Angola inaugura maior parque fotovoltaico autónomo da África Subsaariana

  • Lusa
  • 3 Dezembro 2025

Localizado a mais de 1.500 quilómetros de Luanda, no Moxico, o parque foi construído pela empresa portuguesa MCA. Infraestrutura vai permitir levar eletricidade contínua a 130 mil pessoas.

O Governo angolano inaugurou esta quarta-feira o maior parque fotovoltaico autónomo (off-grid) da África Subsaariana, uma infraestrutura que vai permitir levar, pela primeira vez, eletricidade contínua a uma comunidade isolada de mais de 130 mil habitantes.

Localizada na capital da nova província do Moxico Leste, uma região remota que dista mais de 1.500 quilómetros de Luanda, a obra construída pela empresa portuguesa MCA integra tecnologias inovadoras, incluindo um sistema de acumulação de baterias e a tecnologia Blackstart, que permite o arranque automático em caso de falhas.

“Se no futuro, o sistema estiver ligado a uma rede evitará apagões como o que aconteceu em Portugal em abril deste ano”, explicou Elisabete Alves, diretora de operações (Chief Operating Officer) do grupo MCA, durante a visita à obra, sublinhando que esta é também “a primeira central totalmente renovável” no país.

O Cazombo faz parte das 60 localidades incluídas num plano de eletrificação do Governo angolano destinado a fornecer eletricidade a mais de 200 mil casas, beneficiando cerca de um milhão de pessoas. O investimento total é superior a mil milhões de dólares (equivalentes a cerca de 862 milhões de euros), segundo o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.

Além do impacto imediato de permitir acesso a eletricidade 24 horas por dia a cerca de 136 mil pessoas, o projeto solar, traduz-se numa poupança anual estimada de quase 10 milhões de litros de combustível, um recurso escasso, caro e de difícil transporte até esta zona remota, destacou o ministro.

“É um marco histórico para a província do Moxico Leste e para Angola”, afirmou, salientando que se trata de “muito mais do que painéis solares: significa progresso, inclusão e independência energética”. Por estrada, o Google Maps estima que sejam necessárias pelo menos 21 horas para chegar ao Cazombo, mas o trajeto pode ultrapassar mais do que um dia devido à inexistência de estradas pavimentadas.

O impacto ambiental é igualmente significativo, com uma redução estimada de 37 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Na capital desta nova província, prestes a completar o seu primeiro aniversário, estão já instaladas 12 das 16 mil ligações domiciliárias previstas, das quais três mil já ativas, que serão servidas pela central de 25 megawatts (MW) de potência e 75 MW de capacidade de armazenamento, composta por 40.320 painéis solares de tecnologia sul-coreana.

O pacote solar inclui ainda obras nas províncias do Bié, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Moxico Leste, envolvendo um programa de eletrificação com potência total instalada de 256 megawatts-pico (MWp) e 595 megawatts-hora (MWh) de armazenamento em baterias. Visivelmente satisfeito, tal como alguns dos moradores de Cazombo já com luz em casa, o governador do Moxico Leste, Crispiniano dos Santos, acredita que este projetos vão impulsionar o desenvolvimento agrário e industrial da província.

Ao mesmo tempo espera que mobilizem investimento privado e emprego para parte dos 411 mil habitantes desta província com 72 mil quilómetros quadrados (equivalente a Portugal, sem o Algarve) na zona leste de Angola, junto à fronteira com a Zâmbia. No Cazombo, a MCA está também envolvida no projeto de captação e tratamento de água a partir do rio Zambeze, destinado ao abastecimento da população, prevendo-se a conclusão da obra até julho de 2027.

Este projeto do Ministério da Energia e Águas para o setor da água abrange 49 localidades em cinco províncias, com um investimento de 870 milhões de euros.

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