Fundo Europeu de Defesa tem mil milhões de euros para 2026. Onde vai investir?
Metade do orçamento destina-se a apoiar a investigação e o desenvolvimento colaborativo. Um total de 168 milhões estão destinados ao desenvolvimento de capacidades de defesa área e antimíssil.
Defesa área e antimísseis, cibersegurança, espaço ou combate terrestre são algumas das áreas previstas no programa de trabalho do Fundo Europeu de Defesa (FED) para 2026, em que a União Europeia vai mobilizar mil milhões de euros para apoiar projetos colaborativos de investigação e desenvolvimento (I&D) em Defesa. Desde 2021, este fundo já financiou 244 projetos, com cerca de 4 mil milhões de euros.
“A Europa precisa fortalecer a colaboração na área da defesa, e o Fundo Europeu de Defesa serve como base fundamental para esse esforço. Pela sexta vez, estamos a investir recursos significativos para incentivar e apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de importantes capacidades de defesa. Com mil milhões de euros no Fundo Europeu de Defesa para 2026, estamos a colocar a colaboração no centro da inovação em defesa da Europa. Estamos a transformar prioridades compartilhadas em capacidades compartilhadas”, justificou Andrius Kubilius, Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, citado em comunicado.
Onde quer a UE investir
“O sexto Programa de Trabalho do Fundo Europeu de Defesa (FED) aborda um total de 31 tópicos, organizados em torno de sete call temáticas, três calls não temáticas, uma ação com foco em ameaças de veículos planadores hipersónicos planadores e duas ações em apoio à Aliança da UE para contramedidas médicas em Defesa”, pode ler-se na Fact Sheet divulgada.
Metade do orçamento destina-se a apoiar a investigação e o desenvolvimento colaborativo em áreas de defesa relevantes, como um intercetor endoatmosférico, um tanque, um lançador múltiplo de rockets, tecnologias-chave para caças de próxima geração, entre outros.
Um total de 168 milhões de euros estão destinados ao desenvolvimento de capacidades de defesa aérea e antimíssil, com 150 milhões para combate terrestre (lançador múltiplo de rockets e tanques), com 90 milhões a reforçar as capacidades de combate naval, por exemplo.
Veja aqui na Fact Sheet as áreas de investimento previstas
O programa de trabalho aloca quase 60 milhões de euros para financiar tecnologias disruptivas e mais de 60 milhões de euros para concursos de propostas não temáticos para PME.
Dois EUDIS Hackathons serão também realizados, cada um a decorrer simultaneamente em oito localizações na Europa. A primeira call para a organização está a decorrer até 25 de janeiro e o primeiro hackathon deverá realizar-se a 26-28 de março. A segunda call será anunciada na primavera de 2026. Este ano, Lisboa foi uma das capitais a receber um Hackathon.
O acelerador da EUDIS deverá expandir o seu apoio às startups e scaleups, com o lançamento de dois cohorts com 20 empresas cada, num programa de aceleração de oito meses. Cada empresa participante receberá mentoria, terá acesso a cinco bootcamps europeus, terá acesso a instalações para realizar testes, receberá um voucher de 120 mil euros (financiamento seed), entre outros apoios. O primeiro cohort arranca em março — a call decorre até 27 de janeiro — e o segundo em setembro.
Mais de 20 milhões serão alocados a medidas para apoiar PME e mid-caps, como financiamento através do Defence Equity Facility implementado pelo Fundo Europeu de Investimento.
No seguimento da publicação do programa de trabalho do FED para 2026, a idD Portugal Defence está a convidar as entidades interessadas neste instrumento a preencher um questionário, para averiguar quais as calls para as quais estão interessados, bem como se pretendem apoio para a formação de consórcios.
Na edição de 2024, por exemplo, várias empresas nacionais participaram em consórcios financiados pelo FED. Foi o caso da Blue Insight Technologies e da Tekever no projeto Nereus, com um custo total de 64,5 milhões de euros (com 45 milhões de financiamento) ou a da GMVIS SkySoft e da Visionspace no Citadel Range, com um investimento de 60,4 milhões e financiado com 48 milhões, ou a Critical Software que participou no BEAST, programa de 34,9 milhões totalmente financiado, segundo dados compilados pela idD.
O FED possui um orçamento de cerca de 8 mil milhões de euros para 2021-2027, com 2,7 mil milhões destinados à investigação colaborativa em defesa e 5,3 mil milhões para projetos de desenvolvimento de capacidades colaborativas que complementam as contribuições nacionais.
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