Portugal melhora desempenho climático, mas setor dos transportes mantém-se um desafio
Entre 62 países analisados, Portugal obtém a 9.ª posição no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas. Dinamarca, Reino Unido e Marrocos lideram ranking em que EUA de Trump sofrem a maior queda.
O Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, instrumento que avalia o desempenho das políticas climáticas de cada país, foi divulgado esta terça-feira, na 30.ª Conferência das Partes (COP30). Portugal melhora o desempenho, subindo três lugares, mas mantêm-se desafios como o crescimento de emissões do setor dos transportes.
“Dez anos após o Acordo de Paris, os progressos são visíveis”, lê-se numa nota de imprensa, divulgada pela Zero. As emissões globais per capita estão a diminuir, as energias renováveis registam um crescimento massivo e mais de 100 países já definiram metas próprias para atingir a neutralidade carbónica.
No entanto, “o ritmo continua aquém do necessário para cumprir os objetivos climáticos do Acordo de Paris”. O índice é publicado pela Germanwatch e pelo NewClimate Institute, com a participação da organização portuguesa Zero.
Portugal ocupa a 12.ª posição (vs. 15ª no ano passado), mas, na prática, isso corresponde ao 9.º lugar. É que os três primeiros lugares ficam vagos, já que nenhum país está totalmente alinhado com o objetivo do Acordo de Paris de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C.
Este é considerado pela Zero um “bom desempenho”. Olhando às subcategorias avaliadas, o país recebe uma classificação elevada nas Emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) e média na Utilização de Energia, Energias Renováveis e Política Climática.

Contudo, os especialistas nacionais envolvidos na classificação frisam alguns desafios que persistem e que consideram “significativos”. O setor dos transportes continua a apresentar um aumento consistente das emissões, com um crescimento de 7% em 2023 e uma contribuição de 29% para o total das emissões em 2022, comprometendo o cumprimento das metas nacionais.
“A utilização insuficiente de transportes públicos e a dependência elevada de veículos automóveis nas cidades evidenciam a necessidade de reforçar planos de mobilidade urbana sustentável”, comentam os autores.
É também criticada a “inconsistência no sinal de preço do carbono”, tendo em conta a recente redução da taxa sobre produtos petrolíferos, e a persistência de subsídios e isenções fiscais aos combustíveis fósseis. No domínio das energias renováveis, destaca-se pela negativa “o crescimento acelerado de grandes projetos”.
Dinamarca, Reino Unido e Marrocos lideram
Os países que mais se destacam no índice foram a Dinamarca, que se mantém como o país melhor classificado (4.º lugar), liderando em política climática e destacando-se nas energias renováveis, especialmente na energia offshore; o Reino Unido (5.º lugar), que subiu uma posição e já completou a eliminação do carvão, embora ainda precise de avançar mais nas renováveis; e Marrocos (6.º lugar), que apresenta bons resultados em quase todas as categorias, com emissões per capita “muito baixas”, investimentos “significativos” em transportes públicos e uma nova meta climática ambiciosa para 2035.
Em oposição, os piores desempenhos no índice deste ano são registados pela Arábia Saudita (67.º), Irão (66.º) e EUA (65.º). O país liderado por Donald Trump registou “uma queda particularmente significativa”, depois de abandonar o Acordo de Paris, “dificultando a redução global das emissões dado o seu peso como grande emissor”.
Já os maiores produtores de petróleo e gás são destacados por não mostram sinais de abandonar os combustíveis fósseis como modelo de negócio, “perdendo assim a oportunidade de abraçar soluções mais sustentáveis para o futuro”.
O CCPI avalia os progressos em mitigação climática de 63 países, mais a União Europeia no seu conjunto, responsáveis por 90% das emissões globais, sendo que os países da União Europeia são classificados individualmente e também enquanto bloco. Baseia-se nos dados mais recentes fornecidos por várias entidades internacionais e numa avaliação de peritos sobre o desempenho atual das políticas climáticas.
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