Lavandarias da família Botton expandem para o Algarve com investimento de mais de três milhões

Empresa Cleanup vai abrir segunda "fábrica" de limpeza de toalhas e lençóis de hotéis em 2026, após mais do que duplicar negócio com grupos como Pestana, Vila Galé, Marriott ou CostaTerra na Comporta.

A empresa portuguesa Cleanup, liderada por Rita Araújo, Afonso Pinheiro, Filipe de Botton e Martim de Botton, vai expandir o negócio da lavandaria industrial com a abertura de uma “fábrica” de lavar roupa no Algarve. A entrada no mercado algarvio está prevista para o próximo ano com um investimento que rondará os 3,5 milhões de euros no armazém, maquinaria de ponta e recrutamento.

A partir de Sintra, a Cleanup é a máquina de lavar dos hotéis de luxo na Grande Lisboa e em Grândola, mas pretende alargar a operação a uma das regiões mais turísticas do país. Atualmente, trabalha com 55 hotéis, entre os quais o resort Costa Terra na Comporta e os de grupos como Pestana, Vila Galé, Intercontinental e Marriott, num total de aproximadamente três mil camas.

“O nosso objetivo é ter um ponto que seja um ponto que nos permita servir uma grande quantidade de hotéis na região. Estamos a elaborar um plano mais consolidado, estruturado, para entrarmos bem no mercado, mesmo que demore mais tempo. Crescemos bastante com os novos clientes e na Comporta” através do Pestana Tróia ou do Independente Comporta, diz ao ECO o sócio cofundador, Afonso Pinheiro.

De uma “5àsec ao domicílio”, com uma loja no bairro lisboeta da Graça para servir alojamentos do Airbnb, a empresa foi-se transformando e passou a prestar serviços a empresas. Ou seja, enquanto no ano passado tinham hotéis com 30 a 50 quartos, agora a maioria dos resorts para os quais lavam tem, pelo menos, 90 quartos, o que repercutiu na faturação. No ano passado, o volume de negócios da Cleanup foi de 686 mil euros e este ano vai aproximar-se dos dois milhões de euros.

IA para agilizar mais de dez toneladas de roupa por dia

“Estamos num ano de transição e de consolidação da marca. Já atingimos um volume acima das dez toneladas [de roupa] por dia, o que nos deixa aqui num patamar de lavandaria industrial de grande dimensão. Estamos a apostar muito em software, em inteligência artificial [IA] dentro da lavandaria, para aprimorar as nossas operações e a forma como nos relacionamos com os cliente”, explicou a cofundadora e CEO da Cleanup, Rita Araújo.

A meta é chegar às 15-20 toneladas diárias em 2026 através da aquisição de equipamentos de fornecedores na Alemanha, que apelidam de “Ferraris” das máquinas de lavar roupa. Quanto ao investimento em IA, servirá para automatizar a gestão da equipa em picos de trabalho, como eventos dos hotéis, ou fazer previsões de sujidade e desgaste dos têxteis.

“Para, alimentando [a IA] com todos os dados que temos, sermos capazes de saber, quando a roupa chega, que para aquele cliente é para ser levada sempre naquele programa ou naquela máquina. E, gradualmente, conseguirmos identificar padrões e sermos mais ágeis a resolver cada desafio que nos apresentam”, detalha Rita Araújo. Simultaneamente, a Cleanup vai contratar cerca de 20 pessoas para cargos de técnico operacional ou de manutenção.

Inicialmente, ambos tinham dúvidas de que funcionasse, como conta Rita Araújo.

A hotelaria está cá há tanto tempo, é um dos principais motores da economia, como é que a lavandaria para hotéis não está resolvida? Não nos fazia sentido. À medida que falávamos com os hotéis, diziam sempre que tinham dois grandes problemas: o staff e a lavandaria.

Rita Araújo

Cofundadora e CEO da Cleanup

A história da Cleanup remonta a 2022, após uma pandemia que obrigou a dupla a repensar a startup Pleez, criada durante o confinamento e dedicada a menus digitais para restaurantes. Entretanto, essa empresa tornou-se uma plataforma de analítica para clientes como Uber Eats e, no mês passado, Afonso Pinheiro acabou por renunciar à administração da Pleez (Trypleez) para se dedicar a 100% às lavandarias industriais.

“A Pleez é um negócio de startup pura, tecnológica, constantemente em risco de falência e clássico de ronda em ronda. Na altura, pensámos que queríamos algo menos arriscado, mais previsível e tradicional, mas ter a lavandaria não foi uma iluminação. Fomos contactados pelo franchising espanhol Mr. Jeff que se estava a lançar em Portugal”, recorda Rita Araújo, cuja ideia de empreender surgiu antes da Covid-19, quando estava em Barcelona a tirar o mestrado em Finanças na Esade Business School.

Hoje, ambos esperam que os jovens façam um caminho semelhante: passem do software para o hardware em prol da reindustrialização de Portugal.

É mesmo uma fábrica. [No Algarve] há-de ser um armazém grande para conseguirmos produzir. Em Portugal, fomos durante vários tempos um grande país industrial. É preciso uma geração de mais empreendedores que venham também focar-se em projetos industriais, porque existem grandes oportunidades.

Afonso Pinheiro

Cofundador e administrador da Cleanup

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