Adoção de IA pelas empresas portuguesas continua muito abaixo da média europeia

Taxa de utilização de IA pelas empresas portuguesas acelerou em 2025, mas continua muito aquém da média dos 27. Dinamarca é o líder, Roménia é o que está pior, e na Grécia encolhe.

A adoção de inteligência artificial (IA) pelas empresas portuguesas e europeias acelerou este ano, mostraram os dados oficiais. Mas Portugal continua a comparar mal com os restantes países da União Europeia, segundo novos dados divulgados pelo Eurostat.

Contabilizando apenas as empresas com mais de dez trabalhadores, a taxa de adoção de tecnologias de IA em Portugal, segundo reportou o Instituto Nacional de Estatística (INE) em novembro, alcançou 11,54%. Já a média dos 27 atingiu 19,95%, apontou o gabinete oficial de estatísticas da UE — a distância é de 8,41 pontos percentuais.

Três anos depois do lançamento do ChatGPT, o ritmo de adoção de IA na Europa está finalmente a descolar. Enquanto no ano passado a adoção de IA pelas empresas portuguesas cresceu menos de um ponto percentual, este ano o crescimento foi de 2,91 pontos percentuais. Ainda assim, Portugal continuou com um dos ritmos mais lentos da Europa.

Fonte: Eurostat

A compilação dos dados feita pelo Eurostat mostra também uma grande divergência na adoção de IA nas várias geografias. Por exemplo: a Dinamarca tem a maior taxa de adoção, superior a 42%, tendo registado o maior crescimento da UE entre 2024 e 2025, de 14,45 pontos percentuais.

Em contrapartida, a Grécia, que tem uma das mais baixas taxas de adoção de IA, de 8,93%, sofreu uma queda de 0,88 pontos percentuais face a 2024. Há quem esteja bem pior: a Roménia apresenta uma taxa de apenas 5,21%.

Quanto às utilizações mais comuns, a maioria das empresas que usam IA recorreram a esta tecnologia para analisar linguagem escrita, para gerar imagens, vídeos ou áudio, e para gerar texto ou voz.

Fonte: Eurostat

A Comissão Europeia acredita que a IA é crucial para o futuro e competitividade da economia europeia. Foi com base neste indicador que desenvolveu e apresentou este ano a estratégia Apply AI, para acelerar a adoção de IA num conjunto de setores considerados mais críticos, incluindo nas pequenas e médias empresas (PME).

Simultaneamente, em Portugal, o Governo apresentou este mês três iniciativas que vão ao encontro deste tema, incluindo um pacto para acelerar as competências digitais. Mas a mais emblemática é a Agenda Nacional de IA.

Com 32 medidas que ainda não foram integralmente divulgadas, o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, estimou que a execução das medidas contribuirá com 2,7 pontos percentuais para o crescimento da economia nacional.

Gonçalo Matias também tem defendido que Portugal pode ser “líder” na adoção de IA, incluindo pelo setor público.

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