BRANDS' ECOSEGUROS IA e Seguros: como tornar um produto obrigatório em algo atrativo e interativo
A Inteligência Artificial pode revolucionar os seguros, criando experiências únicas que aproximam seguradoras e clientes. Hugo Veloso, Manager da NTT DATA Portugal, revela como de seguida.
O seguro sempre foi visto como um produto obrigatório, associado a riscos e sinistros. Mas e se pudesse ser muito mais? A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar a transformar o setor, permitindo, como não tem sido possível até este momento, que os seguros evoluam para produtos personalizados, dinâmicos e mais presentes no dia a dia dos clientes. Mais do que tecnologia, as soluções atuais permitem criar experiências ajustadas à realidade dos clientes, mais cativantes e com benefícios contínuos, sem perder a função essencial de proteção.

Os limites do modelo atual
Hoje, salvo raras exceções, a relação do cliente com o seguro é mínima: paga-se uma apólice – normalmente por obrigação – e só se interage quando ocorre um problema. Este modelo reativo cria uma perceção negativa, um custo inevitável, sem valor palpável no quotidiano dos consumidores. Para mudar isso, é preciso evoluir para seguros ativos e envolventes, que demonstram valor antes de qualquer sinistro.
A IA pode ajudar a mudar o paradigma de seguros
O advento da Inteligência Artificial deve ser usado pelas seguradoras para redefinir a forma como o cliente perceciona e aborda os seguros, permitindo que deixem de ser produtos estáticos para se tornarem soluções inteligentes, adaptáveis e integradas no estilo de vida do cliente. Esta evolução começa pela personalização: através da análise de dados como comportamento, histórico e contexto, a IA pode ajudar a criar apólices ajustadas ao perfil real de cada pessoa. Por exemplo, um seguro automóvel que adapta as coberturas conforme os padrões de condução ou um seguro de saúde que oferece benefícios alinhados com hábitos saudáveis. A tecnologia pode ser usada não apenas para gerar eficiência nas vendas, mas para tornar o seguro mais próximo e relevante.
Mas a transformação não se fica por aqui. A IA também permite introduzir uma lógica de prevenção ativa, antecipando riscos e alertando o cliente para comportamentos que podem reduzir vulnerabilidades. Receber notificações para manutenção do carro, alertas sobre hábitos que aumentam riscos de saúde ou sugestões para reforçar a segurança em casa são exemplos práticos desta abordagem e do seu potencial. O seguro deixa de ser um contrato distante e passa a ser um parceiro ativo na proteção e bem-estar.
Outro aspeto importante é a economia que a tecnologia pode proporcionar. Com preços ajustados dinamicamente, o cliente paga pelo risco real e não por estimativas genéricas. Condução segura ou o cumprimento de recomendações preventivas podem traduzir-se em descontos imediatos, tornando o seguro mais justo e acessível. Para completar esta experiência, a IA pode integrar mecanismos de envolvimento e gamificação, com desafios, recompensas e benefícios exclusivos. Pontos por práticas seguras, missões mensais para reduzir riscos ou o acesso a vantagens especiais transformam o seguro numa experiência interativa e motivadora, muito além de um simples contrato.
Benefícios para clientes e seguradoras
Para o cliente, a integração da Inteligência Artificial nos seguros significa uma mudança profunda na forma como este produto é percebido e utilizado. O seguro deve, sempre que possível, deixar de ser invisível e passar a oferecer valor contínuo no dia a dia, com funcionalidades úteis e adaptadas ao estilo de vida. Além disso, os preços podem tornar-se mais justos e dinâmicos, não ferindo o princípio da mutualidade, mas permitindo que cada pessoa pague pelo risco real e beneficie de economias através de comportamentos preventivos. Esta evolução transforma o seguro num verdadeiro produto ‘lifestyle’, presente no quotidiano e capaz de gerar vantagens concretas. Ao mesmo tempo, a prevenção ativa ajuda a reduzir a ocorrência de sinistros, garantindo maior tranquilidade e benefícios adicionais para quem adota práticas seguras.
Para as seguradoras, os ganhos são igualmente significativos. A redução de sinistros e de custos operacionais que a IA pode trazer é acompanhada por uma maior fidelização e satisfação do cliente, que reconhece o valor acrescentado do serviço. A recolha e análise de dados mais ricos – sendo os dados uma fonte essencial que as seguradoras já dispõem – permite melhorar continuamente os produtos e serviços, criando um ciclo virtuoso de inovação e eficiência. No fundo, esta transformação não é apenas tecnológica, é estratégica, porque redefine a relação entre seguradora e cliente, tornando-a mais próxima, relevante e orientada para resultados. Se o mercado de soluções de well-being é hoje tão grande e atrativo, porque não uni-lo à segurança e proteção?
Em resumo, a IA pode ser usada para mais do que otimizar processos internos das seguradoras; pode redefinir a relação com o cliente. Ao tornar o seguro personalizado, adaptável e integrado no estilo de vida, cria-se um produto que vai além da obrigação, passando a ser um serviço que acompanha o cliente, ajuda a prevenir riscos e oferece valor contínuo.
O futuro dos seguros pode ser menos sobre “proteger contra desgraças” e mais sobre promover escolhas inteligentes e recompensar comportamentos positivos.
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