O estado do país nas últimas quatro greves gerais: da recessão ao crescimento económico

Nas paralisações que marcaram o período da troika, Portugal estava em recessão económica, tinha taxas de desemprego altas, inflação elevada e salários mais baixos, uma realidade diferente da atual.

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  • A greve geral marcada para 11 de dezembro pela CGTP e UGT será a primeira em mais de uma década e surge num contexto económico positivo, com o PIB português a crescer 2,4% e o desemprego em mínimos históricos.
  • Durante as últimas quatro greves gerais, entre 2011 e 2013, Portugal vivia em recessão, com taxas de desemprego acima dos 17% e salários estagnados, refletindo o impacto da austeridade imposta pela troika.
  • A paralisação acontece numa altura em que o país apresenta uma inflação controlada e depois de uma subida dos salários médios líquidos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Há um antes e depois da troika. A fotografia de Portugal na greve geral agendada para 11 de dezembro pelas duas centrais sindicais, CGTP e UGT, é muito diferente daquela que ilustrou o país durante o período das últimas quatro paralisações que marcaram o período de austeridade, entre 2011 e 2013, e o Governo de Pedro Passos Coelho. Em comum têm a luta contra a reforma laboral.

24 de novembro de 2011, 22 de março de 2012, 14 de novembro de 2012 e 27 de junho de 2013 foram as quatro greves gerais que se realizaram durante o Executivo de coligação PSD/CDS Portugal à Frente (Pàf). 11 de dezembro de 2025 é a paralisação que se avizinha num país também governado pelos sociais-democratas e centristas, mas desta vez chefiados por Luís Montenegro.

Como estava o país nessa época, nos duros anos de 2011, 2012 e 2013? Portugal vivia uma recessão económica, só interrompida em 2013 quando o PIB registou uma variação positiva de 1,1%, mas apenas em cadeia. Para o crescimento entre abril e junho desse ano, contribuíram a quebra menos acentuada do investimento, nomeadamente no setor da construção, e o aumento das exportações numa altura em que também a Zona Euro interrompia o ciclo recessivo (cresceu 0,3% face ao primeiro trimestre).

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A greve geral de 27 de junho de 2013 foi a última das quatro realizadas enquanto a troika esteve em Portugal, embora sem a mesma dimensão da que tinha sido realizada a 14 de novembro de 2012. Em ambas, as duas centrais sindicais avançaram em convergência. Antes, CGTP e UGT também se uniram para parar o país, a 28 de março de 1988 e 24 de novembro de 2010. Mas as duas realidades eram completamente diferentes.

Em 1988, e sob a alçada do Governo de Cavaco Silva, Portugal crescia, em termos reais, 6,4%, face ao período homólogo, segundo a Pordata. Em 2010, em vésperas do resgate financeiro e durante o segundo Governo socialista de José Sócrates, o PIB registava um incremento de apenas 1,7%.

A greve que está marcada para 11 de dezembro será a quinta em que CGTP e UGT se juntam em protesto. Hoje, Portugal está a crescer 2,4%, segundos os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) para o terceiro trimestre (entre julho e setembro), o que se traduz numa aceleração face à taxa de 1,8% registada entre abril e junho. Já na comparação trimestral, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,8%. A taxa de variação homóloga foi sobretudo influenciada pelo aumento das exportações de bens e serviços e do consumo privado.

Há também diferenças no que toca ao emprego. Nas últimas quatro greves gerais a taxa de desemprego estava em níveis máximos. Chegou a alcançar 17,8% no quarto trimestre de 2012, quando se realizou a paralisação de 12 de novembro, e 17,5%, no segundo trimestre de 2013, período marcado pela greve de 27 de junho.

Para 1988, não há dados estatísticos disponíveis. Já em relação a 2010, a taxa de desemprego estava nos 11%, de acordo com a Pordata.

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Hoje, o desemprego está em mínimos, com uma taxa de apenas 5,8%, valor inferior em 0,1 pontos percentuais em relação aos três meses anteriores e em 0,3 pontos percentuais face ao período homólogo. No total, há 326,6 mil pessoas desempregadas em Portugal, de acordo com os últimos dados para o terceiro trimestre, o que representa uma diminuição de 0,9% (2,9 mil) comparativamente com o segundo trimestre e uma queda de 2,4% (8,1 mil) em relação há um ano.

Por outro lado, verificou-se um crescimento da população empregada, tanto na variação em cadeia como na homóloga, rondando agora 5,3 milhões de pessoas, o valor mais elevado da série iniciada em 2011. Trata-se de um salto de 1,6% (83,8 mil) face ao período de abril a junho e de 3,7% (191,2 mil) em comparação com o terceiro trimestre de 2024.

Durante as últimas quatro greves gerais, entre 2011 e 2013, os preços em Portugal também atingiram níveis elevados, com a inflação a subir 3,56% e 3,57%, em novembro de 2011 e março de 2012, respetivamente. Este cenário foi interrompido drasticamente por um abrandamento significativo do índice de preços no consumidor para 1,42%, em junho de 2013, por altura da greve do dia 27 do mesmo mês.

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Em 1988, a inflação estava nos 9,95% e, em 2010, em 1,4%, segundo a Pordata. Neste momento, o índice de preços do consumidor regista uma variação de 2,43%, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo INE referentes à taxa média dos últimos 12 meses, apurada em setembro, valor idêntico ao do mês anterior. De lembrar que 2% é a meta do Banco Central Europeu e é com base nesse objetivo que o regulador do Euro tem cortado sucessivamente as taxas de juro. Das últimas três vezes, os governadores do BCE optaram por manter a taxa de juro de referência inalterada, tendo em conta o cenário de estabilidade nos preços.

Em relação à evolução do salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem verifica-se que, entre 2011 e 2013, praticamente se manteve à volta dos 800 euros, tendo em conta que a retribuição mínima mensal garantida esteve congelada, durante esse período, nos 485 euros.

Nos dias de hoje, o ordenado médio mensal já limpo de contribuições sociais e descontos para o IRS deu um salto significativo, ultrapassando a fasquia dos 1.200 euros. Este incremento também tem sido sustentado pelo aumento progressivo do salário mínimo que, este ano, se fixou nos 870 euros e, no próximo ano, deverá chegar aos 920 euros.

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O salário médio líquido dos trabalhadores dependentes subiu assim quase 9% no terceiro trimestre para 1.298 euros. São mais 104 euros no bolso, livre de impostos e contribuições face há um ano. A evolução dos ordenados voltou a acelerar depois de os vencimentos terem abrandado no trimestre anterior, quando tinham crescido pouco mais de 7%. Militares, técnicos e agricultores registaram os maiores aumentos mas gestores, diretores e políticos continuam a representar a classe mais bem paga.

O INE apenas disponibiliza estatísticas para o salário médio mensal líquido a partir de 2011, ano de início da série.

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