Fórmula 1. O valor de investir numa competição em crescimento

Rafael Correia,

A Fórmula 1 é uma modalidade em crescimento mundial, derivado do interesse da geração Z. Mas qual o preço e os benefício de garantir a presença em Portugal? Os números dão algumas pistas.

Com a Fórmula 1 (F1) de regresso a Portugal em 2027 e 2028, o Governo antecipa um impacto económico “não inferior” a 140 milhões. Mas como é que Portugal, ou qualquer outro país, garante a sua inclusão no calendário de corridas? Qual a exposição mediática que este desporto gera? A resposta começa na norte-americana Liberty Media Corporation.

A Liberty Media Corporation é a empresa que controla os direitos comerciais do desporto e negoceia os acordos com os países, através do Formula 1 Group. É também a mesma que controla os direitos comerciais do Moto GP. Já a Fédération Internationale de l’Automobile (FIA), o órgão regulador do automobilismo comercial, controla a parte relacionada com as questões técnicas.

A gestão partilhada entre as duas entidades tem como base um Acordo de Concordância — que define os termos de competição e como as receitas são partilhadas, entre outros aspetos –, que também envolve as equipas participantes. O último foi assinado este mês e cobre o período entre 2026 e 2030.

Tendo isto em conta, os países interessados entram em negociações com o Formula 1 Group para receber a competição, pagando determinado valor. Várias das provas (18 das 24 anuais) já estão contratadas até 2030 ou mais. É o caso de países com Brasil, Emirados Árabes Unidos, Austrália, China e Espanha. Portugal garantiu apenas para dois anos. Ainda que não sejam divulgados os valores do investimento por parte do Estado central para captar a modalidade para o país, estes poderão aproximar-se dos 50 milhões de euros.

Analisando os extratos financeiros da Liberty, contidos na 2025 Liberty Investor Meeting, 29,3% das receitas principais da Fórmula 1 (2,757 mil milhões de dólares em 2024) provêm destes acordos, assim como de parcerias com entidades promotoras/países organizadores. Dividindo estes valores, o investimento de cada país é na ordem dos 33 milhões por prova (em 2024).

Mesmo assim, a maior fatia das receitas (32,8%) da F1 vêm da venda dos direitos de transmissão. Em Portugal, estes direitos são da Dazn até 2027. A este nível, importa destacar a parceria de cinco anos com a Apple para o mercado norte-americano, anunciada este ano. Outra parte importante (18,6%) vem dos patrocínios. Em contrapartida, a maioria dos gastos da Liberty na F1 são relativos aos pagamentos às equipas.

A Apple assegurou os direitos de transmissão nos EUA

A exposição a uma audiência jovem e em crescimento

Tendo em conta este cenário, pode parecer que os benefícios económicos são apenas para o grupo que detêm a F1. Mas, o que poderá gerar para o País?

A nível económico, o ministro da Economia prevê um impacto “não inferior a 140 milhões de euros”. Também a nível de participantes, o evento reunirá “200 mil visitantes: 150 mil espetadores, dos quais mais de metade internacionais, e o envolvimento de mais de 50 mil profissionais. Outro grande trunfo é a “promoção da imagem de Portugal junto de quase mil milhões de pessoas”.

Estes números verificam-se? Vamos olhar para os dados. A Fórmula 1 é uma modalidade desportiva em alto crescimento, muito motivado pela presença do desporto no entretenimento mundial, pela geração Z — jovens nascidos entre 1997 e 2012 — e o público feminino. Recorde-se que, neste ano, o filme F1 é, até ao momento, o oitavo filme mais visto nos cinemas, com receitas a rondar os 630 milhões nas bilheteiras dos cinemas.

Como se define então estes fãs? Um inquérito do Formula 1 Group, realizado este ano, revelou que 27% dos fãs são da geração Z, com metade a serem mulheres. De forma geral, a audiência feminina já compõe 42% do auditório de fãs, com 64% a terem começado a seguir a modalidade há 5 ou menos anos. A acrescentar a isto, três em cada quatro novos fãs em 2025 são mulheres.

Também o número de espetadores está a aumentar. De 2017 para 2024, o número total de espetadores nas provas cresceu 71% para cerca de 7 milhões. A nível médio, cada prova conta com cerca de 271 mil espetadores (num crescimento de 48% face a 2017). Este crescente interesse também se verifica nas receitas dos direitos de transmissão (cerca de 9% anualmente entre 2017 e 2024, contra os 5% do mercado global do desporto) e nos patrocínios (13% contra 3%).

Ao nível das audiências televisivas, a Fórmula 1 já acumulou 1,1 mil milhões de telespetadores este ano (até à ronda 17), num crescimento de 4% face a 2024. Em média, são cerca de 70 milhões pela televisão por prova.

Mesmo nas redes sociais, a Fórmula 1 é seguida por 111 milhões de fãs, com um crescimento de 19% em seguidores e de 29% de interações até setembro, face ao ano passado. De notar que 61% dos fãs dizem interagir com os conteúdos da F1 diariamente.

A quase totalidade (94%) dos fãs planeia seguir a F1 nos próximos cinco anos, num calendário que vai contar com Portugal em 2027 e 2028.

A Fórmula 1 tem atraído um público jovem e feminino

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