Mota-Engil obtém lucros recorde de 92 milhões até setembro. Encomendas garantem “crescimento forte e rentável”
Carteira de encomendas recorde de 15,7 mil milhões de euros não inclui a concessão de 1.255 milhões de euros para túnel imerso no Brasil nem os projetos ferroviários de mil milhões no México.
A Mota-Engil EGL 0,00% encerrou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido recorde de 92 milhões de euros, o que representa uma subida de 20% face aos lucros reportados no mesmo período do ano passado. A carteira de encomendas voltou a fixar níveis inéditos, garantindo “visibilidade por vários anos” e “um crescimento forte e rentável no futuro”.
“O Grupo Mota-Engil informa que publicou hoje o trading update com os principais indicadores referentes ao terceiro trimestre de 2025, um período caracterizado pela manutenção dos níveis de produção a níveis históricos do Grupo“, explica a empresa em comunicado enviado à CMVM.
O volume de negócios manteve-se acima dos quatro mil milhões de euros — fixando-se em 4.090 milhões de euros –, ligeiramente abaixo dos 4.146 milhões alcançados no período homólogo. Já o EBITDA registou um crescimento homólogo de 15%, para 699 milhões de euros.

Ao nível do desempenho das diversas áreas de negócio, a construtora destaca o crescimento de 57% da faturação em África para 1.616 milhões de euros, com um EBITDA que cresceu 62% para 405 milhões de euros (margem de 25%), “impulsionado pela duplicação da atividade no segmento de Engenharia Industrial e que colocam atualmente a Mota-Engil como o maior operador de Contract Mining em todo o continente africano”.
Já na Europa, o volume de negócios atingiu os 334 milhões de euros, menos 27% que os 457 milhões registados um ano antes, “influenciado por atrasos nos concursos e nas adjudicações de projetos importantes em Portugal, devido às eleições legislativas inesperadas”, com o grupo nortenho a antecipar que “a atividade ganhe tração em 2026″ — e pela venda das operações na Polónia (€123 M nos 9M24)”.
Na América Latina, região em que o México surge como maior mercado externo, o grupo liderado por Carlos Mota Santos alcançou um volume de negócios de 1.561 milhões de euros, uma quebra de 29%.
Carteira de encomendas bate novo recorde

À semelhança do que tem acontecido nas últimas apresentações de resultados, a carteira de encomendas voltou a fixar recordes, atingindo 15,7 mil milhões de euros. São mais mil milhões do que no final de junho, com Angola (19%), México (17%), Portugal (12%) e Nigéria (11%) como os mercados com maior volume de projetos de engenharia e construção.
Apesar dos valores recorde, o grupo realça que “a carteira de encomendas não inclui os projetos recentemente adjudicados (depois de setembro) no Brasil, como a concessão do túnel de Santos-Guarujá (1.255 milhões de euros), os trabalhos na refinaria Duque de Caxias (700 milhões de euros, com a Mota-Engil com uma participação de 33%) e a extensão do contrato de almoxarifados submarinos (35 milhões de euros, assim como no México com 1.020 milhões de euros em infraestruturas, incluindo o segundo troço da linha Querétaro–Irapuato no México (820 milhões de euros)”.
“A carteira de encomendas a nível recorde, bem diversificada e ancorada em projetos de elevado valor acrescentado nos mercados core, garante visibilidade por vários anos e suportam um crescimento forte e rentável no futuro“, refere a empresa na mesma nota aos investidores.
Em termos de perspetivas, a companhia antecipa uma consolidação da margem EBITDA nos 17%, este ano, “reforçando o forte foco do Grupo na rendibilidade e na geração de cash, contribuindo para a melhoria da margem líquida”.
Já o volume de negócios deverá ser impactado “por um ajuste mid-single digit (que se espera que recupere totalmente em 2026) refletindo os efeitos temporais de adjudicações e o início de projetos cruciais em Portugal e no México, enquanto as outras operações core continuam a apresentar uma performance sólida e resiliente”.
A empresa liderada por Carlos Mota dos Santos prevê ainda uma manutenção da alocação de capital disciplinada, com o investimento a ascender a aproximadamente a 7% do volume de negócios, suportando o crescimento estratégico e preservando o balanceamento financeiro e a flexibilidade.
Quanto à dívida, o grupo compromete-se com um rácio de dívida líquida/EBITDA inferior a 2x e a dívida bruta/EBITDA abaixo de 4x.
Ainda antes de serem conhecidos os resultados da empresa, as ações encerraram a descer 3,75% para 5,52 euros, pressionadas por uma nova aposta negativa no capital, com a construtora a manter-se no radar dos investidores que procuram ganhar com a queda dos títulos.
Esta segunda-feira, a Square Circle IA LP comunicou à CMVM uma posição a descoberto equivalente a 0,61% do capital da construtora, a maior entre os três fundos que atualmente apostam contra os títulos da empresa liderada por Carlos Mota dos Santos.
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