Presidente da Microsoft avisa na Web Summit que adoção de IA será mais importante que a infraestrutura

A Microsoft vai fazer um "investimento histórico" em infraestrutura de IA em Sines. Mas o seu presidente, Brad Smith, considera que o fator mais importante para o futuro será a adoção de tecnologia.

ECO Fast
  • Apesar de se preparar para investir dez mil milhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial em Sines, o presidente da Microsoft sublinhou que o fator decisivo para o futuro será a rapidez com que pessoas e instituições vão adotar esta tecnologia.
  • Na Web Summit, Brad Smith destacou também que a IA está a ser utilizada até cinco vezes mais nas zonas urbanas do que nas rurais e alertou que 3,9 mil milhões de pessoas poderão ficar excluídas desta tecnologia por falta de acesso a competências digitais, internet ou eletricidade.
  • O gestor defendeu maior equilíbrio linguístico e cultural no treino de modelos de IA, reconhecendo que o português e outras línguas europeias estão sub-representadas e que será crucial torná-las acessíveis para garantir uma tecnologia que sirva todos os cidadãos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

No dia em que anunciou um investimento de dez mil milhões de dólares em chips para inteligência artificial (IA) em Portugal, o presidente da Microsoft alertou esta terça-feira que mais importante do que a construção de infraestrutura é a corrida à adoção desta tecnologia. Discursando no primeiro dia da Web Summit, Brad Smith estimou também que a IA está a ser adotada a uma velocidade até cinco vezes superior nas regiões urbanas em comparação com as zonas rurais, tendência que também se observa em Portugal.

O gestor, participante já habitual desta cimeira tecnológica, voltou a subir ao palco do Meo Arena munido de dados que mostram que os EUA lideram atualmente a corrida à infraestrutura para IA, com 53,7 GW (gigawatts) de capacidade instalada, seguida da China, com 31,9 GW. Na terceira posição surge a União Europeia como um todo, com 11,9 GW de capacidade de computação instalada.

Todavia, para o presidente da Microsoft, os dados sobre a “difusão da IA” pintam uma realidade diferente para o futuro, em que a Europa se destaca. Num ranking liderado pelos Emirados Árabes Unidos, com uma taxa de difusão de IA de 59,4%, segundo os dados da Microsoft, seguindo-se Singapura com 58,6%, o gestor apontou que metade dos 15 países que lideram a adoção de IA são países europeus.

“A verdade é que o futuro pertence àqueles que irão usar IA e a irão usar para mais e melhores propósitos do que todos os outros”, rematou Brad Smith, lembrando que esta tecnologia, que acelerou com o surgimento do ChatGPT há praticamente três anos, “alcançou mil milhões de pessoas mais rapidamente do que qualquer outra”.

Quase quatro mil milhões de pessoas em risco de exclusão

Na mesma intervenção, em que apelou a uma maior adoção de IA pelas administrações públicas, o presidente da Microsoft também teceu alertas sobre o fosso que existe entre quem usa e quem não usa IA, e de como essa “divisão” se está a alargar.

Por um lado, Brad Smith estimou que 3,9 mil milhões de pessoas em todo o mundo estejam em risco de ficar para trás, incapazes de aceder à tecnologia devido a fatores como a falta de competências digitais, a impossibilidade de aceder à internet ou o facto de “43% da população de África ainda não ter acesso a eletricidade”.

Por outro lado, a IA está a acelerar nas grandes cidades e a marcar passo nas zonas mais rurais, explicou o presidente da Microsoft: “Nas zonas urbanas do meu estado (Washington), há o dobro, por vezes até cinco vezes mais pessoas, numa base per capita, a utilizar IA [em comparação com as áreas rurais]. O mesmo acontece em Portugal. O mesmo acontece em quase todos os países para os quais temos dados”, disse Brad Smith.

Resumindo: “Vemos que as áreas urbanas estão a adotar e a aplicar a IA a um ritmo muito mais rápido — normalmente 50% mais rápido — do que as comunidades rurais. Isto também arrisca agravar as divisões dentro dos países, em todo o mundo”, sublinhou o presidente da Microsoft.

Temos de reconhecer que se a IA não entende as línguas europeias, os valores europeus, não será capaz de servir a população da Europa.

Brad Smith

Presidente da Microsoft

Português está “sub-representado” no treino de IA

Há, no entanto, um outro fator a potenciar divisões nesta área. O alto responsável da empresa norte-americana reconheceu que a esmagadora maioria do conteúdo usado para treinar modelos de IA está em inglês, e que o peso dos dados em outras línguas não corresponde à prevalência de falantes desses mesmos idiomas. “Outras linguagens estão sub-representadas”, confessou, falando num “desequilíbrio linguístico”.

“Temos de tornar disponível mais conteúdo noutras línguas para treinar IA. Será vital”, afirmou o presidente da Microsoft, empresa que foi uma das principais financiadoras da OpenAI, criadora do ChatGPT, acrescentando: “Temos de reconhecer que se a IA não entende as línguas europeias, os valores europeus, não será capaz de servir a população da Europa.”

Por fim, Brad Smith frisou igualmente a importância de a “cultura” ser tido em conta no desenvolvimento “responsável” de IA, para garantir tecnologia de confiança. “Enquanto empresa norte-americana em 2025, é mais vital do que nunca adaptarmo-nos às necessidades do mundo”, afirmou, referindo o compromisso de “respeito” e “apoio” das leis e dos valores locais em cada geografia onde está presente.

A Microsoft revelou esta terça-feira que o investimento para trazer 12.600 placas gráficas de última geração da Nvidia para o centro de dados da Start Campus em Sines totalizará mais de dez mil milhões de dólares a partir do início de 2026. Num comunicado, Brad Smith disse que Portugal tem potencial para “liderar a próxima vaga” de IA.

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