Qualcomm quer investir na Europa e reúne esta tarde com o Governo Português

A tecnológica norte-americana vai reunir esta tarde com o Executivo português, adiantou Cristiano Amon, presidente e CEO da Qualcomm, em conferência de imprensa, na Web Summit.

A Qualcomm mostrou interesse em investir na Europa em fábricas de semicondutores, caso os seus fornecedores, como a TSMC e a Samsung, venham a construir novas instalações no continente. Esta tarde a empresa norte-americana vai reunir com o Governo português.

“Vemos com bons olhos iniciativas europeias de trazer fábricas de semicondutores para a Europa, e a Qualcomm já disse aos vários governos europeus que, caso essas fábricas se concretizem, poderão contar connosco como cliente”, afirmou Cristiano Amon, presidente e CEO da Qualcomm, esta terça-feira, durante uma conferência de imprensa na Web Summit. Questionado sobre se tem existido contacto com o Governo português, o líder da empresa norte-americana respondeu: “Vamos ter uma reunião hoje à tarde”, sem adiantar mais detalhes.

 

Já esta terça-feira, Brad Smith, presidente da Microsoft, avançou que a tecnológica norte-americana prepara-se para investir 10 mil milhões de dólares em Sines, para trazer milhares de placas gráficas de última geração da Nvidia para o centro de dados da Start Campus.

O anúncio surgiu depois de na cerimónia de abertura da cimeira tecnológica, esta segunda-feira, o ministro adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, ter afirmado que “Portugal está a posicionar-se como um hub europeu líder para as gigafábricas de IA, com um investimento estimado superior a 16 mil milhões de euros”. O ministro explicou ainda que “estes projetos irão reforçar a soberania digital europeia e nacional, oferecendo uma alternativa segura a infraestruturas fora da nossa jurisdição”.

As seis tendências que vão “moldar o avanço da IA”

Sensivelmente uma hora antes, Cristiano Amon, esteve presente no palco principal da Web Summit, no painel “Human-centered design in the age of AI” (Design centrado no ser humano na era da IA, em tradução livre) e defendeu que o mundo está a entrar numa nova era tecnológica marcada pela “inteligência artificial em todo o lado”. O líder da tecnológica norte-americana destacou que a IA está a transformar não apenas a forma como pensamos a computação, mas também a maneira como interagimos com os dispositivos que nos rodeiam.

“A IA está realmente a mudar a forma como pensamos sobre computação e conectividade”, afirmou Cristiano Amon. “Vai tornar todos os dispositivos inteligentes — e isso inclui, claro, o smartphone.” Numa apresentação, para lá dos 20 minutos previstos, o executivo, que apareceu em palco numa trotinete elétrica por estar fisicamente debilitado, traçou uma visão ampla do futuro próximo da tecnologia, sublinhando seis grandes tendências que, segundo explicou, vão moldar o avanço da inteligência artificial.

 

Press conference with Qualcomm President & CEO Cristiano Amon

A primeira é a transformação da IA na nova interface entre humanos e máquinas. Se, no passado, as interações com os computadores se faziam através do teclado, do rato ou, mais recentemente, do toque no ecrã, agora os dispositivos começam a compreender aquilo que o utilizador vê, ouve e diz. “Até agora, fomos nós a aprender a interagir com o computador. Agora é o computador que aprende a interagir connosco — e isso muda tudo”, afirmou, explicando que essa mudança afetará toda a arquitetura tecnológica, dos sistemas operativos às aplicações.

A segunda tendência que o líder da Qualcomm apresenta é a transição do modelo de aplicações para o modelo de agentes inteligentes. Em vez de o utilizador abrir e navegar entre aplicações, será um agente pessoal, assistido por IA, a tratar das tarefas de forma automática. “Se disser ao agente que preciso de ir a algum lugar, ele verifica o calendário, pede um Uber e apresenta a informação da forma que preferir”, exemplificou Cristiano Amon. Neste novo paradigma, o agente passa a estar no centro do ecossistema digital de cada pessoa, substituindo o sistema operativo como principal mediador entre o utilizador e os serviços online.

A terceira transformação está relacionada com a própria evolução do smartphone, sendo a Qualcomm uma empresa especialista no desenvolvimento de chips estes dispositivos. Cristiano Amon rejeitou a ideia de que o telefone vá desaparecer, mas previu o surgimento de um ecossistema mais vasto de dispositivos de IA pessoal — óculos, relógios, auscultadores e outros acessórios inteligentes. “O que antes era um telefone consciente está a transformar-se num dispositivo pessoal de IA”, afirmou. Segundo o executivo, tudo o que tiver um endereço IP poderá ligar-se a um agente e tornar-se parte do “ecossistema de si”, expressão usada pelo executivo para descrever a rede de dispositivos que acompanhará cada utilizador e aprenderá com ele continuamente.

Outra tendência apontada pelo líder da Qualcomm é a mudança na arquitetura de computação. Segundo Amon, os chips, os sistemas operativos e os modelos de IA estão a ser redesenhados para coexistirem tanto na cloud como nos dispositivos pessoais, de forma híbrida e distribuída. Essa aproximação permitirá executar modelos complexos diretamente em “telemóveis ou wearables”, reduzindo a dependência dos centros de dados e tornando a experiência de IA mais rápida e contextual.

11 November 2025; Cristiano Amon, President & CEO, Qualcomm, on Centre Stage during day one of Web Summit 2025 at the MEO Arena in Lisbon, Portugal. Photo by Paul Devlin/Web Summit via Sportsfile

O CEO destacou ainda a evolução da conectividade, antecipando a chegada do 6G, que descreveu como “a primeira geração de redes concebida para a inteligência artificial”. Recordando as anteriores revoluções tecnológicas das telecomunicações — do 2G ao 5G —, Amon explicou que o 6G trará não só maior velocidade e fiabilidade, mas também a capacidade de “sentir o ambiente”, através da análise inteligente dos sinais de rádio. “As redes 6G vão permitir que os dispositivos percebam o que está à sua volta e compreendam o contexto em que operam”, disse, acrescentando que essa integração entre IA e conectividade será crucial para o futuro dos agentes pessoais.

Por fim, o executivo destacou a expansão da IA para além do universo humano, com aplicações crescentes em robótica, automóveis e indústrias. Cristiano Amon deu exemplos de robôs capazes de aprender a andar em poucos meses e de veículos que, através de câmaras e modelos de visão computacional, interpretam o ambiente da estrada com precisão semelhante à humana. Referiu também colaborações da Qualcomm com empresas como a BMW e a petrolífera Aramco, salientando que “a autonomia é, no fundo, um problema de inteligência artificial”.

O CEO explicou que, tanto nos robôs como nos automóveis, a IA permite que os sistemas aprendam e se adaptem ao mundo físico. No caso dos veículos autónomos, câmaras e sensores captam o ambiente em tempo real, enquanto os modelos de IA processam a informação para tomar decisões de condução de forma segura, “quase como faria um condutor humano”.

Cristiano Amon mostrou-se otimista com o futuro da tecnologia e com o papel da Qualcomm nessa transformação. “Mesmo sendo nós uma empresa com 40 anos, nunca estivemos tão entusiasmados com o que está por vir no futuro.”

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