Indústria metalúrgica e metalomecânica aponta a novo recorde nas exportações em 2025

Preços das matérias-primas já sobem com ameaça de tarifas de 50% no metal, mas ainda sem impacto nas empresas portuguesas devido aos "stocks". Exportações devem voltar a ficar acima de 24 mil milhões.

Num ano marcado pelo anúncio de tarifas sobre as vendas para os EUA, novas taxas de 50% sobre as importações de aço e conflitos geopolíticos, o setor da metalurgia e metalomecânica antecipa terminar 2025 com exportações acima dos valores registados no ano passado e um novo recorde de vendas no exterior.

“Apesar de todas as restrições ao comércio internacional, tarifas, dificuldades dos agentes económicos, de todas essas dificuldades, contamos fechar o ano com um nível de exportações ligeiramente acima dos 24 mil milhões de euros“, adiantou ao ECO Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), que esta quarta-feira vai realizar uma conferência, com o ECO, dedicada a debater a competitividade do setor.

O setor fixou um recorde nas vendas ao exterior em 2023, com exportações de 24.017 milhões de euros. No ano passado, o campeão das vendas ao estrangeiro foi travado pela crise no setor automóvel, ficando-se pelos 23.492 milhões de euros.

Vice-presidente da AIMMAP reconhece que empresas estão “inquietas” com instabilidade global.

Apesar de destacar a resiliência do setor, o também membro da comissão executiva da CIP – Confederação Empresarial de Portugal admite que “muitas das empresas [do metal] estão inquietas” com toda a instabilidade a nível global. Mesmo assim, “o otimismo ainda se manteve”.

Quanto à perceção das empresas em relação à decisão de Bruxelas para duplicar as taxas alfandegárias de 25% para 50% sobre as importações de aço em todo o mundo, o responsável salvaguarda que o último inquérito realizado pela associação que representa o setor foi realizado a 7 de outubro, portanto antes de se conhecerem estas novas taxas.

“Stocks” protegem empresas (para já) de subida dos custos

A AIMMAP, juntamente com outras associações que representam o setor a nível europeu, tem alertado Bruxelas para o impacto negativo das tarifas nas importações para a competitividade de um setor fortemente exportador. O agravamento das tarifas só vai aplicar-se no próximo ano, mas o impacto já se sente nos preços da matéria-prima.

“Os preços da matéria-prima já estão a subir”, mas sem impacto nos números do setor, que ainda não foi forçado a comprar metal em grandes quantidades. “A maior parte das empresas [da metalurgia e metalomecânica] tem stocks grandes“, explica o vice-presidente da associação.

O aumento das tarifas para a siderurgia é justificado pela Comissão Europeia como uma forma de “salvar as siderúrgicas e os empregos europeus”, atualmente em dificuldades devido à concorrência chinesa de baixo custo. “Esta é a nova cláusula de salvaguarda do aço. Esta é a reindustrialização da Europa”, escreveu Stéphane Séjourné numa publicação na rede social X no passado dia 7, quando foi formalmente anunciada a subida das tarifas.

Além da duplicação para 50% das tarifas sobre as importações europeias de aço provenientes de todos os países terceiros, à exceção dos parceiros do Espaço Económico Europeu, a Comissão Europeia decidiu reduzir o volume de importações isentas em 47% face aos contingentes de 2024, para 18,3 toneladas métricas por ano.

Medidas que têm merecido a crítica das associações que representam a metalurgia na Europa. Rafael Campos Pereira acredita que ainda é possível sensibilizar as autoridades europeias para que sejam implementadas medidas para mitigar o impacto destas tarifas, mas estando sempre preparado para o pior.

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