Fusão entre Chubb e AIG deixa mercado otimista, seguradoras negam
A notícia sobre da compra da seguradora nova-iorquina AIG pela suíça Chubb animou as bolsas na última quinta-feira. As empresas negam, mas as cotações subiram e ainda não baixaram.
A notícia do interesse da compra pela Chubb da seguradora norte-americana AIG – American International Group, levantou o ânimo na bolsa de Nova Iorque na última quinta-feira. A cotação da Chubb subiu de 304 para 310 dólares e a da AIG de 77 para 88 dólares. E ainda não desceram.
A história começou quando vários meios especializados reportaram que a Chubb terá feito uma abordagem informal à AIG, abrindo discussões sobre uma eventual aquisição ou fusão. Nenhuma das partes confirmou formalmente qualquer negociação. A AIG reafirmou publicamente que não está à venda, enquanto a Chubb negou ter feito qualquer proposta.
O que valem as seguradoras
A Chubb é um grupo suíço, com metade dos seus negócios de 55 mil milhões de euros registados no ano passado a serem realizados nos Estados Unidos, principalmente em ramos Não Vida. Segundo analistas “apresenta atualmente um balanço sólido e resultados operacionais robustos”. Em 2024, registou um lucro líquido de cerca de 9,27 mil milhões de dólares “beneficiando de forte disciplina de subscrição, rendimento de investimentos consistente e expansão global de prémios”, disse a empresa. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registou um aumento de 29% no lucro operacional, reforçando a perceção desses mesmos especialistas “de que detém capacidade para movimentos estratégicos significativos, incluindo aquisições”.
Já a AIG mostra uma performance mais modesta. A companhia tem melhorado gradualmente, mas ainda enfrenta desafios residuais, como perdas registadas em 2024 devido a eventos como o desinvestimento da Corebridge, que retirou esta companhia, vendida em parte à Nippon Life, do seu perímetro de consolidação. Embora lucrativa, a AIG está aquém da Chubb em margens de subscrição e crescimento, posicionando‑se como um alvo teoricamente interessante para uma consolidação estratégica. Em 2024, emitiu prémios de quase 24 mil milhões de dólares com lucro líquido de 2,7 mil milhões.
As duas em conjunto atingiriam, em valores de 2024, o TOP 10 do ranking das seguradoras mundiais ultrapassando a chinesa Ping An. Do ponto de vista de bolsa, com as subidas recentes, a Chubb tem esta segunda-feira um valor de mercado de cerca de 121 mil milhões de dólares enquanto a AIG vale cerca de 45 mil milhões de dólares.
Sinergias e desafios
Analistas apontam que uma fusão Chubb–AIG poderia criar um dos maiores grupos globais de seguros de propriedade e acidentes, oferecendo eficiências de custo através da consolidação de operações, permite ampliar o portfólio de produtos e a diversificação geográfica e ainda consegue uma gestão de ativos mais robusta, dado o efeito de escala das duas carteiras.
Do ponto de vista dos acionistas de referência, no caso da Chubb — com free float estimado em 89% das ações — ainda nada se sabe. A Vanguard tem cerca de 9,3% do capital, a concorrente Berkshire Hathaway quase 8%, BlackRock, State Street e Fidelity seguem com posições relevantes.
No caso da AIG — com free float de apenas 31% do capital –, volta a ser a Vanguard a maior acionista com 12,7%, seguem-se BlackRock, Global Investors, Wellington Trusts e de novo a State Street.
Os analistas lidos e notícias publicadas em diversos órgãos de comunicação mundiais alertam, em síntese, para os riscos de integração e para possíveis “desajustes de receitas e complexidade regulatória”, tornando a concretização do negócio incerta. A perceção geral é que, apesar do potencial estratégico, o negócio continua improvável, dado o posicionamento firme da AIG e a ausência de oferta formal da Chubb. Por enquanto, é maior a vontade externa do que entusiasmo interno.
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