Projeto da Altri na Galiza volta a “perder” fundos europeus

Megacomplexo industrial tem vindo a ser atrasado. Depois de ter recebido primeira aprovação ambiental este ano, continua a aguardar luz verde do governo central para ligar a central à rede elétrica.

O megaprojeto industrial da Altri na Galiza, que já tinha sido excluído de receber apoios europeus destinados a projetos de descarbonização no passado mês de abril, ficou de fora dos fundos europeus de inovação. Apesar de ter falhado estes apoios, a empresa recebeu o selo STEP (Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa), que lhe permite candidatar-se a várias estruturas de financiamento europeias.

Num momento em que continua a aguardar a autorização ambiental integrada e a luz verde do governo central espanhol para ligar a central à rede elétrica, o projeto da Altri para Palas de Rei não conseguiu financiamento do Innovation Fund.

A Greenfiber, uma empresa participada pela Altri e pela holding da empresa galega Greenalia, anunciou, na semana passada, em comunicado a candidatura ao programa de financiamento Innovation Fund, mas a Agência Europeia do Clima, Infraestruturas e Meio Ambiente (Cinea) comunicou que, “apesar dos seus méritos”, o projeto GAMA não pode ser financiado devido aos recursos orçamentais disponíveis para esta convocatória já estarem esgotados.

Apesar de não ter conseguido aceder aos fundos, a empresa congratula-se com o facto de ter recebido o selo STEP, concedido pela Comissão Europeia, que lhe permite candidatar-se a várias estruturas de financiamento europeias, como do Banco Europeu de Investimento (BEI).

“Com este reconhecimento, a agência europeia considera o projeto de fibras têxteis da Altri como estratégico para reforçar a competitividade industrial da União Europeia“, destaca a Greenfiber num comunicado a que o ECO teve acesso. “O selo STEP concedido pela CINEA posiciona o projeto como prioritário dentro dos instrumentos financeiros e programas europeus existentes, no âmbito das políticas de competitividade e das transições verde e digital da União Europeia”, acrescenta o mesmo documento, destacando que esta distinção “permite ao projeto GAMA aceder a medidas de apoio estatal previstas no Pacto Industrial Limpo“.

“Obtivemos uma classificação de destaque no exame europeu, o que vem confirmar aquilo que sempre dissemos: que o GAMA é um projeto sério, rigoroso, sustentável e inovador, concebido para responder à necessidade do setor têxtil de dispor de fibras respeitadoras do meio ambiente e 100% biodegradáveis, em linha com as exigências da União Europeia”, comenta o CEO da Altri, José Pina, no comunicado.

O projeto Gama prevê a construção de raiz de uma unidade com capacidade máxima de produção de 400 mil toneladas de fibras solúveis por ano, das quais 200 mil toneladas serão utilizadas para fibras têxteis sustentáveis (lyocell).

Apesar das estimativas que esta nova unidade industrial tenha um impacto positivo no PIB galego e resulte na criação de 3.608 postos de trabalho, dos quais 500 diretos, o investimento planeado pela empresa portuguesa tem enfrentado grande contestação na região, precisamente devido aos impactos ambientais.

Além das autorizações ambientais, a execução do investimento depende de uma última aprovação por parte do governo central, a quem caberá dar luz verde à ligação da central à rede elétrica. Algo essencial para poder funcionar, tanto na hora de solicitar mais energia nos picos de produção, como para devolver os excedentes ao sistema quando a procura contrai.

O Projeto Gama, promovido pela Greenfiber, uma empresa participada pela Altri e pela holding da empresa galega Greenalia, pressupõe que a central estaria ligada à subestação localizada na localidade de Melide, Lugo.

O investimento da Altri na Galiza chegou a estar previsto para o primeiro semestre de 2023, mas tem vindo a ser atrasado. A expectativa era que o projeto se desenvolvesse em duas fases: uma primeira fase de construção, que decorrerá de 2025 a 2027, e uma segunda fase de operação, com início previsto para 2028. No entanto, tudo aponta para que estas datas tenham de ser reajustadas.

(Notícia atualizada com o comunicado da empresa)

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