Madeira e Alentejo enriquecem menos do que a média nacional. Desigualdade no país travou
Depois de uma aceleração vigorosa no pós-pandemia, a Madeira aliviou o acelerador. Ligeira superação do PIB da Península de Setúbal face à média nacional não inverte a posição desfavorecida.
O Alentejo e a Madeira foram as regiões do país com um aumento da riqueza mais fraco no ano passado, quando comparados com o total do país. Apesar do reforço de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB), a Madeira ficou abaixo dos 2,1% verificados na média nacional em 2024, mostram os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em situação menos vantajosa do que aquela região autónoma apenas se encontra o Alentejo, ainda que, também ali, os números do INE mostrem aumento do PIB, neste caso de 1,1%, cerca de metade da média nacional.
Em sentido contrário, Açores, Algarve e Norte cresceram 0,2 pontos percentuais (p.p.) acima da média nacional, com a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Oeste e Vale do Tejo a atingirem 0,1 p.p. a mais do que o todo nacional. No caso da Península de Setúbal, continua a ser insuficiente para descolar da cauda da tabela nos rendimentos per capita.
Estes números mostram uma tendência de equilíbrio entre regiões, contrariamente ao verificado em 2023, quando o país aumentou a riqueza em 3,1%, enquanto a Madeira e o Oeste e Vale do Tejo cresceram acima de 4,5%, os Açores aceleraram 3,5% e o Algarve e Norte cresceram 3,4%. Já a Grande Lisboa ficou apenas 0,1 p.p melhor que a média do país, o que não pode ser dissociado do facto de partir de uma base superior — já é, sem dúvidas, a região mais rica do país.
Também no caso de 2023, o Alentejo tinha acentuado a ideia de país a duas velocidades, com um crescimento residual do PIB, apenas 0,5%, no contexto de enriquecimento nacional de 3,1%. A Península de Setúbal, que em 2024 acelerou mais que o país, tinha tido em 2023 um crescimento que se ficou pela metade da média nacional, 1,5%.
Madeira “sofre” com crescimento pós-pandemia
Apesar de a Região Autónoma da Madeira (RAM) registar a segunda maior travagem no crescimento do PIB em 2024, isso é também explicado por um princípio de base, dado que em 2022 e 2023 foi ali que se registou a expansão mais vigorosa da riqueza. Agregando o período pós-Covid, entre 2022 e 2024, a RAM registou uma taxa de crescimento anual do PIB real de 7,3%. Ficou acima dos 4% registados em Portugal, sendo apenas superada pela taxa de crescimento anualizada de 8,5% do Algarve no mesmo período.
O enriquecimento destas duas regiões verifica-se também no PIB per capita, outro dos vários dados divulgados esta quarta-feira pelo INE, com uma aproximação dos cidadãos do Algarve e Madeira à riqueza média dos cidadãos europeus.
No ano passado, no caso dos algarvios equivalia a 89,2% do PIB per capita europeu e nos madeirenses a 88,3%. Em sentido contrário, os lisboetas continuam cerca de 30% acima da média da UE.
Na cauda da riqueza em Portugal permanecem os cidadãos da Península de Setúbal, que têm cerca de metade (55,4%) da riqueza média dos europeus.
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