Portuguesa Faber colidera ronda de 2,4 milhões em empresa britânica de térmicos para roupa e edredões
Capital de risco nacional investiu na Ponda, uma empresa com sede em Londres que criou um isolamento de origem vegetal para vestuário e roupa de cama. Plano é alargar a têxtil lar, peluches e estofos.
A sociedade de capital de risco portuguesa Faber coliderou uma ronda de investimento de 2,4 milhões de dólares (cerca de 2,2 milhões de euros) na empresa britânica Ponda, que desenvolve isolamentos de origem vegetal para vestuário e enchimento para edredões.
O financiamento foi realizado em conjunto com a britânica Counteract e contou ainda com a participação da PDS Ventures, Evenlode Impact e Royal College of Art, a universidade de onde a startup teve origem (assim como a Imperial College London).
A Ponda tem ligação a Portugal através de parcerias com a Petratex, de Paços de Ferreira, e o CITEVE – Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, mas só vai começar a vender o “recheio” de peças de roupa e colchões no próximo ano. O foco inicial será vestuário de rua (outdoor) e moda e quiçá têxteis lar, peluches e estofos.
A verba permitirá acelerar o desenvolvimento e a produção do produto BioPuff, um biomaterial isolante térmico de base vegetal, que tem propriedades semelhantes às das penas de ganso, mas que utiliza plantas Typha (canas) cultivadas em zonas pantanosas. A prática agrícola é formalmente designada paludicultura e gera biomassa renovável para a indústria têxtil.
“A médio prazo, a Ponda planeia criar um hub europeu para liderar desenvolvimento de produto e negócios, expandindo a cadeia de abastecimento regenerativa e beneficiando ecossistemas costeiros e terrestres em Portugal e noutras regiões europeias”, informam ainda os investidores de Lisboa, em comunicado de imprensa divulgado esta terça-feira.

“O nosso objetivo é desenvolver um biomaterial isolante que seja uma alternativa direta aos materiais de isolamento sintéticos e de base animal e responda às necessidades técnicas das marcas, sendo competitivo do ponto de vista de custo. O financiamento agora obtido permite-nos avançar para a fase de produção em maior escala”, afirma o cofundador e CEO da Ponda, Julian Ellis-Brown.
Para Rita Sousa, sócia da Faber, a Ponda tem uma abordagem científica e operacional “sólida” que liga materiais avançados à regeneração de ecossistemas. “O uso de Typha cultivada em zonas húmidas e intertidais restauradas pode representar uma alternativa relevante para setores que procuram reduzir dependência de materiais sintéticos ou de origem animal. Acreditamos que este é um exemplo concreto de como a inovação pode apoiar a transição para sistemas industriais de menor impacto”, defende.
Fundada em 2020 e com sede no Reino Unido, a Ponda (antiga Saltyco) tem ainda uma rede de agricultores parceiros na Europa para paludicultura e desenvolvimento de tecidos através de biomateriais, como fibras regeneradas. Atualmente, conta com uma unidade piloto na cidade de Bristol para processamento de fibras, mistura e prototipagem, que lhe permite validar requisitos técnicos de forma a, mais tarde, produzir em maior escala.
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