Investimentos de 5,8 mil milhões de euros na Defesa serão decididos “em segredo”
Advogados antecipam que não haverá concursos públicos nos procedimentos de aquisição de componentes militares, nos investimentos realizados no âmbito do programa europeu ‘SAFE’.
O investimento de 5,8 mil milhões de euros do Governo no setor da Defesa será feito sem recorrer a concursos públicos ou a processos de escolha transparentes, revela o Expresso. O Ministério da Defesa já enviou à Comissão Europeia as propostas para aceder ao empréstimo nesse valor, financiado pelo Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) — um valor que representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que o negócio será feito Estado a Estado e a decisão foi tomada pelo ministro Nuno Melo com base no parecer de um grupo de trabalho. Até agora, os procedimentos foram secretos.
A expectativa, segundo Vasco Xavier Mesquita, advogado da Morais Leitão, é “não haver concursos públicos”. O jurista descreve o processo como “secreto e classificado”, sugerindo que “devia haver uma norma ou indicação da Comissão Europeia sobre como vai validar estes financiamentos“. Outros dois advogados, Francisca Mendes da Costa e Daniel Castro Neves, da Sérvulo & Associados, também antecipam que “não careça da tramitação de concursos públicos”, embora nem por isso os Estados-membros fiquem “dispensados das exigências de concorrência, imparcialidade e transparência que fluem da Constituição e do Tratado de Lisboa”.
Para Marcos Perestrello, deputado do PS, a dimensão destes contratos “é incompatível com a tomada das decisões em segredo”. Por isso, a bancada parlamentar socialista vai propor a criação de uma subcomissão na Comissão de Defesa para o acompanhamento dos investimentos no setor, focada no desenvolvimento dos investimentos a realizar, de modo a envolver academia, centros de investigação e indústria, em complemento com as necessidades das Forças Armadas. Além disso, apresentará um projeto de lei para “reforçar as competências da Assembleia da República em matérias de Defesa Nacional”.
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