Paula Franco: “Ao contrário do que as pessoas acham, eu acho que ser contabilista é uma profissão fascinante”
Fascinada pela contabilidade desde o secundário, Paula Franco soube, desde cedo, que o seu percurso profissional se faria nesta área. Hoje é bastonária da OCC e conta como chegou até aqui.
Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, é a 55ª convidada do podcast “E Se Corre Bem?”. O seu interesse pela contabilidade foi despertado logo no 10º ano, altura em decidiu que era esta profissão que queria seguir. Ainda fez trabalho de consultadoria na Ordem dos Contabilistas Certificados, mas foi nas áreas da contabilidade e da fiscalidade que se encontrou e traçou o seu caminho.
“Ao contrário do que as pessoas acham, eu acho que ser contabilista é uma profissão fascinante. Nós escrevemos todos os dias as histórias das empresas. É, acima de tudo, uma profissão que nos permite reunir os dados da empresa para transmitir informações para a tomada de decisões. Já viu o que é ter esse poder de poder escrever essa história e de ajudar na tomada de decisões? Sem informação financeira não se pode tomar decisões“, começou por dizer Paula Franco, justificando o seu fascínio pela área.
Esta clareza sobre a profissão levou-a a saber perfeitamente o que queria desde cedo: “Sempre me fascinaram as áreas da contabilidade. No secundário, fui para área de economia e, no meu tempo, tínhamos contabilidade pura. Eu diria que sempre gostei, mas foi realmente nessa altura que se manifestou a vontade de me dedicar a essa área. Nunca coloquei nenhuma outra opção, nem nunca fiz testes psicotécnicos porque sabia exatamente aquilo que queria“.
Depois do secundário, tirou uma licenciatura em Gestão de Empresas e uma especialização em Fiscalidade, mas antes de se lançar por conta própria ainda foi consultora da OCC. “Fui para a consultadoria na Ordem dos Contabilistas Certificados, onde também me dedicava à parte fiscal, que é igualmente uma paixão. Mas, a determinada altura, sentia que não conseguia crescer sem escrever a história todos os dias. Trabalhava em consultadoria, aconselhava outros contabilistas certificados, mas eu não tinha feito nada diretamente, não tinha posto as mãos na massa. E foi aí que abri o escritório de contabilidade. Mas mantive a consultadoria”, contou.
Só mais tarde surgiu a oportunidade de se candidatar ao cargo de Bastonária da OCC, algo que fez com um objetivo claro: “A grande razão da minha candidatura era a vontade de levar os contabilistas certificados a outro patamar, de fazer com que a sociedade reconhecesse que são profissionais fundamentais. Antes, os contabilistas certificados eram considerados técnicos quase de segunda. E eu sempre achei que isto levou a que muitas empresas não tenham tido o desenvolvimento certo. A informação financeira é tudo para as empresas e, por isso, o profissional que está ali a acompanhar tem de ser muito valorizado”.
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Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), no 56º episódio do podcast "E se corre bem?" Hugo Amaral/ECO -
"Ao contrário do que as pessoas acham, eu acho que ser contabilista é uma profissão fascinante. Nós escrevemos todos os dias as histórias das empresas. É, acima de tudo, uma profissão que nos permite reunir os dados da empresa para transmitir informações para a tomada de decisões" Hugo Amaral/ECO -
"Antes, os contabilistas certificados eram considerados técnicos quase de segunda. E eu sempre achei que isto levou a que muitas empresas não tenham tido o desenvolvimento certo" Hugo Amaral/ECO -
"Quando me candidatei, uma das minhas maiores preocupações era não estragar o legado que me foi deixado, melhorá-lo e levar a profissão muito mais além. E hoje, olhando para trás, não tenho dúvida de que concretizamos isso" Hugo Amaral/ECO
“Este fascínio por contar a história das empresas é muito importante. Mas claro que tratar da parte fiscal e assegurar a segurança jurídica tem muitos desafios, isto porque temos muita legislação. A fiscalidade não é linear e isso é um desafio constante, assim como a relação entre as empresas e a Autoridade Tributária, já que é o contabilista quem toma muitas decisões fiscais em nome dos seus empresários. Portanto, temos imensos desafios e a OCC tem um enorme trabalho ao serviço dos seus membros, precisamente para garantir que o contabilista está sempre a tomar as melhores opções“, continuou.
Entre as suas principais ideias, Paula Franco destacou a filosofia do contabilista 3.0, algo em que a OCC já tem vindo a trabalhar e pretende implementar em 2026. “Os contabilistas estão sempre tão atarefados que acabam por não cumprir as suas tarefas tão atempadamente como seria desejável para a maioria das empresas, principalmente para as micro e para as pequenas. Mas a economia só cresce se a informação financeira for muito mais além e servir os interesses da empresa. Por isso é que, com as novas tecnologias e com a IA, podemos agora ir mais além. E aqui entra o contabilista 3.0, que tem de se libertar de tudo o que é redutor na sua relação com a empresa e com o empresário, e focar-se naquilo que é verdadeiramente importante“.
“Para dar um exemplo: há uma tarefa que o contabilista faz e que não traz valor acrescentado nenhum, que é andar atrás dos documentos, a pedir faturas, extratos bancários… 20% a 30% do tempo do contabilista é gasto nisto, o que é redutor para todos e tem de acabar”, acrescentou. E quando questionada sobre como terminar com essa tendência, a bastonária divulgou um pouco do projeto a implementar no próximo ano: “É um processo centralizador de documentos, no qual existe uma entidade que centraliza todos os documentos das empresas. Todos os dados terão muita proteção de encriptação e haverá uma central de consentimentos para o próprio empresário dar o consentimento a quem quer que o contabilize. Com isso, por exemplo, sempre que lhe for passada uma fatura, aquele documento fica no processo“.
O objetivo é, acima de tudo, permitir que o contabilista consiga usar o seu tempo para pôr em prática os seus conhecimentos “ímpares” na área, ao invés de “perder tempo” com tarefas que, além de atrasar, não permitem o crescimento das empresas e, consequentemente do país. “Quando me candidatei, uma das minhas maiores preocupações era não estragar o legado que me foi deixado, melhorá-lo e levar a profissão muito mais além. E hoje, olhando para trás, não tenho dúvida de que concretizamos isso”, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.
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