Miranda Sarmento não se compromete com salário mínimo nos 1.600 euros

O ministro das Finanças disse que a meta é a que está "no programa do Governo", isto é, de 1.100 euros até ao final da legislatura, contrariando as palavras de Luís Montenegro.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, não se compromete com uma subida do salário mínimo para os 1.600 euros, como defendeu o primeiro-ministro, Luís Montenegro. “A meta é a que está no programa eleitoral e no programa do Governo”, afirmou esta sexta-feira, a partir de Bruxelas, à saída da reunião do Ecofin. Ou seja, o objetivo é atingir os 1.100 euros até ao final da legislatura, isto é, até 2029.

“Mas que não haja menor dúvida que é o aumento da produtividade que leva a aumentos salariais na economia privada e no setor público, porque o setor público vive da receita de impostos e das contribuições para a Segurança Social que dependem do dinamismo económico”, defendeu.

Assim, só é possível “subir os salários no curto, médio e longo prazo se houver um forte aumento da produtividade”, salientou. “Se isso acontecer, os salários podem subir mais do que está previsto”, reforçou. Questionado para quando seria possível subir o salário mínimo para os 1.600 euros, Miranda Sarmento disse apenas que “seria especular”.

“Temos é de ter ambição, reformar o país, aumentar a produtividade”, insistiu. Para Miranda Sarmento, se o Governo conseguiu implementar “reformas estruturais”, uma “agenda transformadora”, o país pode crescer muito mais e com isso os salários subirem mais”.

“Ainda assim”, notou que “os salários estão a subir 7% em termos homólogos, o emprego está a crescer à volta de 3%, portanto a economia portuguesa está num bom dinamismo do mercado do emprego, dos salários e do crescimento económico”.

E “é nesses momento que se fazem as reformas e as mudanças”, numa alusão ao anteprojeto de reforma laboral que motivou a greve geral desta quinta-feira, convocada por CGTP e UGT. Sem querer entrar em guerra de números da adesão, o ministro das Finanças frisou apenas que “a maioria da Administração Pública esteve a trabalhar e a esmagadora maioria do setor privado esteve a trabalhar”.

“Houve pequenas situações de alguns serviços públicos em que se sentiu algum efeito da greve, mas, no geral, o país trabalhou. Basta ver que o consumo de eletricidade esteve mais ou menos ao nível do que é habitual num dia útil da semana, os levantamentos dos ATM estiveram em linha do que é habitual, o país seguiu com a sua vida”, afirmou.

Apesar da greve, o Governo mantém a negociação em concertação social, referiu o ministro que ainda tem “confiança de que será possível chegar a um acordo”.

Na próxima terça-feira, a ministra do Trabalho reúne-se com a UGT, tendo em vista continuar as negociações sobre o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, adiantou o ministério à agência Lusa.

“Apesar da realização da greve geral que interrompeu o processo negocial que estava em curso, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social convocou hoje, um dia a seguir à greve geral, a UGT para uma reunião na próxima terça-feira, às 17h, para prosseguir as negociações”, revela a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, citada na nota do ministério enviada à Lusa.

(Notícia atualizada às 14h04)

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