BRANDS' ECO Ambição, pessoas e sustentabilidade: como o Grupo Paulo Duarte quer reinventar o transporte rodoviário
O novo relatório de sustentabilidade do grupo mostra que a ambição é crescer mais, poluir menos e pôr as pessoas no centro de um setor ainda visto como “feio e pesado”.
Na nova base do Grupo Paulo Duarte, na Ota, Gustavo Paulo Duarte fala de um momento “marcante” na história da empresa. Em conversa com Diogo Agostinho, COO do ECO, o CEO assume a ambição de acelerar o crescimento na próxima década, mas sempre com uma visão da sustentabilidade que vai além do ambiente. Os ingredientes do sucesso são as pessoas e o planeta.
Com 1.300 colaboradores, dos quais 1.100 motoristas, e 130 milhões de euros de faturação em 2004, o Grupo assume as pessoas como “pilar máximo” da organização. A inauguração da nova base, diz o empresário, mostra bem a nova forma de encarar o trabalho. “Hoje as pessoas movem-se por projetos. Se o projeto é bom, se se revêm nele, vêm com o projeto”, assegura. Além do salário, as condições de trabalho e o reconhecimento são cada vez mais elementos que pesam na escolha de um emprego. “As pessoas são mesmo o nosso pilar máximo”, sublinha.
No plano ambiental, a empresa mantém a meta de reduzir 50,4% das emissões até 2032 num setor que o CEO não esconde ser “pela sua natureza, poluente” e que obriga “a fazer mais e melhor”. A descarbonização, porém, não se resume à eletrificação da atividade. Passa por camiões mais recentes e eficientes, novos combustíveis e tecnologia aplicada também ao gasóleo. Só a substituição de frota ao longo das últimas décadas permitiu, estima, reduzir entre 30% e 40% das emissões sem mudar de combustível.
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Gustavo Paulo Duarte, CEO das Transportes Paulo Duarte -
Gustavo Paulo Duarte, CEO da Transportes Paulo Duarte, à conversa com Diogo Agostinho, COO do ECO -
A conversa decorreu na nova sede da Transportes Paulo Duarte na Ota
O relatório de 2024 já inclui a primeira análise de dupla materialidade envolvendo grandes fornecedores, da petrolífera aos pneus e camiões. Esta é a forma de alinhar toda a cadeia de valor com as exigências dos clientes, que “cada vez mais” pedem provas concretas de sustentabilidade. “Quem não tiver relatório [de sustentabilidade] está atrás”, resume.
Dentro de portas, a aposta passa por premiar e formar para garantir bem-estar e competitividade. O programa “Best Drivers Paulo Duarte” distingue os melhores motoristas em eficiência, segurança rodoviária e cumprimento de regras, e o resultado sente-se. Os incidentes de trabalho caíram 20% em 2023 e 50% em 2024, apoiados também pela renovação da frota e em sistemas de apoio à condução, já com inteligência artificial. Outro ponto fundamental é a aposta na formação. No ano de 2024, o Grupo somou mais de 25 mil horas de formação ministradas, com um foco total na segurança, eficiência e profissionalismo.
Queremos devolver à comunidade parte daquilo que ela nos dá todos os dias
A diversidade é outro ponto em que o Grupo quer marcar posição, aponta Gustavo Paulo Duarte, que lembra que, graças à contratação coletiva do setor, motoristas homens e mulheres recebem o mesmo salário e que o gap médio ronda os 4%, bem abaixo de outras atividades. A empresa integra colaboradores de múltiplas nacionalidades e vê a imigração como condição para manter a frota a rolar.
Para fora, a Paulo Duarte investe na comunidade através do apoio a clubes e formação desportiva jovem, do râguebi ao ciclismo. Não é filantropia gratuita, garante o CEO, mas antes um investimento com impacto social e reputacional num setor que quer deixar de ser associado a “camiões feios e sujos”. “Queremos devolver à comunidade parte daquilo que ela nos dá todos os dias”, afirma.
Quando olha para os próximos dez anos, Gustavo Paulo Duarte escolhe uma palavra para definir o Grupo: ambição. Crescer mais rápido do que nos últimos quatro anos, ganhar eficiência e continuar a atrair pessoas para uma profissão exigente, mas mais bem remunerada do que a média nacional. “Os próximos dez anos vão exigir ambição, e nós estamos preparados para isso”, garante.
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