Patrões do comércio e serviços criticam greve geral que “introduz entropia” na negociação da lei laboral
CCP insiste na abertura para negociar na Concertação Social e considera que esse processo não está esgotado. Fala em "claro prejuízo" em resultado da greve geral convocada pela UGT e CGTP.
A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) considera que a greve geral convocada pela CGTP e pela UGT vai “introduzir entropia” na negociação que ainda decorre na Concertação Social em torno do anteprojeto apresentado pelo Governo com vista a rever a lei do trabalho. Estes empresários defendem que “é fundamental” retomar as reuniões nessa sede para discutir “soluções concretas“.
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“O anúncio, neste momento, de uma greve geral, introduz entropia num processo que está longe de estar esgotado, o que é negativo no entender da CCP para um processo de diálogo tripartido”, sublinha a confederação liderada por João Vieira Lopes, numa nota enviada esta sexta-feira às redações.
“As centrais sindicais têm, naturalmente, toda a legitimidade para convocar uma greve geral, apesar do claro prejuízo que a mesma acarreta para cidadãos e empresas“, continua a CCP, em comunicado.
“O que nos parece menos razoável é que a mesma seja decretada antes de esgotados os mecanismos de negociação, o que é uma posição relativamente inédita na história da Concertação Social”, assegura a confederação.
Em julho, o Governo aprovou em Conselho de Ministros e apresentou na Concertação Social um anteprojeto que visa avançar com mais de 100 alterações ao Código do Trabalho. Ainda no verão, a CGTP e a UGT criticaram esse pacote, mas, desde então, têm participado nas negociações com o Governo e as confederações empresariais, na expectativa de que as propostas poderiam evoluir.
No entanto, vários meses depois, e conforme explicou ao ECO o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, o anteprojeto que está em cima da mesa continua a ser (formalmente) o mesmo, daí que as duas centrais sindicais tenham decidido consensualizar uma data — 11 de dezembro — para uma greve geral.
Em reação a essa paralisação, a CCP reitera, esta sexta-feira, a sua disponibilidade para negociar “soluções que possam merecer a concordância das três partes: Governo, empregadores e sindicatos“. “Só dessa forma entendemos possível facilitar o processo de aprovação no Parlamento e garantir maior estabilidade futura às soluções propostas“, entende a confederação.
Também em reação a essa paralisação, o Governo tem apelado à responsabilidade das centrais sindicais, frisando que a negociação ainda decorre e não está esgotada.
Como avançou o ECO, na terça-feira, a ministra da tutela, Maria do Rosário Palma Ramalho, apresentou à UGT um draft com “mudanças relevantes” à proposta de revisão da lei do trabalho. A central sindical considera, no entanto, que não são suficientes para desconvocar a greve geral.
(Notícia atualizada às 11:01)
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