Diretores de jornais e revistas unidos em “seríssimo alerta” por “asfixia” à distribuição

Lusa e + M,

"Deixar de ter jornais e revistas em zonas significativas do território nacional cortará o acesso de parte relevante da população às notícias profissionalmente validadas pelas nossas redações", dizem.

Diretores de imprensa escrita de informação geral e temática lançaram esta sexta-feira um “seríssimo alerta” devido à degradação da indústria da impressão e asfixia das cadeias de distribuição e pela defesa da imprensa.

Este alerta surge uma semana depois de a administração da Vasp – Distribuição e Logística ter informado que está a avaliar a necessidade de fazer ajustamentos na distribuição diária de jornais nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança e de o +M ter avançado que o Governo está a ponderar deixar cair as medidas de apoio à distribuição de jornais, previstas no plano de apoio aos media, apresentado em outubro do ano passado. Uma das medidas era o apoio à distribuição de publicações periódicas para zonas de baixa densidade populacional, o que pode não acontecer.

Ao que o ECO/+M apurou, em cima da mesa estará a ideia de que a primeira e principal responsabilidade de pagar a distribuição deve ser cobrada às empresas de comunicação social. Sendo a distribuição comparticipada pelo Estado, a medida implicaria a abertura de um concurso, como chegou a ser anunciado em fevereiro, para cobrir os custos da interioridade/coesão de territórios de baixa densidade.

Ora, estará a ser complexo conceber ou desenhar um modelo que garanta a conjugação de três pilares, agora considerados essenciais: a chamada principal das empresas de comunicação social, a genuína concorrência e a não criação de dependências politicas de dinheiros públicos no setor dos media.

Hoje, num artigo, divulgado em vários jornais, os diretores de todos os títulos de informação generalista diária, de todos os semanários, da única publicação impressa diária na área da economia, das newsmagazines e revistas de informação geral e temática, e de todos os diários lançam o alerta à sociedade civil e a todos os responsáveis políticos, quer ao nível do Estado central, quer nas autarquias locais.

De acordo com os signatários, a crescente degradação da indústria de impressão e a progressiva asfixia das cadeias de distribuição são dois fatores que colocam Portugal em sério risco de, muito em breve, ficar sem acesso à imprensa escrita em vastas áreas do seu território.

Para muitas das nossas publicações, a principal forma de assegurar a regularidade do contacto com o público passa, já hoje, por imprimir em empresas espanholas. Isto com todas as dificuldades e constrangimentos inerentes, além do prejuízo para a economia nacional“, é referido no texto.

No texto, os signatários destacam a crise anunciada pela VASP, afirmando que “deixar de ter jornais e revistas em zonas significativas do território nacional cortará o acesso de parte relevante da população às notícias profissionalmente validadas pelas nossas redações“, é referido no texto.

No entendimento dos signatários, a situação “provocará também, inevitavelmente o desgaste da partilha por todo o país dos grandes fluxos da atualidade, das principais notícias e interesses coletivos, em suma, das maiores preocupações e causas comuns”.

Sublinham igualmente que para muitos portugueses, ler o jornal ou o semanário ou revista é o único contacto com a língua portuguesa escrita.

Alertam também que o fim da imprensa escrita aumentaria ainda o perigo da desinformação e das fake news nas redes sociais.

Por fim, cabe-nos alertar para o perigo que esta quebra representa para a comunicação social, uma atividade económica que emprega milhares de pessoas em Portugal, profissionais qualificados que contribuem para a riqueza nacional coletiva, bem como para a saúde e vitalidade da democracia“, salientam.

De acordo com os signatários, jornalistas, técnicos, fotojornalistas, gráficos, produtores, e tantos outros profissionais terão o seu posto de trabalho em risco, como consequência desta quebra na cadeia de distribuição.

Em defesa do jornalismo, mas sobretudo da democracia e liberdade, não podemos ser cúmplices silenciosos de um risco que pode e deve ser evitado. É tempo de unir esforços e garantir que a imprensa escrita continue a chegar a todos os portugueses, em todo o território, como esteio de uma democracia saudável, informada e vibrante“, afirmam.

O artigo é assinado pelo diretores do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Noticias Ilimitadas, Volta ao Mundo, A Bola, Visão, Expresso, Público, Nascer do Sol, Negócios, Record, O Jogo, Correio da Manhã, Sábado e Sábado Viajante.

Na terça-feira, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) interpelou o Governo a garantir os meios e mecanismos que assegurem a distribuição de imprensa em todo o território nacional, depois de a VASP ter admitido a interrupção em oito distritos.

Em comunicado, a ANMP considera que tal “colocará em causa o acesso à informação, uma vez que haverá zonas do país que ficarão excluídas das rotas de distribuição da imprensa, que até agora é assegurada em todo o território”.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Diretores de jornais e revistas unidos em “seríssimo alerta” por “asfixia” à distribuição

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião