Dona da Iberia diz que venda minoritária da TAP é um “problema”. Air France avança com proposta
Administrador financeiro do grupo IAG afirma que participação na privatização implica transformação profunda da TAP. "Se não conseguirmos fazer isso, será um negócio muito difícil de fazer".
A IAG, dona da British Airways e Iberia e uma das concorrentes à privatização da TAP, considera que a venda de uma participação minoritária limita a capacidade de elevar a margem da transportadora aérea para os níveis do grupo. O responsável pela área financeira e de sustentabilidade do grupo, Nicholas Cadbury, afirmou mesmo à agência Bloomberg que esta dificuldade é um “problema”.
Segundo Cadbury, o grupo que detém também a irlandesa Aer Lingus e a espanhola Vueling, teria de transformar o modelo de negócio da TAP para elevar a sua margem atual de 8% para 12% ou 15%, para fica em linha com os objetivos do grupo.
“Para o conseguir, precisaríamos de um caminho muito claro para a propriedade — propriedade total ou, pelo menos, maioritária — e, neste momento, isso não está em cima da mesa”, afirmou Cadbury à Bloomberg TV. O responsável acrescentou que o grupo IAG terá de trabalhar com o Governo para perceber como transformar a TAP. “Se não conseguirmos fazer isso, será um negócio muito difícil de fazer”, disse.
A atual fase de privatização da companhia portuguesa prevê a venda de 49,9%, dos quais 5% serão destinados preferencialmente aos trabalhadores.
O ministro das Infraestruturas anunciou esta sexta-feira que o Governo decidiu mandatar a Parpública para endereçar convites aos três consórcios que se apresentaram à privatização: IAG, AirFrance-KLM e Lufthansa para a apresentação de propostas não vinculativas. As cartas serão enviadas até ao dia 2 de janeiro.
O grupo franco-neerlandês já reagiu. “A Air France-KLM manifesta a sua satisfação com o anúncio do Governo português de que o grupo está qualificado para entrar na próxima fase do processo de privatização da TAP”, afirma em comunicado.
“O grupo reitera o seu forte interesse na TAP e aguarda com expectativa os próximos passos, nomeadamente a submissão de uma oferta não vinculativa até ao final do primeiro trimestre de 2026“, acrescenta, sublinhando que já opera mais de 600 voos semanais para cinco destinos em Portugal.
Com entrega das cartas para a apresentação das propostas não vinculativas, inicia-se uma nova fase em que os grupos de aviação já terão de detalhar o preço de aquisição (após uma due dilligence às contas da TAP) e o seu plano industrial e estratégico para a TAP. Os candidatos vão dispor de 90 dias para entregar a proposta, ou seja, até 2 de abril, e terá de existir novo relatório da Parpública.
O Governo terá de enviar depois uma nova carta convite aos candidatos para a apresentação de propostas vinculativas, que irão dispor de mais 90 dias para apresentar a sua ‘candidatura’. Segue-se a seleção do vencedor, que o Governo espera que aconteça no verão do próximo ano. “Acho que em julho devemos ter uma primeira decisão”, afirmou a 5 de dezembro o secretário de Estado dos Transportes, Hugo Espírito Santo, durante o 50.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu em Macau. O Executivo poderá ainda optar por um processo de negociação direta para conseguir uma proposta final melhorada.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Dona da Iberia diz que venda minoritária da TAP é um “problema”. Air France avança com proposta
{{ noCommentsLabel }}