Exclusivo Governo vê investimento na gigafábrica de IA duplicar para oito mil milhões
Se Portugal vencer o concurso, o consórcio português poderá vir a investir o dobro dos quatro mil milhões de euros previstos inicialmente na gigafábrica de Sines, revelou o ministro Gonçalo Matias.

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado já admite o dobro do investimento inicialmente previsto na gigafábrica de inteligência artificial (IA) de Sines. Segundo Gonçalo Matias, o consórcio tem vindo a crescer significativamente, pelo que o investimento na gigafábrica, caso a candidatura portuguesa venha a ser selecionada, poderá ser “bastante superior” aos quatro mil milhões iniciais.
O ministro que tutela a IA em Portugal falava ao ECO à margem da 4.ª Talk .IA, depois de, intervindo na conferência, se ter referido à gigafábrica como um investimento de “cerca de oito mil milhões de euros” — o dobro dos quatro mil milhões inscritos na proposta inicial.
Questionado depois sobre este número, Gonçalo Matias explicou a maior ambição do consórcio da gigafábrica: “Acredito que o investimento será bastante superior aos quatro mil milhões de euros inicialmente previstos. Estou muito confiante na candidatura, tenho mantido contactos com a Comissão Europeia sobre este processo e estou convicto de que a candidatura será um sucesso”, afirmou ao ECO o ministro da Reforma do Estado.
Para justificar esta expectativa reforçada, Gonçalo Matias apontou que o aumento do número de parceiros do consórcio “é o que permite acreditar que o valor poderá ser superior ao inicialmente previsto”, sublinhando que a maioria das grandes empresas portuguesas já apoia a iniciativa nacional de atrair este mega data center para Sines. Ademais, o ministro reconheceu também que “a Nvidia está dentro do consórcio”, confirmando assim uma notícia avançada pelo ECO em setembro.
A candidatura que prevê erguer a gigafábrica em Sines está a ser construída pelo Banco de Fomento e será financiada em parte pela Comissão Europeia, com o país a competir com outros Estados‑membros para tentar captar uma das cinco gigafábricas de IA que Bruxelas pretende cofinanciar, em regime de Parceria Público‑Privada (PPP). As cinco gigafábricas de IA que a Comissão Europeia pretende tornar realidade nos próximos anos poderão representar um investimento total em torno dos 20 mil milhões de euros, estimou a instituição.
Neste momento, aguarda-se o lançamento pelo EuroHPC do processo formal de candidaturas às gigafábricas, depois de um período de diálogo com a Comissão que se sucedeu à apresentação de propostas preliminares. Estava previsto que o processo arrancasse ainda este ano, no quarto trimestre, mas deverá derrapar para o início de 2026.
[Em Portugal] temos alguma tentação para desvalorizar estas coisas. Na Alemanha, que é a maior economia da Europa, investimentos semelhantes são considerados grandes.
“Há nichos importantes em que nós podemos liderar”
Gonçalo Matias defendeu também, na 4ª. Talk.IA, que Portugal tem condições para liderar na economia digital. “É evidente que não vamos substituir a China nem os Estados Unidos, isso não é realista. Mas há nichos importantes em que nós podemos liderar”, afirmou, destacando a procura crescente por data centers e gigafábricas de IA no país.
Segundo o ministro, investimentos de grande dimensão, como o anunciado em Sines pela Microsoft, de cerca de 10 mil milhões de euros, e a candidatura europeia à instalação de uma gigafábrica de IA, mostram o potencial do país neste setor.
O governante criticou, porém, a tendência do país em subestimar este tipo de projetos: “Temos alguma tentação para desvalorizar estas coisas. Na Alemanha, que é a maior economia da Europa, investimentos semelhantes são considerados grandes, e ainda assim são inferiores aos que temos em Portugal”, explicou.
Gonçalo Matias sublinhou ainda que, embora anunciados, estes investimentos ainda não se concretizaram, reforçando que é necessário o Governo criar as condições adequadas para que se tornem realidade, por via das reformas em curso.
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