The Equator Company quer ser “a nova história” na consultoria em sustentabilidade

Rafael Correia,

A nova empresa resulta da fusão da S317 Consulting, Sair da Casca, Engidro e Factor Social "Nenhuma das marcas ia ser tão forte como uma marca nova", explica Nathalie Ballan, administradora.

The Equator Company é a nova marca no setor da consultoria ambiental, que nasce da fusão de quatro empresas de áreas diferentes do setor — S317 Consulting, Sair da Casca, Engidro e Factor Social. O percurso começou há um ano e agora culmina na fusão, a nível jurídico, a 1 de janeiro de 2026.

Com esta “nova história”, as empresas pretendem ganhar escala, interligando as várias áreas — energia, água, economia circular, impacto social e comunicação. “Quando éramos cada uma no seu lado, claramente havia uma falta de escala. Mesmo assim, as quatro empresas já estavam com uma muito boa saúde financeira, com uma grande carteira de clientes e algumas até uma certa notoriedade. Mas não eram empresas de mais de 50 pessoas“, explica, em entrevista ao +M, Nathalie Ballan, administradora responsável de business development da The Equator Company.

As empresas já colaboravam em projetos comuns, tendo a fusão surgido em resposta ao setor. “Num mercado tão complexo e em grande desenvolvimento (…) não se vai ter um crescimento orgânico assim tão rápido que consiga responder às solicitações do mercado e às oportunidades“, explica a antiga CEO da Sair da Casca.

Nesta primeira fase, a The Equator Company estará focada em comunicar as várias áreas de atividade de forma integrada, refletindo a atual disposição da equipa e a abordagem da sustentabilidade de forma sistemática.

Nós conseguimos relacionar toda a problemática das alterações climáticas (…) com os problemas hídricos (…), mas também com o impacto social e uma visão talvez de economia, ao mesmo tempo. No nosso caso, é importante haver sempre uma interligação entre todas as nossas competências.” No entanto, Nathalie Ballan admite que à medida que a “marca começar a ficar mais conhecida“, vão querer destacar a especialização, mas sem o fazer “prática a prática”.

A responsável de business development explica que “vai ser um jogo entre o geral e a especialização, entre a componente estratégica e a componente de implementação, entre a expertise mais técnica, mas também a capacidade de pensar no futuro. Vai ser sempre um vai e vem, entre a nossa capacidade de desenhar e conceptualizar e a nossa capacidade de implementar.”

A marca adota como missão construir infraestruturas de mudança. Sendo um dos seus valores “o trabalho real que cria valor real“, Nathalie admite os desafios. “O impacto real às vezes demora algum tempo a aparecer”, principalmente em transformações mais profundas e estruturantes. No entanto, “agora nós somos um grupo de empresas que todas juntas temos mais de 45 anos de experiência. Por isso, podemos antecipar” através, por exemplo de metodologias, quais os impactos de transformação que o trabalho vai desencadear.

Numa forma simples, Nathalie explica que “impacto real, valor real, é quando quando eu consigo instalar num cliente um plano de eficiência energética. O ganho é real e quase imediato“.

Um exemplo real deste valor é a Terra Nostra, com a qual a Sair da Casca apoiou a conceção do produto do leite das vacas felizes. “Há um dia em que se vai lançar um produto premium que não existia e que se torna dez anos depois um dos três produtos do setor mais vendidos. Tem um impacto. Por isso nós tentamos cada vez mais relacionar o valor do que fazemos com o valor que tem para o negócio do cliente.

Nathalie Ballan, responsável de business development da The Equator CompanyHugo Amaral/ECO

O processo de construção da marca

Na criação da The Equator Company, a ideia de pegar no nome de umas das empresas saiu logo de cima da mesa. “Nenhuma das marcas ia ser tão forte como uma marca nova.” Por exemplo, “o nome Sair da Casca era impensável. Nós temos metade do nosso negócio fora de Portugal e ninguém percebe o nome“.

Nesse sentido, em julho iniciam o processo de seleção do estúdio de design, baseado em conversas aprofundadas. Nesta fase, “não pedimos nem para desenharem um primeiro logótipo, nem para desenharem uma estratégia, porque esta coisa de dar trabalho e não pagar, não gosto“.

Foram depois selecionados os finalistas, com o estúdio Cronica, criado no Reino Unido por portugueses, a ser escolhido. “Eles são muito mais uma agência estratégica que depois declina a estratégia em design do que uma empresa de design“, ponto que agradou à The Equator Company.

Ainda nesse mês, inicia-se o processo criativo para chegar à nova identidade, marcado por reuniões semanais e canais online para debate e discussão de ideias.

Foi [um processo] muito discutido e muito debatido, porque uma marca de sustentabilidade cai muito rapidamente na moral e no pensamento dos bonzinhos. Pode ser facilmente considerada como um discurso de uma ONG. Nós queremos tentar evitar todas as armadilhas da linguagem e da sustentabilidade e eles tinham de compreender muito bem o que é que nós queríamos fazer“, explica Nathalie Ballan.

Durante estas reuniões, foram identificados como ideias-chaves os pontos de tensão nas quatro empresas que agora são só uma: Projetos independentes, agora unidos. Uma ambição global versus o trabalho com impacto local. E a mudança social (próxima, calorosa) que se alcança através de trabalho estrutural (matemático, rigoroso, calculado).

Esta dinâmica de opostos deu origem ao nome The Equator Company, resultante do Equador ser a linha que junta dois hemisférios. “O logótipo e a marca reforçam o nosso posicionamento global ” e também transmitem “que hoje em dia não há um tema de sustentabilidade que não seja global e local ao mesmo tempo. É impossível trabalhar na sustentabilidade sem tomar em consideração o contexto mundial e os limites do planeta“.

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