão da substituição.
Meo e Nokia vão reforçar cooperação
Certo é que a Meo dá o pontapé de saída na Web Summit, que decorre esta semana em Lisboa, com uma conferência de imprensa intitulada “Meo e Nokia reforçam cooperação estratégica”, indo ao encontro da “satisfação” enquanto cliente. José Pedro Nascimento, Chief Technology Officer da Meo, e Sérgio Catalão, country manager da Nokia em Portugal, vão responder a questões dos jornalistas sobre a parceria conjunta, embora o tema concreto não tenha sido divulgado.
Tal como o ECO avançou, em Portugal, a substituição dos equipamentos da Huawei – que, desde 2023, está a ser acusada pelos Estados Unidos e Bruxelas de representar um risco para a segurança e refuta as críticas – tem progredido lentamente. Aliás, o calendário para a substituição foi estendido: agora a transição decorre até 2027 e a totalidade até 2031.
A maior economia da Europa também se está a posicionar nesta frente da soberania digital. Há cerca de duas semanas, veio a público que o Governo alemão estaria a ponderar pagar à Deutsche Telekom, a maior operadora de telecomunicações do Velho Continente, e a outras concorrentes, para que substituíssem nas suas redes de comunicações eletrónicas os equipamentos fabricados pela empresa chinesa Huawei.
A notícia, avançada pela Bloomberg, estimava um custo de dois mil milhões de euros com a substituição na Alemanha, onde tem havido resistência à mudança devido à fatura a pagar, além do tempo que demora um processo desta natureza. As ordens das autoridades germânicas proibiam a tecnologia oriunda da China no 5G até ao final do próximo ano e na rádio até daqui a quatro anos.
A mesma agência noticiosa noticia esta terça-feira, citando pessoas conhecedoras do assunto, que a Comissão Europeia está a avaliar como obrigar os Estados-membros da União Europeia a eliminar gradualmente as chinesas Huawei Technologies Co. e a ZTECorp. das suas redes de telecomunicações. A vice-presidente da Comissão, Henna Virkkunen, pretende transformar numa exigência legal a recomendação feita em 2020 para que os países deixassem de usar fornecedores de alto risco.
5G ainda tem “caminho a percorrer”
Na opinião do vice-presidente executivo da Nokia, ainda há um “longo caminho a percorrer” no 5G, inclusive de adoção ao chamado 5G puro por parte das empresas. John Harrington vê as tecnologias de rede móvel como algo para “décadas” e, como a quinta geração começou por volta de 2019 (2021 em Portugal) e “ainda estamos em 2025”, existem mais oportunidades para fatiar redes para serviços específicos das marcas.
“Ainda não houve uma aplicação revolucionária (killer application). Houve maior eficiência espectral e mais largura de banda. O que vemos é uma oportunidade de realizar o slicing de rede para clientes ou empresas prioritários que pretendem um serviço diferenciado. Já começamos a ver essa implementação em alguns países”, conta o gestor.
(Notícia atualizada às 8h40)
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