Novos players trazem concorrência mas dificultam tarefa do banco central, avisa Santos Pereira
Para Santos Pereira, bancos centrais têm uma dupla tarefa: assegurar a "estabilidade e confiança" no sistema financeiro e promover uma "inovação responsável". Algo que os novos players desafiam.
O governador do Banco de Portugal afirmou esta terça-feira que a prestação de serviços financeiros fora do perímetro dos bancos beneficia a “inovação e concorrência”, mas alertou que esta “fragmentação da cadeia de valor bancária” pode comprometer a ação do banco central na estabilidade financeira e até comprometer a segurança do consumidor.
“A entrada de novos atores no espaço financeiro — as fintechs, as big techs, as plataformas digitais e modelos descentralizados — permite que os serviços sejam prestados fora do perímetro tradicional da banca. A inovação e a concorrência saem beneficiadas neste novo ambiente, mas há também riscos e desafios a considerar”, avisou Álvaro Santos Pereira numa intervenção por vídeo na abertura da conferência sobre a “Banca do Futuro”, organizada pelo Jornal de Negócios.
“A fragmentação da cadeia de valor bancária pode enfraquecer os mecanismos tradicionais de transmissão de política monetária, dificultar a supervisão prudencial e comprometer a segurança do consumidor”, acrescentou o regulador.
Santos Pereira notou ainda o facto paradoxal de “essa fragmentação” coexistir “com uma concentração de infraestruturas tecnológicas” e no qual “o setor financeiro depende cada vez mais de um número limitado de prestadores de serviços e de cloud computing e de plataformas de inteligência artificial”.
Para o governador, “esta dependência cria pontos de vulnerabilidade sistémica e uma só falha pode paralisar várias instituições financeiras”.
Neste cenário, Santos Pereira considerou que os bancos centrais enfrentam uma “dupla responsabilidade”.
Não só “têm de preservar a estabilidade e a confiança que sustentam os sistemas financeiros”, como também “têm de promover a inovação responsável, garantindo que o progresso tecnológico serve ao bem comum e não comprometa a inclusão, a segurança, a confiança e a transparência”, disse.
Santos Pereira sublinhou ainda a necessidade de promoção dos novos meios de pagamentos eletrónicos para aumentar a soberania financeira da Europa, mas tem de estar associada ao aumento da literacia financeira das pessoas, para responder ao aumento da fraude digital.
Uma das opções em cima da mesa é o euro digital. Segundo o economista, “o papel central dos bancos no sistema financeiro não irá mudar” com a introdução do euro digital, que “terá salvaguardas que assegurem que a atividade bancária não seja prejudicada”. “As análises técnicas do BCE indicam que a robustez do setor permanecerá intacta“, assegurou.
(notícia atualizada às 11h13)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Novos players trazem concorrência mas dificultam tarefa do banco central, avisa Santos Pereira
{{ noCommentsLabel }}