Produção de vinho tomba 20%. Preço dos ovos dispara 24,4%

  • Lusa e ECO
  • 12 Dezembro 2025

A produção de vinho terá caído 20% este ano para o volume mais baixo da última década, confirmando os receios dos produtores. Preço do azeite deverá recuar 5%, estima ainda o INE.

A produção de vinho terá caído 20% este ano para o volume mais baixo da última década, apesar da boa qualidade, e o preço do azeite deverá recuar 5%. Estas estimativas foram divulgadas nesta sexta-feira pelo INE e espelham as dificuldades vividas em dois dos produtos mais icónicos do setor primário nacional. No caso do azeite, apesar de uma quebra do preço, o que poderia indiciar reforço da produção, a quantidade da matéria-prima ficou abaixo do ano civil anterior.

De acordo com a primeira estimativa das “Contas Económicas da Agricultura – 2025” do Instituto Nacional de Estatística (INE), apesar de a produção de vinho ser este ano “a mais baixa da última década, espera-se a obtenção de vinhos de qualidade, com níveis de açúcar equilibrados e boa concentração aromática”.

Na base da quebra da produção vitícola este ano estiveram “as chuvas intensas e as temperaturas amenas na primavera [que] favoreceram o desenvolvimento do míldio, reduzindo o número e o peso das uvas”, assim como “o calor extremo no verão [que] causou queimaduras e desidratação dos frutos”.

Na agricultura e pecuária, a nota mais relevante das previsões do INE, no que toca ao bolso dos consumidores, vai para a prateleira dos ovos. Embora a produção deva aumentar em volume (+7,1%), o preço até 31 de dezembro vai acelerar 24,4%, face ao verificado no ano passado, traduzindo a forte procura e escassez de oferta a nível mundial, devido à persistência de casos de gripe aviária em vários países, particularmente em Espanha.

No que se refere à produção de azeite, o INE perspetiva que no ano civil de 2024 (que abrange parte das campanhas 2024/2025 e 2025/2026) caia 9,7% em volume, devido à diminuição de cerca de 20% da produção de azeitona na campanha em curso (2025/2026), embora se esperem azeitonas e azeite “de boa qualidade”.

No entanto, apesar desta retração na produção, a recuperação da oferta mundial permite antever um recuo do preço do azeite na ordem dos 5%.

No geral, as estimativas do INE apontam para um acréscimo de 2,2% de na produção de frutos, impulsionado pela maior produção de cereja (+5,0%), kiwi (+10,0%) e morango e frutos de pequena baga (+17,2%).

Em termos de preço, estima-se um aumento para o total de frutos (+3,1%) e para a generalidade das espécies, com exceção da maçã, pera e azeitona.

Já relativamente à produção de cereais, deverá diminuir 9,1% em volume devido às condições meteorológicas adversas, destacando-se o “acentuado decréscimo” do trigo (-25,5%), da cevada (-21,6%) e da aveia (-29,3%) enquanto as produções de milho e de arroz apresentam ambas uma redução de 5,0%.

De acordo com o INE, a diminuição em volume da produção cerealífera foi agravada pelo decréscimo dos preços de base (-12,4%).

Para os vegetais e produtos hortícolas prevê-se uma quebra em volume de 2,2%, refletindo um decréscimo dos hortícolas frescos (-4,4%), com o instituto estatístico a destacar a “diminuição acentuada” de 20,0% no tomate para indústria.

Comparativamente a 2024, estima-se que a produção de batata tenha decrescido ligeiramente em volume (-0,7%) devido às condições climáticas adversas, mas os preços “deverão ter diminuído substancialmente (-15,6%), refletindo o aumento da oferta europeia e a menor procura interna”.

Globalmente, a produção vegetal deverá registar em 2025 um decréscimo nominal de -4,4%, em resultado de um acréscimo em volume de 3,7% e de uma redução de 0,8% dos preços de base.

Com exceção dos vegetais e produtos hortícolas e dos frutos, o INE refere que a maioria dos produtos vegetais deverá registar reduções em valor.

Já para a produção animal, o INE antevê um acréscimo em volume de 0,5% e dos preços de base em 5,5%, resultando num acréscimo nominal de 6,0% para o qual contribuem sobretudo os bovinos (+8,6%), os suínos (+1,0%), as aves (+6,7%), o leite (+5,4%) e os ovos (+33,2 %).

Estima-se uma diminuição em volume (-6,2%) na produção dos bovinos, devido à diminuição dos abates de adultos e vitelos, resultante da menor disponibilidade destes animais, refletindo a manutenção da procura espanhola de bovinos para abate em Portugal.

Face à escassez de oferta, o preço dos bovinos “aumentou de forma significativa”, +15,8%, em relação a 2024.

Já os suínos deverão registar um acréscimo em volume (+6,0%), devido a um aumento no abate de porcos de engorda e reprodutores, enquanto os preços apresentam uma diminuição (-4,7%).

Por sua vez, para os ovinos e caprinos é expectável um decréscimo do volume (-15,6%), em resultado do menor abate, quer de ovinos (-16,3%), quer de caprinos (-3,8%), nomeadamente devido à manutenção da tendência de redução do efetivo nacional.

Segundo o INE, as mortes e problemas de fertilidade causados pela doença da Língua Azul têm contribuído para uma redução do efetivo nas explorações, diminuindo a disponibilidade de animais para abate e levando à necessidade de preservar futuros reprodutores, sendo a situação “agravada pelo aumento da procura de borregos vivos para exportação para Israel”.

Dada a redução de oferta, os preços de base dos ovinos e caprinos deverão ser superiores aos de 2024 (+8,5%).

Quanto às aves de capoeira, são expectáveis aumentos do volume (+4,9%) e do preço (+1,7%), com destaque para o frango, que “continua a ter forte procura”.

Em contrapartida, estima-se uma diminuição do volume de produção de peru face a 2024 (-9,1%), embora a habitual concentração dos abates no final do ano possa “alterar de forma significativa a atual estimativa”, sendo que também a produção de carne de pato deverá registar uma diminuição do volume (-7,3%), “fortemente influenciada pelo impacto da gripe aviária, que obrigou à retirada de um número significativo de animais das explorações”.

Relativamente à produção de leite, são estimados acréscimos em volume (+0,7%) e do preço base (+4,7%), este último em todos os tipos de leite (vaca, ovelha e cabra), beneficiando de acréscimos no preço pago aos produtores.

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