“Ganhos da F1 serão sentidos a prazo e de forma discreta pelos portugueses”
Paulo Reis Mourão, professor de Economia e autor de um livro sobre a economia da F1, regozija-se com regresso do ‘Grande Circo’ a Portugal, mas sublinha que impacto de 140 milhões é previsão otimista.
Os ganhos com o regresso da Fórmula 1 a Portugal serão sentidos “a prazo e de modo discreto pelos portugueses”, sublinha Paulo Reis Mourão, professor de Economia da Universidade do Minho e autor do livro Economia dos Desportos Motorizados – O caso da Fórmula 1, considerando que as estimativas de impacto económico de 140 milhões de euros são “otimistas”.
O Governo anunciou esta terça-feira que Portimão irá receber a F1 em 2027 e 2028, marcando o regresso de Portugal ao calendário do ‘Grande Circo’ 24 anos depois da última presença.
Paulo Reis Mourão considera que se trata de uma boa notícia para a economia, mas o impacto poderá não ser sentido de forma imediata e palpável pela maioria dos portugueses.
“É um pouco como investirmos numa atmosfera mais saudável – os ganhos não acontecem no dia seguinte, mas nos dias da década seguinte”, comparou o especialista em finanças dos desportos motorizados.
“As grandes provas desportivas são ‘marcos’ que geralmente estão associados a economias com capacidade para trazerem ou aguentarem empresas de dimensão multinacional, com empregos qualificados e com salários valorizados. As externalidades destas dimensões, sobretudo as externalidades positivas, são visíveis nos anos subsequentes (e obviamente são mais percebidas para determinados grupos da população)”, explica.
Impacto de 140 milhões? “Otimista”
Paulo Reis Mourão diz que é cedo para fazer as contas aos gastos que Portugal terá de assumir com a realização da prova.
Em setembro, em entrevista ao ECO, admitia que a taxa de acolhimento pudesse ascender a um valor entre os 30 milhões e os 50 milhões de euros, sem contar custos associados de manutenção de infraestruturas, de hospedagem e outras exigências, que agravariam a fatura em mais algumas dezenas de milhões de euros.
No anúncio do regresso da prova a Portugal, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, revelou que os custos serão inferiores a 50 milhões de euros nos dois anos contratualizados com a entidade organizadora da prova, a Liberty Media, e insistiu na ideia de que “não haverá saldo negativo para a economia nacional” com a organização da Fórmula 1. Pelo contrário.
O Governo aponta para um impacto económico superior a 140 milhões de euros, valor que Reis Mourão diz ser uma “perspetiva otimista” que dependerá da concretização de diversas dimensões. “Desde boas condições climatéricas do período envolvente até uma capacidade dos agentes nacionais em conseguirem consubstanciar os ganhos diferidos como as expectativas de investimento alavancado”, observa.
Pole position na saúde e redução da pobreza
Depois, acrescenta Paulo Reis Mourão, “tem de haver a capacidade de termos investidores e grupos de investidores com dimensão para levar a que o impacto fique no país, traduzido em mais investimento privado e público, em mais empregos qualificados, na modernização de várias estruturas e na qualificação de diversos recursos, humanos e físicos”.
Por outro lado, para que investimentos como o da Fórmula 1 façam realmente sentido para o país, o Governo deve pensar além do circuito e da pit lane do Autódromo do Algarve e ambicionar colocar Portugal na ‘pole position’ de outros campeonatos “como o da qualidade dos sistemas de saúde, da redução da pobreza e do desenvolvimento distribuído junto da população”.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
“Ganhos da F1 serão sentidos a prazo e de forma discreta pelos portugueses”
{{ noCommentsLabel }}