BRANDS' TRABALHO É possível ter diversidade com impacto, mas é preciso estratégia na inclusão
Rita Mexia e Diana Gameiro Lopes explicam como medidas de diversidade melhoram a inovação e a competitividade das empresas, mas também o bem-estar das equipas.
Como transformar diversidade e inclusão em valor real foi o mote da conversa em mais um episódio do Work Around, um podcast do ECO em parceria com a Gi Group Holding. Mais do que o estrito cumprimento da lei de quotas, falou-se sobre exemplos práticos e desafios no terreno com Diana Gameiro Lopes, CSR Project Manager no Grace – Empresas Responsáveis, e Rita Mexia, Executive Manager Healthcare & Life Sciences na Gi Group. Para ambas, é evidente que a diferença entre ter políticas de diversidade e mudar a cultura empresarial começa na liderança.
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Rita Mexia, Executive Manager Healthcare & Life Sciences na Gi Group, e Diana Gameiro Lopes, CSR Project Manager no Grace – Empresas Responsáveis, no podcast Work Around -
Diana Gameiro Lopes, CSR Project Manager no Grace – Empresas Responsáveis -
Rita Mexia, Executive Manager Healthcare & Life Sciences na Gi Group -
Diana Gameiro Lopes, CSR Project Manager no Grace – Empresas Responsáveis -
Rita Mexia, Executive Manager Healthcare & Life Sciences na Gi Group
Diana Gameiro Lopes reconhece que muitas organizações ainda entram no tema pela via mais imediata, de “garantir que estão compliance com a lei e por quererem garantir o cumprimento das quotas”. Mas sublinha que, à medida que percebem o retorno, a abordagem muda, porque “as vantagens associadas à diversidade e à inclusão” são visíveis quando são incluídas na estratégia core de um negócio – a começar por maior produtividade e inovação.
A inclusão depende muitíssimo daquilo que é a liderança, do exemplo da própria liderança, da importância que a liderança dá ao tema
No Grace, que reúne cerca de 380 empresas associadas, o avanço é desigual e depende de fatores como o setor em que cada uma se encontra, a sua dimensão e o nível de investimento, mas é influenciado, sobretudo, pelo exemplo interno. “Depende muitíssimo daquilo que é a liderança, do exemplo da própria liderança, da importância que a liderança dá ao tema”, afirma, defendendo que, em alguns casos, “as quotas, não sendo o ideal, são um mal necessário” para acelerar mudanças de hábitos e cultura.
Do lado da Gi Group, Rita Mexia reforça que “a liderança é fundamental para que depois toda a estrutura se sinta legitimada a trabalhar estas temáticas”. Na sua perspetiva, diversidade e inclusão não podem ser só intenção e aponta a aposta em formação interna para garantir que essa intenção chega às equipas de recrutamento e à operação.
Mas o maior obstáculo surge, muitas vezes, no cliente final que nem sempre está preparado para acolher a diversidade. “As empresas querem cumprir, mas muitas vezes não sabem como o fazer”, explica Rita Mexia, que exemplifica com a falta de condições físicas e de preparação para acolherem pessoas com incapacidade motora. Para a especialista, habituada a apoiar organizações a adaptarem o espaço e os processos para se tornarem mais inclusivas, há uma curva de aprendizagem que é necessária para conseguir fazer destas medidas mais do que apenas seguir a lei.
Diana Gameiro Lopes acredita que não há uma receita universal e que cada empresa precisa de definir prioridades e medir o que está ligado à sua estratégia. Exemplifica com objetivos como aumentar a presença feminina na liderança ou reduzir a rotatividade de grupos sub-representados, lembrando que não basta contratar. É preciso sobretudo incluir. “Podemos querer contratar, mas depois se eles não se sentem incluídos, vão sair”, alerta. O Grace está, aliás, a desenvolver uma matriz simples de apoio às empresas, com objetivos, métricas, ações e impactos esperados, para evitar a tentação de medir “tudo” sem propósito.
Existem pessoas com mais de 50 anos, que ainda têm muitos anos até à reforma, altamente competentes e vêem-se com dificuldades de integrar novamente [o mercado de trabalho] porque ninguém lhes dá oportunidade
A inovação é outra mais-valia de equipas mais diversas, assim como a partilha de experiências entre gerações e diferentes visões do mundo. “Sou altamente defensora de haver uma equipa multigeracional”, da recém-licenciada à pessoa mais velha, acrescenta Rita Mexia, que considera o idadismo um tema pouco discutido. “Existem pessoas com mais de 50 anos, que ainda têm muitos anos até à reforma, altamente competentes e vêem-se com dificuldades de integrar novamente [o mercado de trabalho] porque ninguém lhes dá oportunidade”, lamenta.
Mais do que comunicar a implementação de medidas de inclusão e diversidade, as empresas devem apostar numa verdadeira integração destas políticas na sua estratégia. Só assim, consideram as peritas, conseguirão tirar daí vantagens ao nível da inovação, da produtividade e do bem-estar das equipas, mas também evitar perceções negativas sobre o seu negócio. “A comunicação, quando não é assente numa verdade, corre o risco de provocar danos gravíssimos” tanto externamente como dentro de portas, considera Diana Gameiro Lopes. “Isto é muito espelhado na Geração Z. É um tema muito debatido em entrevistas”, assinala Rita Mexia, que cita o recente estudo da Gi Group onde se aponta que, para a Geração Z, trabalhar numa organização com igualdade de oportunidades está entre as cinco questões mais valorizadas na escolha de um empregador.
Assista, no vídeo abaixo, ao episódio completo do podcast Work Around, uma parceria do ECO com a Gi Group Holding. Se preferir, ouça a versão podcast no Spotify e na Apple Podcasts.
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