Falha da Airbus provoca cancelamento de voos em algumas companhias. TAP diz que impacto é “reduzido” e mantém operação
Falha de software nos aviões da família A320 está a afetar a aviação global embora com impacto limitado. Nos aeroportos de Lisboa e Porto há só um cancelamento e alguns atrasos.
A falha de software nos aviões da família A320 da Airbus está a afetar este sábado a aviação global, embora com diferente impacto nas companhias aéreas. Algumas estão a cancelar voos, outras dizem estar a conseguir gerir a intervenção obrigatória nas aeronaves sem comprometer a operação. Nos aeroportos de Lisboa e Porto há apenas um cancelamento, e alguns atrasos mais significativos, incluindo em voos da TAP.
A companhia aérea portuguesa é uma das afetadas, operando 58 aviões A319, A320 e A321. Segundo apurou o ECO, na maioria das aeronaves da transportadora a intervenção poderá ser feita em cerca de duas horas, mas algumas necessitarão também de uma mudança no hardware, o que implica uma manutenção mais demorada.
“Continuamos a acompanhar a situação, toda a frota impactada está a ser atualizada, com impacto reduzido na operação e sem cancelamentos, e sempre tendo como prioridade máxima a segurança de passageiros e tripulações”, afirmou a TAP na manhã deste sábado.
A informação das partidas e chegadas nos aeroportos de Lisboa e Porto não indica qualquer cancelamento de voos da TAP. Há, no entanto, alguns atrasos significativos. Por exemplo, a ligação entre Lisboa e Washington das 11h25 está prevista acontecer apenas às 13h30, e o voo para Boston das 11h40 está previsto para as 12h55. O único cancelamento indicado para o aeroporto de Lisboa é de um voo da KLM para Amesterdão.
A Airbus emitiu na sexta-feira um alerta para a obrigatoriedade de realizar uma intervenção nos aviões da família A320, depois de um incidente com um avião deste modelo ter revelado que “intensa radiação solar pode corromper dados críticos para o funcionamento dos controlos de voo”. Globalmente, a falha terá impacto em cerca de 6.000 aviões.
Impacto nas companhias aéreas
A intervenção obrigatória está a afetar de forma diferente as companhias aéreas, segundo as agências de notícias.
Na Europa, a Iberia afirmou que as suas operações decorreriam de forma normal, tal como a Wizz Air. A easyJet indicou que já completou a atualização do software em grande parte dos aviões e que espera “operar os voos de forma normal este sábado”. A Ryanair só usa aviões Boeing, com exceção da sua subsidiária Lauda Air.
Já a Air France-KLM deu conta de 35 voos cancelados e a Lufthansa disse esperar um pequeno número de cancelamentos e atrasos durante o fim de semana.
Nos EUA, onde a Boeing é dominante, a American Airlines afirma que se poderão registar-se atrasos em alguns voos, decorrentes da necessidade de intervir em 209 aeronaves da Airbus. A Delta disse esperar um impacto muito limitado, tal como a United Airlines.
Na Ásia, a Air India refere que são afetados 113 aviões e espera alguns atrasos, mas não cancelamentos, tal como a IndiGo. A japonesa ANA cancelou 95 voos este sábado, afetando 13.500 passageiros.
Na América do Sul, a LATAM deu nota de que a falha afeta um número limitado de aeronaves, enquanto a colombiana Avianca alertou para perturbações operacionais significativas nos próximos 10 dias.
Contactada pelo ECO/eRadar, fonte oficial da Airbus adiantou que, globalmente, “cerca de 6.000 aeronaves da família A320 em serviço serão impactadas”. A intervenção nas aeronaves terá de ser efetuada antes do próximo voo de rotina. “As companhias terão de proceder a implementação do software antes do próximo voo”, refere fonte oficial.
O presidente executivo (CEO) da Airbus, Guillaume Faury, reconheceu este sábado que “a implementação de uma solução corretiva em certas aeronaves A320 implica dificuldades logísticas e atrasos significativos. Quero apresentar as minhas sinceras desculpas aos nossos clientes e aos passageiros afetados. A segurança é a nossa prioridade absoluta”, afirmou Faury numa mensagem nas redes sociais.
O responsável máximo da Airbus garantiu que as equipas da empresa “trabalham sem descanso para acompanhar os operadores e implementar as atualizações o mais rapidamente possível, a fim de colocar os aviões em serviço e recuperar o funcionamento normal, com o nível de segurança que se espera da Airbus”.
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) determina que o procedimento terá de ser cumprido até às 23h59 de 29 de novembro. Para “85% das aeronaves bastará uma atualização do software“, para “15% das aeronaves onde são necessárias alterações de hardware, isso dependerá da disponibilidade de fornecimento industrial”, diz a Airbus. “Estamos a trabalhar em estreita colaboração com o fornecedor para acelerar a disponibilidade do hardware“.
O incidente que desencadeou o alerta da Airbus envolveu um voo da companhia JetBlue, de Cancún, no México, para Newark, Nova Jérsia, a 30 de outubro, em que vários passageiros ficaram feridos após uma perda súbita de altitude. O voo 1230 efetuou uma aterragem de emergência em Tampa, na Florida, o que levou a uma investigação por parte da Federal Aviation Authority.
(notícia atualizada às 14h35 com declarações do presidente da executivo da Airbus)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Falha da Airbus provoca cancelamento de voos em algumas companhias. TAP diz que impacto é “reduzido” e mantém operação
{{ noCommentsLabel }}