BCE volta a congelar taxas de juro pela quarta reunião consecutiva. Taxa de depósitos mantém-se nos 2%

Inflação controlada e próxima dos 2%, e uma economia a crescer acima do esperado justificam a decisão do Banco Central Europeu de manter inalteradas as taxas de juro pela quarta vez seguida.

ECO Fast
  • O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas pela quarta vez consecutiva.
  • BCE revê em alta inflação e crescimento da economia da Zona Euro para 2026. Inflação sobe para 2,1% e PIB cresce 1,2%
  • A abordagem cautelosa do BCE permite-lhe aguardar a evolução dos dados económicos antes de tomar novas decisões sobre a política monetária.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas esta quinta-feira, pela quarta reunião consecutiva, confirmando as expectativas do mercado e fechando o ciclo de cortes que durou até junho.

Desta forma, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito permanece nos 2% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez mantêm-se nos 2,15% e 2,4%, respetivamente.

Christine Lagarde referiu em conferência de imprensa após o anúncio da decisão que o congelamento das taxas de juro foi tomada de forma unânime pelos membros do Conselho do BCE e sem qualquer discussão sobre uma eventual corte ou mesmo uma subida.

Em comunicado, o Conselho de Governadores do BCE sustenta a decisão numa economia resiliente, com inflação a rondar os 2% e crescimento económico superior às previsões do BCE, graças à resistência das exportações face às incertezas comerciais globais e ao vigor da procura interna.

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A instituição liderada por Christine Lagarde reafirmou que “a inflação deverá estabilizar no objetivo de 2% a médio prazo”, suportada pelas mais recentes projeções económicas elaboradas por especialistas do Eurosistema. Segundo o comunicado oficial, “as novas projeções elaboradas por especialistas do Eurosistema indicam que a inflação global se situará, em média, em 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2% em 2028”.

A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis da energia e alimentação, apresenta valores ligeiramente mais elevados. “Relativamente à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares, os especialistas do Eurosistema projetam uma média de 2,4% em 2025, 2,2% em 2026, 1,9% em 2027 e 2,0% em 2028”, refere o BCE.

A principal surpresa das novas projeções surge no crescimento económico da Zona Euro. “O crescimento económico deverá ser mais forte do que o avançado nas projeções de setembro”, refere o BCE em comunicado.

A revisão em alta para 2026 (face à previsão anterior de crescimento de 1%) merece particular atenção. “A inflação foi revista em alta para 2026, sobretudo porque os especialistas do Eurosistema esperam agora uma descida mais lenta da inflação dos preços dos serviços”, explica o comunicado, sugerindo que as pressões inflacionistas no setor dos serviços continuam mais persistentes do que inicialmente previsto.

A principal surpresa das novas projeções surge no crescimento económico da Zona Euro. “O crescimento económico deverá ser mais forte do que o avançado nas projeções de setembro, sendo impulsionado principalmente pela procura interna”, refere o BCE. Os números confirmam o otimismo do BCE.

“O crescimento foi revisto em sentido ascendente para 1,4% em 2025, 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027, devendo permanecer em 1,4% em 2028”. Esta revisão em alta contrasta com as projeções de setembro, que apontavam para apenas 1,2% em 2025, representando uma melhoria de 0,2 pontos percentuais nas perspetivas para o próximo ano.

A resiliência da economia europeia tem sido sustentada pela força da procura interna, que tem compensado as incertezas no comércio global e as tensões geopolíticas. Esta dinâmica tem permitido à economia da Zona Euro superar as expectativas iniciais, num contexto marcado por crescentes desafios externos.

Abordagem “dependente dos dados” mantém-se

Apesar da estabilização das taxas de juro, o BCE reforçou a sua estratégia de prudência e flexibilidade. “O Conselho do BCE está determinado a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo”, sublinha o comunicado oficial.

A instituição responsável pela política monetária da Zona Euro mantém a sua postura cautelosa ao afirmar que “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária”. Esta formulação deixa claro que Frankfurt não se compromete previamente com uma trajetória específica para as taxas de juro, mantendo todas as opções em aberto consoante a evolução dos indicadores económicos.

O comunicado acrescenta ainda que “as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas — à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”.

Esta decisão de manter as taxas inalteradas surge num momento em que a presidente do BCE, Christine Lagarde, tem afirmado repetidamente que a política monetária se encontra “numa boa posição”, ou seja, num nível neutro que não estimula nem trava excessivamente o crescimento económico.

Com inflação controlada em torno dos 2%, crescimento económico resiliente e mercado de trabalho robusto, o BCE ganha margem de manobra para aguardar pela evolução dos dados antes de tomar novas decisões sobre o rumo da política monetária. É nesse sentido que o Conselho do BCE reafirmou ainda que “está preparado para ajustar todos os instrumentos ao seu dispor, no âmbito do seu mandato, com vista a assegurar que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% a médio prazo”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, irá agora expor de forma mais detalhada as razões que determinaram estas decisões numa conferência de imprensa que será realizada às 14h45 desta quinta-feira, em Frankfurt.

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