Perspetivas dos empresários para 2026 superam balanço “ligeiramente positivo” de 2025

  • Lusa
  • 16 Dezembro 2025

Ainda assim, o inquérito divulgado pela AEP mostra que cerca de 17% das empresas apontaram uma diminuição da atividade este ano.

As empresas fazem um balanço “ligeiramente positivo” da atividade nos mercados nacional e internacional este ano e têm melhores perspetivas para 2026, continuando a destacar a burocracia como o principal entrave, segundo um inquérito divulgado esta terça-feira pela AEP.

Promovido no início deste mês junto de 780 empresas associadas da Associação Empresarial de Portugal (AEP), de todo o país e de vários setores de atividade, o “Inquérito Flash: Perspetivas de evolução da atividade empresarial” apurou que 2025 registou uma “evolução ligeiramente positiva ao nível do mercado internacional”, com mais de 60% das empresas a reportarem uma manutenção do nível de atividade e cerca de 26% a registarem um aumento de atividade.

Ainda assim, cerca de 17% das empresas apontaram uma diminuição da sua atividade (13% ligeira e 4,3% muito significativa).

Para 2026 as perspetivas melhoram, diminuindo para menos de 9% as empresas que esperam uma diminuição da atividade, contra mais de 40% a esperar registar um aumento, havendo pouco menos de 50% a esperar manter os níveis face a 2025.

Quanto ao mercado nacional, a evolução da atividade em 2025 foi também “ligeiramente positiva”, com quase 40% das empresas a registar uma manutenção da atividade e um nível idêntico a indicar um aumento.

Luís Miguel Ribeiro, presidente do conselho de administração da AEPHenrique Casinhas/ECO

“De sublinhar, contudo, mais de um quinto das empresas reportaram uma diminuição da atividade (cerca de 9% ligeira e 13% muito significativa) “, nota a AEP.

Para 2026 as perspetivas são mais positivas, com cerca de 57% das empresas a esperarem manter os níveis de atividade e quase 40% a prever um aumento, contra menos de 5% a perspetivar uma diminuição ligeira.

Segundo a associação, os resultados apontam ainda “de forma muito clara para os habituais constrangimentos que afetam as empresas, com destaque para a excessiva burocracia e a elevada fiscalidade, a morosidade da justiça, os problemas nos licenciamentos ou as dificuldades na contratação”.

A burocracia é, de longe, o entrave mais importante, com mais de 80% das empresas a considerarem que condiciona significativamente ou muito significativamente a atividade.

Seguem-se as medidas protecionistas e a fiscalidade, com uma em cada três empresas a apontar as medidas protecionais como afetando muito significativamente a sua atividade e a fiscalidade a impactar significativamente ou muito significativamente mais de 80% das empresas.

Os restantes fatores apresentados — seguros de crédito, tensões geopolíticas e financiamento –– foram considerados como afetando significativamente ou muito significativamente cerca de 40% a 57% das empresas.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho de Administração da AEP afirma que “os persistentes custos de contexto confirmam que a atividade empresarial continua excessivamente condicionada por fatores que nada têm a ver com a capacidade intrínseca das empresas, em termos de produtividade ou competitividade”.

Os persistentes custos de contexto confirmam que a atividade empresarial continua excessivamente condicionada por fatores que nada têm a ver com a capacidade intrínseca das empresas, em termos de produtividade ou competitividade.

Luís Miguel Ribeiro

Presidente do conselho de administração da AEP

“E não me refiro aos obstáculos criados pelo enquadramento internacional adverso, como instabilidade geopolítica ou protecionismo comercial. Refiro-me aos colocados ‘dentro de portas’, cuja resolução depende exclusivamente dos sucessivos decisores das políticas públicas nacionais”, enfatiza Luís Miguel Ribeiro.

Para o dirigente associativo, “é urgente corrigir estes fatores estruturais que comprometam o dinamismo empresarial, com uma agenda focada na simplificação administrativa, na eliminação de burocracias e numa legislação laboral e quadro fiscal atrativos e competitivos, com uma reforma efetiva dos serviços públicos, em particular daqueles que incidem sobre a atividade económica”.

Relativamente às prioridades ao nível do comércio internacional, as empresas destacaram a celeridade nos fundos europeus (com redução dos prazos de pagamento dos subsídios e incentivos atribuídos) e o apoio às empresas exportadoras com elevada exposição ao mercado dos EUA.

Apontaram ainda o financiamento, “nomeadamente para fundo de maneio para que se possa investir no imediato para encontrar mercados alternativos”, bem como instrumentos financeiros que permitam reduzir risco e acelerar a expansão para novos mercados.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Perspetivas dos empresários para 2026 superam balanço “ligeiramente positivo” de 2025

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião