Murtra defende que iniciar a consolidação na Europa permitirá um investimento maciço em soberania digital

  • Servimedia
  • 12 Dezembro 2025

Numa entrevista ao jornal francês «Les Echos» defendeu o processo de consolidação na Europa para poder competir com os gigantes dos Estados Unidos e da China.

Na entrevista, Murtra explica que, nos últimos 25 anos, a Europa priorizou no setor das telecomunicações «a concorrência e os preços», enquanto os EUA e a China «priorizaram a tecnologia». Neste contexto, considera que «devemos perguntar-nos qual é a nossa prioridade». «Dada a situação perigosa em que nos encontramos do ponto de vista tecnológico, devemos avançar para o desenvolvimento de produtos digitais europeus», defendeu.

Nesse sentido, o executivo lembra que por trás de cada um dos produtos digitais que transformaram a nossa vida quotidiana estão gigantes norte-americanos que detêm oligopólios em mercados muito amplos.

«Toda a diferença económica entre a Europa e os Estados Unidos é atribuível a esses gigantes digitais, cuja metade das receitas provém do continente europeu. Se queremos ter uma verdadeira autonomia estratégica, devemos ser capazes de ter grandes grupos europeus”, explica. Neste sentido, ele garante que as empresas de telecomunicações “são as mais capazes de enfrentar este desafio”.

TRÊS OPERADORAS POR PAÍS

Na entrevista ao jornal francês, Murtra lembra que a Europa conta com 38 operadores, enquanto na China, Japão ou EUA apenas três empresas cobrem todo o mercado. Assim, explica que três é o número ideal de operadores por país, pois «se houver apenas dois, há pouca concorrência e não é eficiente» e quatro «simplesmente não é economicamente viável».

Assim, argumenta que atingir esse número permitiria «investir maciçamente na nossa soberania tecnológica» e lembra que há países como a Índia ou o Brasil em que a consolidação «não provocou aumentos de preços».

Uma vez conseguido isso, Murtra explica que, numa segunda fase, poderia iniciar-se «uma verdadeira consolidação a nível europeu». «Não é tão complicado do ponto de vista técnico. Acima de tudo, permitir-nos-á investir massivamente na nossa soberania tecnológica», indica.

EUROPA E BRASIL

No que diz respeito às vendas de ativos na América Latina realizadas desde a sua chegada à presidência, Marc Murtra assinalou que a Telefónica decidiu retirar-se dos países de língua espanhola da região porque não podiam ser rentáveis nesses mercados, uma vez que havia «concorrentes extremamente agressivos em termos de preços».

Em contrapartida, a empresa apostou no Brasil, um mercado com uma economia «quase equivalente» à de toda a América Hispânica e com apenas três grandes operadores de telecomunicações.

O presidente da Telefónica explica na entrevista que a empresa está voltando a se concentrar na Europa, e particularmente na Espanha, onde «um ajuste na força de trabalho nos permitirá ser mais eficientes e ter margem de manobra para aproveitar oportunidades futuras, especialmente no Brasil, Reino Unido, Alemanha e Espanha», conclui.

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