Tecnológica de Braga vira-se para a saúde e Moçambique após perder operação em Angola

Casa de software com vendas de 7 milhões e 150 trabalhadores entrega operação angolana a concorrente, mas garante reforço no outro negócio em África. CEO admite alienar empresa “mais ano, menos ano".

A tecnológica bracarense F3M – Information Systems decidiu vender o seu braço angolano por causa das “dificuldades e desafios” que enfrentava naquele mercado, relacionadas com questões cambiais ou com pagamentos ao exterior, que “[entendeu] não querer continuar a viver numa fase em que a operação em Moçambique cresce continuamente e a atividade em Portugal vive o melhor ano da história da empresa”.

Em declarações ao ECO, o líder da empresa de software referiu que “a operação da F3M Angola deixou de ser estratégica” e sublinhou que “a melhor forma de garantir a continuidade” daquela atividade, com “toda a equipa e todos os clientes”, foi o negócio fechado com a concorrente inCentea, com sede em Leiria, com quem diz ter “um ótimo relacionamento institucional”.

Quanto à operação moçambicana, Pedro Fraga assegurou que é para manter, pois “continua em crescendo apesar da instabilidade que todos sabemos que Moçambique atravessou”. “Não esteve nem está na mesa qualquer operação do género no que se refere à F3M Moçambique”, acrescentou o empresário minhoto, que fundou este negócio em 1987 com outros três jovens informáticos.

Contabilizando em 2025 um crescimento de 11% do volume de negócios em Moçambique face ao ano anterior, a F3M perspetiva manter esta “linha ascendente” em 2026. Ano em que projeta fazer crescer a equipa local, atualmente com uma dezena de colaboradores, e reforçar o software com inteligência artificial (IA), apontando como “prioridade” a migração dos clientes, sobretudo da área empresarial, para novas ferramentas já com esse suporte.

Composto por três empresas portuguesas – além da casa-mãe F3M, detém a Megalentejo (Ponte de Sor) e a Dot Pro (Avanca) – e pela estrutura em Moçambique, o grupo ainda não tem dados fechados para este ano, mas o CEO atesta que o crescimento será “garantidamente de dois dígitos” em relação a 2024, em que faturou perto de 7 milhões de euros. No total, emprega cerca de 150 pessoas.

Vender a empresa? Sei que esse processo chegará e esse dia pode ser daqui a alguns anos ou até ser em 2026. É algo que não coloco de parte, pois só um filho não se transaciona.

Pedro Fraga

Cofundador e CEO da F3M

Questionado sobre a possibilidade de venda da F3M, Fraga respondeu que está “perfeitamente ciente que um possível exit irá acontecer mais ano, menos ano” e até apontou os motivos: ser o único acionista, já estar na empresa desde a fundação há 38 anos e a empresa ter “uma estratégia de crescimento de negócio recorrente em software vertical markets que se está a revelar um verdadeiro sucesso, tornando a empresa mais apetecível”.

Por isso, o dono da tecnológica bracarense diz ao ECO que sabe que “esse processo de venda chegará e esse dia pode ser daqui a alguns anos ou até ser em 2026”. “É algo que não coloco de parte, pois só um filho não se transaciona”, completa o empresário, numa referência ao título de um post que publicou há poucas semanas na rede social LinkedIn.

Óticas, saúde e têxtil na carteira de negócios

Em Portugal, onde reclama uma posição de liderança no software para os setores das óticas e da economia social, a F3M está a canalizar “alguns dos seus maiores e últimos investimentos” para a área da saúde em que, contabiliza, regista um crescimento de 40% desde o início da pandemia e já migrou cerca de 70% dos clientes para soluções cloud.

Para estes resultados no segmento da saúde, Pedro Fraga realça o “impacto da entrada no mercado do processo clínico e social, a mais recente solução tecnológica para este setor, mas também o crescimento de 80% de utilizadores na plataforma MpDS – Wounds (feridas) e um crescimento de 20% na prescrição eletrónica de medicamentos e exames”.

Pedro Fraga, CEO da F3M

Já na indústria do têxtil e do vestuário, em que assegura que a faturação está a progredir este ano a dois dígitos face ao período homólogo, o cofundador e CEO da F3M, que oferece aos colaboradores duas tardes de sexta-feira por mês, destaca o lançamento de “novas soluções tecnológicas com foco no ‘chão de fábrica’, controlo da qualidade ou digital twin [réplica digital de um produto], que apresentam um potencial promissor no futuro destes mercados”.

Em paralelo, o empresário nortenho salienta a extensão no território nacional, incluindo as regiões autónomas, nos serviços de consultoria provenientes de processos de implementação e acompanhamento de compliance ao Regime Jurídico da Segurança do Ciberespaço (RJSC), ao Regime Geral de Prevenção da Corrupção (RGPC) e ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD).

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