BRANDS' ECOSEGUROS IFRS 17 e Solvência II: três anos depois, eficiência e integração

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  • 18 Dezembro 2025

Três anos após a IFRS 17, o foco deixou de ser apenas a implementação — agora é simplificar, automatizar e garantir informação fiável.

Quando a IFRS 17 entrou em vigor, em 2023, trouxe consigo uma verdadeira revolução na contabilidade do setor segurador. A promessa era clara: mais transparência, mais comparabilidade. Mas a realidade também foi exigente — investimentos pesados em sistemas, processos e competências. Hoje, três anos depois, já não estamos na fase de implementação. O desafio é outro: integrar a IFRS 17 com Solvência II e ganhar eficiência num cenário regulatório cada vez mais complexo.

Alvaro Vilarinho, Manager EY, Assurance Services

Os primeiros ciclos de reporte mostraram avanços evidentes na qualidade da informação. Mas também expuseram fragilidades. IFRS 17 e Solvência II coexistem, mas falam linguagens diferentes: Contractual Service Margin de um lado, fundos próprios do outro. Esta dualidade obriga a reconciliações constantes, prolonga prazos de fecho e aumenta a pressão sobre equipas financeiras e atuariais.

Relatórios da EIOPA e da ASF confirmam: a transparência melhorou, mas os custos operacionais continuam elevados. Estudos da EY revelam que muitas seguradoras ainda dependem de processos manuais para consolidar dados entre frameworks. Isto limita a agilidade e aumenta o risco de erro. E como se não bastasse, surgem novas exigências — DORA, AI Act — que pedem resiliência digital e uso responsável da inteligência artificial. A integração tecnológica deixou de ser uma opção; é uma necessidade.

O caminho para responder a este desafio passa por eficiência. Automação e inteligência artificial são hoje ferramentas-chave para reduzir custos e acelerar processos. Dashboards integrados, que conciliam métricas financeiras e prudenciais, começam a aparecer em grupos europeus, oferecendo uma visão única para gestores e órgãos de decisão. Esta integração não é apenas técnica; é estratégica. É o que garante governança sólida e capacidade de resposta perante supervisores e investidores.

Para quem lidera o setor, a prioridade é clara: investir em plataformas que eliminem redundâncias, reforçar a qualidade e granularidade dos dados e criar indicadores que permitam monitorizar, em simultâneo, performance económica e solvência. IFRS 17 e Solvência II não devem ser encaradas como normas isoladas, mas como pilares complementares para uma gestão mais robusta e transparente. Num contexto onde a regulação evolui rapidamente e a digitalização redefine processos, quem conseguir harmonizar estas normas e antecipar novos requisitos estará melhor preparado para garantir estabilidade e confiança.

O futuro do setor segurador será definido pela capacidade de integrar normas, otimizar processos e responder com rapidez a um ambiente regulatório em constante mudança. Três anos depois da IFRS 17, já não se trata de implementar — trata-se de simplificar, automatizar e garantir que a informação certa chega no momento certo.

É hora de transformar compliance em vantagem competitiva. Quem conseguir integrar normas e acelerar processos não estará apenas a cumprir regras — estará a liderar o futuro do setor.

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