Portugal terá das idades da reforma mais altas da OCDE

Tendo por base apenas as medidas já em vigor, idade da reforma média da OCDE deverá aumentar quase dois anos para 66,4 anos no futuro. Portugal supera a média, apontando para os 68 anos.

Tem 22 anos e acabou de encontrar o seu primeiro emprego? Saiba que terá de trabalhar até aos 68 anos para se reformar com uma pensão completa, de acordo com as previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Essa estimativa coloca Portugal não só acima da média, como entre os oito países onde a idade da reforma será mais elevada, no futuro.

“De modo global, tendo por base as medidas já legisladas, a idade da reforma normal média para os homens na OCDE irá subir quase dois anos para 66,4 anos para quem tenha entrado no mercado de trabalho em 2024″, começa por explicar a organização na edição deste ano do relatório “Pensions at a glance”, que é publicada esta quinta-feira.

De acordo com as projeções da OCDE, metade dos países que compõem esta organização verá a sua idade da reforma aumentar com base na legislação em vigor.

E Portugal será um desses países. O relatório agora conhecido indica que um jovem que entre agora no mercado laboral terá de trabalhar até aos 68 anos para ter acesso à pensão completa. Esta é a quinta idade da reforma futura mais elevada da OCDE, sendo também a previsão para o Reino Unido e a Finlândia, como mostra o gráfico abaixo.

No topo dessa tabela, aparece a Dinamarca, com uma idade da reforma futura de 74 anos, seguindo-se a Estónia (71 anos), os Países Baixos, Suécia e Itália (todos com 70 anos) e Eslováquia (69 anos).

O “Pensions at a glance” destaca que, dos países com idade da reforma futuras mais elevada, oito indexam esse limiar etária à esperança média de vida, incluindo a Portugal, a Finlândia e a Eslováquia.

Por cá, é a esperança média de vida aos 65 anos o indicador que, todos os anos, determina a idade na qual os trabalhadores podem pedir a pensão sem sofrer penalizações. Caso decidam passar à reforma antes dessa idade, os trabalhadores sofrem, regra geral, dois cortes: uma penalização de 0,5% por cada mês antecipado face à idade normal de acesso à pensão e o chamado fator de sustentabilidade (16,93% este ano).

A OCDE salienta que também na Grécia há essa indexação entre a idade da reforma e a esperança média de vida, mas é possível aceder à pensão com 40 anos de carreira contributiva sem penalização, pelo que a idade da reforma futura não está entre as mais elevadas da organização.

Por outro lado, a Noruega deverá aplicar essa indexação, o que fará a idade da reforma subir no corresponde a dois terços dos ganhos de esperança de vida.

No relatório agora conhecido, a OCDE realça também que as diferenças entre os vários países vão também ficar mais expressivas: se, por um lado, a idade da reforma atingirá os 74 anos na Dinamarca, na Colômbia, Luxemburgo e Eslovénia deverá manter-se nos 62 anos.

Fosso entre elas e eles nas pensões

Salários desiguais resultam, sem surpresa, em pensões desiguais. Em média, na OCDE, as mulheres recebem pensões que são “inferiores em um quarto” às dos homens, indica o “Pensions at a glance”. Ainda assim, a boa notícia é a de que esse fosso tem encolhido.

O fosso de género médio entre os países da OCDE recuou de 28% em 2007 para 23% em 2024“, sublinha o relatório agora conhecido.

“As diminuições mais significativas tiveram lugar na Alemanha, Grécia e Eslovénia, onde o fosso encolheu mais de 15 pontos percentuais entre 2007 e 2024, bem como no Luxemburgo, Noruega, Portugal e Turquia, com um recuo de dez pontos percentuais”, enfatiza a organização.

Segundo o “Pensions at a glance”, em muitos países da OCDE o forte recuo das diferenças de género no mercado de trabalho está a levar a uma redução do fosso de género nas pensões. Mas a organização deixa um recado: para que essas mudanças se reflitam plenamente em menor desigualdade nas pensões será ainda preciso algum tempo.

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