Bancos portugueses entre os mais rentáveis e sólidos da Zona Euro

Se a banca europeia desacelera, os bancos nacionais somam e seguem com um rácio de fundos (CET1) em máximos históricos, níveis de malparado em mínimos e uma rentabilidade dos capitais próprios de 16%.

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  • Os bancos portugueses destacam-se pela elevada rentabilidade e solidez de capital, com um rácio CET1 de 17,89% e um ROE de 16% no terceiro trimestre.
  • Portugal é o sétimo país da Zona Euro em termos de rácio CET1 e o segundo país com o maior ROE.
  • Apesar da margem financeira esta a ser pressionada, os bancos portugueses figuram entre as instituições com maiores margens.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Num contexto em que a banca europeia estabiliza ligeiramente a rentabilidade e mantém sob controlo o malparado, os bancos portugueses continuam a destacar‑se pela combinação de elevada rendibilidade e forte solidez de capital.

Os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE) sobre o setor mostram que as três principais instituições nacionais apresentam um rácio de CET1 de 17,89% e um ROE de 16% no terceiro trimestre do ano, colocando Portugal no grupo da frente da Zona Euro.

O rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) mede a “almofada” de capital de melhor qualidade que os bancos têm para absorver perdas e a rentabilidade sobre os capitais próprios (ROE) indica quanto lucro é gerado por cada euro de capital próprio. Assim, um CET1 elevado significa bancos mais sólidos e um ROE elevado significa bancos mais lucrativos.

A banca europeia continua, em geral, bem capitalizada, com malparado em mínimos históricos e um “colchão” confortável de ativos líquidos para enfrentar choques de curto prazo.

No agregado dos 111 bancos da área do euro analisados pela autoridade monetária em função do seu caráter de importância na economia europeia, o BCE reporta um rácio CET1 de 16,1% no terceiro trimestre, ligeiramente abaixo dos 16,12% do trimestre anterior, mas acima dos 15,73% registados um ano antes. Ao mesmo tempo, a rendibilidade anualizada dos capitais próprios (ROE) recuou para 9,88%, face a 10,11% no segundo trimestre e 10,09% no período homólogo.

A nível europeu, o BCE sublinha também que “o rácio de crédito malparado (excluindo saldos de caixa) situou‑se em 2,22% no terceiro trimestre de 2025, inalterado face ao trimestre anterior e abaixo dos 2,31% registados um ano antes”, e que o rácio de cobertura de liquidez (LCR) desceu ligeiramente para 156,73%, face a 157,88% no trimestre anterior e 158,50% um ano antes.

Estes números mostram que a banca europeia continua, em geral, bem capitalizada, com malparado em mínimos históricos e um “colchão” confortável de ativos líquidos para enfrentar choques de curto prazo.

Banca portuguesa entre as mais lucrativas da Europa

Em Portugal, as três instituições de importância significativa analisadas e supervisionadas diretamente pelo BCE (Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novobanco) registaram no terceiro trimestre um CET1 de 17,89%, uma descida de 0,18 pontos percentuais face aos 18,07% do segundo trimestre (quando atingiu o valor mais elevado de sempre) e um aumento de 1,74 pontos percentuais face do CET1 registado há um ano.

Este valor coloca Portugal como o sétimo país da Zona Euro com o rácio CET1 mais elevado, numa distribuição em que os valores oscilam entre 13,28% em Espanha e 23,12% na Lituânia.

Isto significa que os bancos portugueses continuam com uma folga de capital claramente acima da média europeia, mesmo, após remunerarem acionistas, financiarem crescimento e absorverem eventuais perdas. É essa folga que permite ao setor, por exemplo, manter políticas de dividendos generosas sem pôr em causa a estabilidade financeira.

Se no capital Portugal está no pelotão da frente, na rentabilidade da operação a posição é ainda mais destacada. Os dados do BCE indicam que, no terceiro trimestre de 2025, Caixa, BCP e Novobanco apresentaram um ROE médio de 16%, muito acima da média da Zona Euro (9,88%) e apenas atrás da Lituânia, cujos bancos atingem 16,66% de rendibilidade.

Os dados do BCE mostram também uma rentabilidade sobre os ativos dos três principais bancos nacionais de 1,5% no terceiro trimestre, um rácio apenas superado pelos bancos da Letónia (1,65%) e da Eslovénia (1,76%).

Além disso, os dados do BCE mostram também um balanço dos bancos nacionais cada vez mais equilibrado, espelhado por um rácio de transformação de depósitos em crédito de 64,4%, cerca de metade do rácio registado em 2014, colocando inclusive os bancos portugueses no top 3 dos mais baixos da Zona Euro.

Malparado em mínimos e liquidez confortável

Do lado da qualidade de ativos, o BCE destaca que, na área do euro, o rácio de crédito malparado (NPL) excluindo saldos de caixa permanece nos 2,22%, tendo recuado de 2,31% há um ano. Setorialmente, o malparado das famílias desceu para 2,16% e o das empresas não financeiras estabilizou em 3,51%, com ligeiras melhorias face a 2024.

Portugal beneficia da mesma tendência: anos de desalavancagem, venda de carteiras de NPL e maior disciplina na concessão de crédito deixaram os balanços muito mais limpos do que na última crise financeira. Isto significa que uma parte cada vez menor da carteira de crédito está em incumprimento, o que reduz necessidades de imparidades e sustenta os resultados.

Em paralelo, a banca europeia continua com um robusto rácio de cobertura de liquidez (LCR). No agregado, o LCR de 156,73% significa que os bancos detêm ativos líquidos suficientes para fazer face a quase o dobro das saídas de liquidez estimadas num cenário de stress de 30 dias.

Em Portugal, a banca continua a operar com uma combinação de custos controlados, malparado em níveis historicamente baixos e níveis razoáveis de margem de juros.

Em Portugal, o LCR dos três bancos em análise situa‑se claramente acima dos 100% exigidos. O BCE refere que Caixa, BCP e Novobanco apresentam, em conjunto, uma almofada de liquidez superior a 80 mil milhões de euros e saídas líquidas de cerca de 29 mil milhões dentro do horizonte de stress. Ou seja, há colchão de sobra para enfrentar turbulência de curto prazo.

Num contexto de descida das taxas de juro, a margem financeira começa a apertar. O BCE refere que as três instituições nacionais apresentavam uma margem financeira líquida de 2,69% no terceiro trimestre. À sua frente só as maiores instituições da Eslovénia (3,18%), Letónia (2,86%), Grécia (2,8%) e Estónia (2,74%).

Apesar dessa fonte de pressão, os números do BCE mostram que, em Portugal, a banca continua a operar com uma combinação de custos controlados, malparado em níveis historicamente baixos e níveis razoáveis de margem de juros, fatores que sustentam ROE de dois dígitos.

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