Maioria dos imigrantes tem emprego, mas quase três em cada dez são pobres
Apesar de mais de 143 mil terem emigrado, Portugal registou um saldo migratório positivo no último ano. Entre estrangeiros residentes, maioria está empregada. Mas quase 29% vivem em pobreza.
- A Pordata revelou que quase 80% dos estrangeiros em Portugal estão empregados, mas muitos enfrentam pobreza ou exclusão social, especialmente mulheres.
- A taxa de emprego entre estrangeiros é de 76,5%, inferior à dos portugueses, que é de 81,9%, com desemprego a atingir 11,5% entre imigrantes.
- Mais de 28% dos estrangeiros vivem em situação de pobreza, superando a taxa de 19,2% entre os portugueses, embora Portugal esteja melhor que a média da UE.
Quase oito em cada dez dos estrangeiros que residem em Portugal estão empregados, mas uma parte significativa dos imigrantes está em situação de pobreza ou exclusão social, de acordo com os dados reunidos e divulgados pela Pordata esta quinta-feira, data em que se assinala o Dia Mundial dos Migrantes.
No que diz respeito à situação dessas pessoas no mercado de trabalho nacional, segundo a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, 76,5% dos estrangeiros dos 25 aos 64 anos que residem em Portugal tinham emprego, no final de 2024.
Em comparação, na população de nacionalidade portuguesa do mesmo grupo etária, a taxa de emprego era de 81,9%.
Por outro lado, enquanto a taxa de desemprego entre os nacionais estava situada em 5% no ano passado, entre os estrangeiros era de 11,5%, ou seja, mais do dobro do que entre os portugueses.
"88,2% dos estrangeiros com idades entre os 25 e os 64 anos residentes em Portugal encontram-se no mercado de trabalho (76,5% empregados e 11,5% à procura de emprego).”
Os dados mostram também que, na população estrangeira, as desigualdades de género no mercado de trabalho são mais acentuadas do que na população com nacionalidade portuguesa.
“Entre os estrangeiros, a taxa de emprego é de 86,4% nos homens e 68,5% nas mulheres [uma diferença de 17,9 pontos percentuais], padrão que compara com 84,7% nos homens e 79,3% nas mulheres de nacionalidade portuguesa [uma diferença de 5,4 pontos percentuais]”, detalha a Pordata.
“E no que se refere à taxa de desemprego, na população estrangeira, os homens registam 8,3% e as mulheres 14,6% [um fosso de 6,3 pontos percentuais], enquanto na população com nacionalidade portuguesa a percentagem é de 4,8% para os homens e 5,3% para as mulheres [um fosso de 0,5 pontos percentuais]”, acrescenta a base de dados.
Além disso, a Pordata destaca, perante estes dados, que é na população feminina que há maiores diferenças entre residentes estrangeiros e de nacionalidade portuguesa, “tanto na taxa de desemprego, que é 9,3 pontos percentuais superior nas estrangeiras, como na taxa de emprego, que é 11 pontos percentuais inferior à das mulheres com nacionalidade portuguesa”.
"Mais de um em cada quatro estrangeiros a residir em Portugal (28,9%) estão em situação de pobreza ou exclusão social, quase 10 pontos percentuais acima da população portuguesa (19,2%) nesta situação.”
Por outro lado, apesar da maioria dos migrantes estarem empregados, mais de um em cada quatro (28,9%) estão em situação de pobreza ou exclusão social, quase dez pontos percentuais acima da população de nacionalidade portuguesa (19,2%).
Ainda assim, Portugal regista um cenário mais positivo do que aquele verificado no conjunto da União Europeia. Nos países do bloco comunitário, em média, dois em cada cinco estrangeiros (cerca de 40%) estão em situação de pobreza ou exclusão social, “uma taxa que supera 19,3 pontos percentuais a dos nacionais”.
Alunos com pais estrangeiros disparam

O retrato divulgado esta quinta-feira indica também que, entre 2020 e 2023, o número de alunos com um ou ambos os pais de nacionalidade estrangeira, inscritos no pré-escolar e no ensino básico e secundário cresceu 58%. Ou seja, o universo passou de 130.727 alunos para 206.011 alunos.
“Nesse mesmo período, o total da população estrangeira quase duplicou (passou de 666.830 pessoas para 1.304.833 pessoas)”, explica a Pordata.
A estes, somam-se ainda outros dados relevantes. Por exemplo, em 2024 foi atribuída nacionalidade portuguesa a 20.624 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, o que corresponde a um aumento de 21% face a 2023.
No total, no ano passado, o número de cidadãos estrangeiros a residir em Portugal atingiu mais de 1,5 milhões, quadruplicando face ao registado há sete anos. “71% destes cidadãos tinham título de residência, 25% aguardavam obtenção ou renovação do título de residência e os restantes, cerca de 70 mil, encontravam-se noutras situações”, precisa a Pordata.
E revela que o Brasil continua a ser o país com mais residente em Portugal (quase 485 mil pessoas, cinco vezes mais do que o segundo país mais representado, a Índica).
Jovens são os que mais saem do país

De acordo com os dados agora conhecidos, em 2024, imigraram para Portugal 177.557 pessoas, nacionais ou estrangeiras, tendo 33.916 pessoas (de nacionalidade portuguesa ou estrangeira) emigrado de forma permanente, “o que resultou num saldo migratório positivo de 143.641 pessoas, ligeiramente inferior ao de 2023 (155.701)”.
“Entre os emigrantes, os jovens entre os 20 e os 34 anos têm sido o grupo mais prevalente, representando quase sempre mais de 50% e atingindo um máximo de 57% em 2024“, assinala a Pordata.
Ainda assim, entre os imigrantes, foi também esse o grupo etário mais representado, embora não em maioria. “Em 2023, representaram 35% do total, ligeiramente acima do grupo dos 35 aos 54 anos (31%)”, sublinha a base de dados.
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