Na hora de procurar negócio, mais de 30% dos investidores usam IA para investigar empresa

Inquérito a investidores na Web Summit, realizado pela Pitchbook, mostra que utilizam a tecnologia para identificar oportunidades de negócio e fazer a diligência prévia, mas ainda não confiam a 100%.

ECO Fast
  • A inteligência artificial está a transformar a forma como os investidores tomam decisões, com mais de um terço dos participantes da Web Summit a utilizá-la para avaliar riscos e identificar oportunidades de investimento.
  • Os dados da “Investor Survey” da Pitchbook revelam que a IA já representa quase 40% do valor do investimento em capital de risco na Europa, com o setor da saúde a ser o mais promissor para os próximos cinco anos.
  • Apesar do entusiasmo, os investidores permanecem cautelosos quanto à precisão e fiabilidade da informação gerada pela IA, com mais de 40% a acreditar que a tecnologia poderá substituir por completo a investigação e a análise de tendências de mercado feitas por humanos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A inteligência artificial (IA) está a evoluir de uma tecnologia que servia apenas de apoio aos investidores para estar realmente por detrás das decisões de onde aplicam o seu dinheiro – e em que empresas. Mais de um terço dos investidores presentes na Web Summit utiliza a IA para investigar alvos e avaliar o risco da fusão ou aquisição.

Os principais casos de uso são o resumo dos materiais de due diligence (34%) e a identificação de negócios relevantes (26%), sendo que o principal objetivo é aumentar a eficiência, de acordo com a “Investor Survey” realizada pela Pitchbook e divulgada na cimeira tecnológica, em Lisboa.

No entanto, apesar de estarem a incorporar a IA mais a fundo na prospeção de negócios, due diligence e benchmarking, os investidores permanecem cautelosos quanto à automatização e à precisão da informação de mercado.

Os dados mostram “uma recalibração significativa” do setor: crescimento e, simultaneamente, “uma disciplina ponderada”, disse Nalin Patel, analista de capital privado da Pitchbook na região EMEA.

“A ascensão da IA ​​é inegável, impulsionando rondas de investimento maiores, atraindo a atenção dos investidores e remodelando a dinâmica dos negócios em toda a Europa. A IA está agora incorporada nos fluxos de trabalho diários, mas os investidores continuam cautelosos, enfatizando a precisão, a fiabilidade e o julgamento humano que ainda ancora o processo de investimento”, afirmou Nalin Patel.

As suas maiores preocupações com a IA são a excessiva dependência da automação (26%), a qualidade e precisão dos dados (25%) e o enviesamento (22%), enquanto os riscos de segurança e privacidade (36%) e a inconsistência na precisão dos resultados (28%) são os principais obstáculos à adoção, segundo o estudo divulgada em conferência de imprensa, na Meo Arena.

Jordan Flyn, gestor de Investimentos da Web Summit, acrescenta que os resultados confirmam que a IA está a “começar a moldar a forma como as decisões de investimento são tomadas”, nomeadamente para impulsionar o fluxo de negócios ou orientar a sua estratégia global de investimento.

“Entrámos numa nova fase em que a IA influencia diretamente a forma como o capital é alocado. Isto é algo que a equipa da Web Summit também observa diariamente nas suas conversas com investidores globais. O futuro do investimento não será definido por quem tem mais dados, mas por quem consegue transformar esses dados em ação”, garante Jordan Flyn.

No que diz respeito ao investimento em capital de risco, a IA já representa quase 40% do valor do negócio na Europa, o que representa uma mudança estrutural nos mercados tecnológicos globais.

Entre as várias áreas, deverá ser a saúde a atrair a maior parte dos investimentos em IA. Mais de quatro em cada dez participantes (44%) preveem que o setor da saúde conquiste a maior parte dos investimentos nesta tecnologia ao longo dos próximos cinco anos, seguido das aplicações empresariais específicas (32%), cibersegurança (29%) e infraestruturas (25%).

Thomas Van Buskirk, vice-presidente executivo de Tecnologia e Engenharia da Pitchbook, e Seth Sprinkle, diretor global da Pitchbook, representaram a empresa de dados na Web Summit 2025, em Lisboa.

Em relação ao futuro, mais de 40% dos investidores da Web Summit – de um universo de 116 contactados – acredita que a tecnologia do momento poderá substituir por completo a investigação e a análise de tendências de mercado feitas por humanos.

Mais de metade dos inquiridos (63%) almeja também que os investimentos relacionados com a IA expandam o acesso global a oportunidades. Ou seja, estão otimistas de que a inovação não continue a ficar apenas concentrada em mercados avançados e ‘viaje’ para outros lugares do globo.

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