Mais de um terço das famílias com crédito à habitação vê prestação da casa subir em dezembro
Pela primeira vez desde janeiro do ano passado, quem tem contratos indexados à Euribor a 3 e 6 meses revistos em dezembro vai pagar mais ao banco. Apenas Euribor a 12 meses mantém a descida.
Para milhares de famílias, o mês de dezembro traz uma prenda indesejada no sapatinho: o fim da descida da prestação da casa. Pela primeira vez desde janeiro do ano passado, os titulares de crédito à habitação com taxa variável indexada à Euribor a 3 e 6 meses, cujos contratos sejam revistos em dezembro, vão ver a mensalidade aumentar.
Segundo cálculos do ECO, esta inversão de tendência vai afetar diretamente mais de um terço das famílias com crédito à habitação em Portugal. Esta estimativa resulta do cruzamento dos dados mais recentes do Banco de Portugal, que indicam que 54% do stock de crédito à habitação é de taxa variável e, deste montante, 64% encontra-se indexado à Euribor a 3 ou 6 meses.
Este agravamento marca um ponto de viragem no comportamento dos indexantes, sinalizando que a resistência da Euribor acima da fasquia dos 2% começou a penalizar as revisões contratuais, anulando os ganhos acumulados nos meses anteriores.
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O impacto sente-se de forma clara nos contratos mais curtos. Para um empréstimo padrão de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, indexado à Euribor a 3 meses, a revisão da prestação em dezembro traduz-se num aumento, ainda que ligeiro — será mesmo a subida menos prenunciada desde outubro, quando a tendência de queda de 20 meses consecutivos foi interrompida.
- Euribor a 3 meses: A prestação mensal destes contratos, que se fixou em 634,11 euros nos últimos três meses, passará a ser de 635,7 euros a partir de 1 de dezembro. Trata-se de um agravamento de 0,25%, que se traduz num aumento de 1,59 euros mensais face à anterior prestação. Esta subida justifica-se pelo comportamento da taxa no mercado interbancário durante o mês passado. A Euribor a 3 meses desenhou uma tendência de subida consistente ao longo de novembro, mantendo-se praticamente todo o mês acima dos 2%. O resultado foi uma média mensal de 2,0407%, valor superior à média de 2,0211% registada em agosto — taxa que serviu de referência para o cálculo da prestação no trimestre anterior e que, na altura, ainda refletia um movimento de queda.
A situação replica-se nos contratos indexados à Euribor a 6 meses, um dos prazos mais populares entre os portugueses. Também aqui, a revisão de dezembro dita o fim das descidas.
- Euribor a 6 meses: Utilizando o mesmo exemplo de um financiamento de 150 mil euros a 30 anos, com spread de 1%, a prestação da casa vai subir para 643,14 euros, face aos 641,84 euros pagos no último semestre. Este aumento de 1,3 euros (ou 0,2%) decorre da fixação da média da Euribor a 6 meses em 2,1321% em novembro. Este movimento é particularmente simbólico: trata-se do primeiro aumento mensal nos contratos indexados à Euribor a 6 meses revistos num mês desde janeiro do ano passado, confirmando o esgotamento da margem de descida que se verificava até agora.
Diferente continuará a ser a realidade para quem tem o contrato indexado à Euribor a 12 meses e revisão agendada para dezembro. Neste prazo, a prestação continua a baixar, tal como tem sucedido nos últimos 19 meses, embora o “fôlego” da descida seja o menor desde julho do ano passado.
- Euribor a 12 meses: No caso do mesmo crédito de 150 mil euros a 30 anos, com um spread de 1%, a nova prestação a pagar a partir de 1 de dezembro será de 650,12 euros, o que representa uma poupança de 23,91 euros (-3,55%) face aos 674,03 euros pagos ao longo do último ano. A média da Euribor a 12 meses que vigorará para o próximo ano fixou-se em 2,2173%.
Se o cenário de dezembro já aponta para um agravamento de uma grande fatia dos contratos de crédito à habitação, as perspetivas de médio prazo não são animadoras para quem aguardava um regresso a taxas muito baixas.
De acordo com os contratos forward sobre as Euribor a 3 e 6 meses, vistos como uma antecipação pelo mercado do movimento futuro das taxas de juro, é expectável que esta tendência da prestação da casa se agrave nos próximos meses.
Os investidores não antecipam que as taxas Euribor baixem da barreira psicológica dos 2%. Pelo contrário, a leitura atual do mercado sugere que as taxas podem mesmo registar subidas mais expressivas a partir do verão do próximo ano, colocando um ponto final definitivo no ciclo de alívio que as famílias portuguesas experienciaram durante grande parte de 2024 e 2025.
Dezembro marca assim o fim de um alívio que durou quase dois anos, uma trégua que muitas famílias nunca pensaram que tivesse fim. Com as perspetivas do mercado a apontarem para subidas mais acentuadas a partir do verão de 2026, o timing não podia ser mais crítico para preparar o embate no orçamento familiar.
Para todos os que têm contratos revistos este mês mas também nos meses seguintes, compreender exatamente como a sua prestação vai evoluir deixa de ser uma curiosidade para ser uma necessidade. O simulador de crédito à habitação do ECO ajuda nessas contas. Use a ferramenta abaixo e confronte os números.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.
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