UGT quer negociar nova lei do trabalho “sem traves mestras”

Negociação da nova lei do trabalho vai ser retomada esta terça-feira, tendo o Governo convocado uma reunião com a UGT um dia depois da greve geral.

Um dia depois da greve geral contra a revisão da lei do trabalho, o Ministério do Trabalho chamou a UGT para uma nova reunião, com a central sindical liderada por Mário Mourão a avisar que está disponível para tal, mas é preciso retirar de cima da mesa as traves mestras das quais o Governo tem dito que não quer abdicar.

A UGT sempre disse que estaria disponível para, no dia seguinte à greve, negociar. É com naturalidade que encaramos a reunião”, afirmou, esta sexta-feira, o secretário-geral adjunto, Sérgio Monte, em declarações transmitidas pela RTP.

“A nossa expectativa é aquela que tínhamos antes da greve geral. Até propusemos ao Governo que, para suspender a greve, retirasse de cima da mesa a proposta e começasse tudo de novo. Não sei se será essa a disposição do Governo. Iremos ver. O que é necessário é que se inicie um verdadeiro processo negocial sem traves mestras“, acrescentou o sindicalista.

Sérgio Monte precisou que “não é começar do zero“, mas acabar com a “atitude anti negocial” de fixar traves mestras que não podem cair.

“Partimos para um processo em que não há linhas vermelhas“, assinalou ainda esta sexta-feira Sérgio Monte. Questionado sobre as linhas vermelhas da própria UGT, Sérgio Monte explicou que existem, mas a central não está a anunciar publicamente, neste momento.

Ainda assim, sinalizou que “a UGT é contra o banco de horas individual“, lembrando que foi assinado um acordo em 2019 que sustentou a revisão da lei do trabalho que acabou por eliminar essa figura.

Por outro lado, o secretário-geral adjunto da UGT explicou que, “depois da reunião com o primeiro-ministro”, a central sindical ficou convencida “de que tudo é negociável“, referindo-se à audiência “construtiva” que aconteceu a 26 de novembro.

Já sobre a greve geral, Sérgio Monte atirou que, “apesar do Governo ter torcido os números, esta teve uma grande adesão e mostrou o descontentamento dos trabalhadores em relação a este pacote“.

"Apesar de o Governo ter torcido os números, esta greve geral teve uma grande adesão e mostrou o descontentamento dos trabalhadores em relação a este pacote”

Sérgio Monte

Secretário-geral adjunto da UGT

De notar que, após o anúncio da greve, o Governo ainda entregou à UGT uma revisão de algumas das propostas que estão em cima da mesa, mas deixou intactas as mais críticas, como o alargamento dos contratos a prazo e o fim do travão ao outsourcing após despedimentos.

Aliás, no mesmo dia em que reuniu com a UGT, numa audiência com o primeiro-ministro, a ministra do Trabalho foi à RTP defender essas medidas, mais uma vez, frisando, nomeadamente, que o outsourcing “também é criador de emprego”.

(Notícia atualizada às 15h55)

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