Portugal tem as casas mais sobrevalorizadas da UE, calcula a Comissão Europeia
Segundo cálculos da Comissão Europeia, os preços da habitação em Portugal estão sobrevalorizadas em 25% e o rácio preços-rendimentos das famílias está mais de 20% acima dos níveis de há uma década.
- Portugal é o país da União Europeia com a maior sobrevalorização dos preços da habitação, atingindo 25% no segundo trimestre de 2025.
- A sobrevalorização em Portugal é superior à de mercados como a Suécia e a Áustria, que apresentam valores em torno de 15%.
- Na última década terminada em 2024, os preços das casas em Portugal registaram um crescimento real de 50%.
Portugal lidera os países da União Europeia com os preços da habitação mais sobrevalorizados, segundo dados da Comissão Europeia para o segundo trimestre de 2025, publicado esta terça-feira. Segundo cálculos dos técnicos da Comissão Europeia, a sobrevalorização média das casas em Portugal atinge os 25%, colocando o país à frente de mercados historicamente pressionados como a Suécia, a Áustria e a Letónia.
Para calcular se os preços da habitação estão acima ou abaixo do que seria justificado pelos fundamentos económicos, a Comissão Europeia utiliza uma metodologia que combina três indicadores distintos:
- Um modelo econométrico que relaciona os preços das casas com variáveis fundamentais como o rendimento das famílias, as taxas de juro e a disponibilidade de habitação.
- O rácio preço-rendimento, que mostra quantos anos de rendimento seriam necessários para comprar uma casa.
- O rácio preço-renda, que compara o preço de compra de um imóvel com o valor das rendas anuais que esse mesmo imóvel poderia gerar.
A média destes três indicadores permite à Comissão Europeia estimar a diferença percentual entre os preços observados no mercado e os preços que seriam justificados pelos fundamentos económicos de cada país. No caso português, essa diferença atinge os 25% no segundo trimestre de 2025.

Na segunda e terceira posição no ranking dos países com os preços mais pressionados surgem a Grécia e a Suécia, com valores na ordem dos 15%, seguidos pelos Países Baixos, Áustria, Chéquia e Letónia, todos com sobrevalorização estimada entre 10% e 20%. “Os preços das casas declinaram mais fortemente em países onde estavam mais sobrevalorizados, como o Luxemburgo ou a Suécia”, refere o documento, destacando que nesses mercados houve correções em 2024.
Em contraste, Portugal e os Países Baixos registaram um agravamento da sobrevalorização durante 2024, segundo os dados mais recentes. A tendência prevista para 2025 aponta para que “a sobrevalorização aumente em vários Estados-membros”, mantendo a pressão sobre o mercado habitacional português.
A escalada dos preços em Portugal tem sido particularmente acentuada. Entre 2014 e 2024, o país registou um crescimento nominal dos preços da habitação superior a 200%, colocando-se entre os países com aumentos mais pronunciados da União Europeia, ao lado da Hungria, Lituânia, República Checa, Estónia, Bulgária e Polónia, referem os números da Comissão Europeia.
Ajustando à inflação, os preços reais da habitação cresceram mais de 50% na última década, “um valor muito superior à média europeia de 25%”. É importante contextualizar que em 2014 o mercado nacional estava ainda a recuperar da crise financeira de 2008 e da intervenção da troika, o que torna o ponto de partida num mínimo da década.
O crescimento dos preços começou a superar o crescimento dos rendimentos das famílias em 2016, e “a diferença entre os dois aumentou acentuadamente durante a pandemia, com alguma correção registada nos últimos anos”. Segundo os dados da Comissão Europeia, Portugal surge entre os países onde o rácio preço-rendimento está mais de 20% acima dos níveis de há uma década, juntamente com os Países Baixos, Hungria, Luxemburgo, Irlanda, República Checa e Áustria.
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