Desinformação gerada por IA registou novo recorde em novembro
Este aumento está sobretudo relacionado com desinformação sobre a guerra na Ucrânia, explica o Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO).
O conteúdo desinformativo gerado por Inteligência Artificial (IA) registou um recorde em novembro ao representar 14% do total de desinformação intercetada pelo Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO).
De acordo com o relatório mensal divulgado hoje pelo EDMO, este aumento está sobretudo relacionado com desinformação sobre a guerra na Ucrânia. Dos 1.486 artigos de verificação de factos, 205 focaram-se no uso desta tecnologia na produção de desinformação, representando 14% do total.
“A proporção de notícias falsas que utilizam conteúdo gerado por IA atingiu um novo recorde“, lê-se no relatório, destacando que a IA está a ser consistentemente usada para criar conteúdo falso relacionado com a guerra na Ucrânia. Em causa estão “vários vídeos de tropas ucranianas supostamente a renderem-se, bem como um vídeo fabricado que mostra o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, a gritar com Zelensky e acusando-o de corrupção“.
“A IA tem sido amplamente utilizada também para criar realidades paralelas onde a mensagem política das forças de extrema-direita é mais convincente”, acrescenta a organização.
As 32 entidades que integram a rede de verificação de factos do EDMO identificaram em novembro um total de 1.486 artigos, dos quais 148 (10%) centram-se em desinformação relacionada com a Ucrânia e 130 (9%) com a imigração.
Além destes, 87 (6%) artigos refletiam desinformação sobre a União Europeia (EU), 69 (5%) desinformação relacionada com as alterações climáticas, 49 (3%) referiam conteúdo desinformativo sobre a covid-19, 27 (2%) centravam-se em desinformação sobre questões LGBT e de género e 13 (1%) relacionavam-se com a crise de Gaza.
Em novembro, a desinformação sobre a guerra na Ucrânia aumentou quatro pontos percentuais, enquanto a desinformação sobre imigrantes subiu um ponto percentual pelo quarto mês consecutivo. A menor atenção dada à crise em Gaza fez com que a desinformação sobre o assunto caísse seis pontos percentuais no mês anterior, enquanto o volume de desinformação sobre os outros temas monitorizados permaneceram estáveis.
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