Pensão média sobe 17 euros em janeiro. Saiba que outros aumentos vêm aí

Pensões até 1.074 euros (isto é, maioria das reformas) sobem 2,8% em janeiro, por efeito da inflação e do crescimento económico. Governo admite dar novo suplemento, se contas públicas permitirem.

ECO Fast
  • As pensões em Portugal vão aumentar até 2,8% em janeiro de 2026, refletindo a inflação e o crescimento económico, com a pensão média a subir 17 euros.
  • As pensões mais baixas, até 1.074 euros, terão um aumento de 2,8%, enquanto as pensões intermédias e altas terão atualizações de 2,27% e 2,02%, respetivamente.
  • O Governo admite a possibilidade de um suplemento extraordinário, mas a sua atribuição em 2026 será difícil devido à pressão orçamental.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A maioria das reformas vai aumentar 2,8% em janeiro, por efeito a inflação e do crescimento económico. Assim, a pensão de velhice média, que ronda hoje os 611 euros, vai subir cerca de 17 euros, no início de 2026, de acordo com as contas feitas pelo ECO. Este ano, não está previsto nenhum aumento extraordinário permanente, mas o Governo admite voltar a dar um suplemento, se as contas públicas permitirem.

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Por lei, as pensões são atualizadas em janeiro de cada ano com base em dois indicadores: a média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos dois anos e a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC) sem habitação disponível a 30 de novembro.

No fim de dezembro, o INE divulgou os dados definitivos relativos à evolução da economia no terceiro trimestre e divulgou a estimativa rápida da inflação registada até novembro, tendo, entretanto, confirmado essa projeção no arranque de dezembro.

Com base nestes dados, e na fórmula prevista na lei, o ECO conseguiu, então, calcular que atualizações regulares serão aplicadas às reformas em janeiro.

Assim, as pensões mais baixas (até duas vezes o Indexante dos Apoios Sociais — 1.074 euros) vão subir 2,8% em janeiro. Segundo tem dito a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, a maioria das pensões de velhice encaixa neste patamar.

Atualizações regulares das pensões

Até 1.074 euros: 2,8%
Entre 1.074 e 3.222 euros: 2,27%
Acima de 3.222 euros: 2,02%

as pensões intermédias (entre 1.074 euros e 3.222 euros) terão direito a uma atualização regular de 2,27% no próximo ano, isto é, o mesmo que a inflação. Quanto às pensões mais altas (acima de 3.222 euros), aplica-se um desconto de 0,25 pontos percentuais face à inflação, o que significa que, neste caso, o aumento será de 2,02%.

Vamos a casos concretos. De acordo com os “Elementos informativos e complementares” que acompanharam a proposta de Orçamento do Estado para 2026, o valor médio da pensão de velhice em dezembro de 2024 rondava os 611 euros. Ou seja, aplica-se a referida atualização de 2,8%, o que, na prática, corresponde a um aumento de 17,11 euros brutos.

Pensão média

Valor atual: 611 euros
Atualização em %: 2,8%
Atualização em €: 17,11 euros

Vejamos agora o caso de uma pensão de 500 euros. A atualização regular devida também é de 2,8%, mas, neste caso, a subida na prática será de 14 euros brutos. Assim, essa pensão subirá para 514 euros mensais brutos.

Já no caso de uma reforma de 1.500 euros, a atualização regular a aplicar é de 2,27%. Contas feitas, esse pensionista irá contar com mais 34 euros brutos por mês. Deste modo, essa pensão aumentará para 1.534,05 euros brutos mensais.

E o que acontece a uma pensão de, por exemplo, 3.500 euros? Neste caso, a lei dita uma atualização regular corresponde à inflação deduzida de 0,25 pontos percentuais, ou seja, 2,02%. Resultado: em janeiro, a subida será de 70,7 euros brutos. Assim, a pensão passará para 3.570,7 euros brutos mensais.

Atualizações regulares

Pensão de 500 euros: 2,8% = 14 euros
Pensão de 1.500 euros: 2,27% = 34,05 euros
Pensão de 3.500 euros: 2,02% = 70,7 euros

De notar que mesmo as pensões atribuídas em 2025 vão ter acesso a estas atualizações regulares. Até 2024, a regra ditava que as reformas só subiam dois anos após a sua atribuição, mas a norma, entretanto, mudou.

Por outro lado, importa frisar que a oposição tentou, no âmbito do Orçamento do Estado para 2026, que ficassem previstos aumentos extraordinários permanentes para os pensionistas. Mas o Governo da AD fechou a porta.

Em vez disso, aprovou um artigo que prevê que o Executivo procederá ao pagamento de um suplemento extraordinário das pensões, mas apenas “em função da evolução da execução orçamental e das respetivas tendências em termos de receita e de despesa”.

A confirmar-se, será o terceiro ano consecutivo em que o Governo concede um bónus deste género.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já avisou, porém, que será “muito mais difícil” atribuir esse suplemento em 2026, justificando-o com o peso dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) nas contas públicas, o que deixa pouca margem orçamental.

Idade da reforma sobe para 66 anos e nove meses

O ano de 2026 será também sinónimo de uma nova subida da idade legal de acesso à pensão de velhice. Durante 2025, esteve fixada nos 66 anos e sete meses, mas a partir de janeiro passará para 66 anos e nove meses, por efeito do aumento da esperança média de vida.

Por lei, a idade da reforma é determinada com base na esperança média de vida aos 65 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), para o triénio compreendido entre 2022 e 2024, esse indicador fixou-se em 20,02 anos, isto é, mais 0,27 anos do que o registado no triénio terminado em 2023. Foi a partir desses dados que foi possível calcular que a idade de acesso à pensão de velhice irá ser aplicada em 2026.

Importa notar que aos pensionistas que contem com mais de 40 anos de contribuições é aplicada a “idade pessoal da reforma”, isto é, está previsto um desconto de quatro meses em relação à idade normal de acesso à pensão por cada de descontos que o trabalhador tiver acima dos 40. No limite, é possível passar à pensão antes dos 65 anos, sem qualquer corte.

O muda em 2026?

Idade da reforma: 66 anos e nove meses
Fator de sustentabilidade das pensões antecipadas: 17,63%

Por outro lado, quem decidir antecipar a pensão no próximo ano vai ser alvo de um corte de 17,63% pelo fator de sustentabilidade, segundo os cálculos feitos pelo ECO também com base nos dados da esperança média de vida.

O fator de sustentabilidade é calculado, por lei, com base no rácio entre a esperança média de vida aos 65 anos em 2000 (16,63 anos) e a esperança média de vida no ano anterior ao início da pensão, isto é, em 2025 para quem se reformar no próximo ano.

E este não é o único corte aplicado às pensões antecipadas. A generalidade das pensões antecipadas sofre ainda uma penalização de 0,5% por cada mês antecipado face à idade legal da reforma.

Há, no entanto, quem escape a estas penalizações. Excluídos de ambos esses cortes estão os portugueses que peçam a antecipação da reforma aos 60 anos de idade, tendo pelo menos 48 de descontos, ou que o peçam aos 60 anos, se contarem com 46 anos de contribuições e se tiverem iniciado a sua carreira aos 16 anos ou em idade inferior. O mesmo é aplicado aos portugueses de profissionais consideradas de desgaste rápido.

Já se os portugueses pedirem reforma antecipada aos 60 anos com 40 de descontos, ficam isentos do fator de sustentabilidade, mas são alvo do corte de 0,5% por cada mês antecipado face à idade da reforma.

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