Acionistas da Impresa aprovam entrada dos italianos MFE no capital por 17,3 milhões

Rafael Correia,

Está assim concretizada uma das três condições necessárias para o acordo de investimento entre a Impreger e a MFE se concretizar. Faltam ainda o "sim" da CMVM e dos bancos credores.

Os acionistas do grupo Impresa, detentor da SIC e do Expresso, aprovaram esta segunda-feira o aumento de capital de 17,325 milhões de euros a ser subscrito pelo grupo italiano Media For Europe (MFE), segundo um comunicado enviado ao mercado esta segunda-feira.

Está assim concretizada uma das três condições necessárias para que o acordo de investimento entre a Impreger, holding da família Balsemão que controla a Impresa, e o grupo de media da família Berlusconi avance.

A decisão de aumentar o capital foi tomada pelos acionistas na assembleia geral extraordinária (AG). “Foi aprovada […] a autorização ao Conselho de Administração para proceder, no prazo de um 1 (um) ano contado da presente data, a 1 (um) aumento de capital social da Sociedade no montante de até EUR 17.325.000 (dezassete milhões trezentos e vinte e cinco mil euros) mediante entradas em dinheiro“, lê-se na nota publicada no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A entrada da MFE no capital da Impresa vai concretizar-se através da subscrição de novas ações que serão emitidas a um preço unitário de 21 cêntimos – acima da cotação de dia 24, que rondava os 20 cêntimos.

A MFE passará a deter 32,934% da Impresa, mas sem atingir a maioria. O controlo continuará do lado da família Balsemão, através da Impreger, que verá a participação diluir-se de 58,75% para 33,738%.

A mesma convocatória teve ainda como propósito deliberar a “supressão dos direitos de preferência dos acionistas no aumento do capital social”, algo que também foi aprovado em AG. Isto permitirá aos italianos injetarem fundos no grupo, sem terem nenhuma ‘surpresa de última hora’ dos restantes acionistas.

Num segundo comunicado ao mercado, esta segunda-feira, a Impresa recordou que falta ainda as confirmações da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) – sobre se “não impõem à MFE o dever de lançamento de oferta pública de aquisição [OPA] sobre a totalidade das ações” emitidas pela Impresa – e dos bancos credores – “de que não exercerão (ou a renúncia ao exercício de) quaisquer direitos ao abrigo de contratos de financiamento celebrados”.

Só depois de todos estes passos é que a Impreger e a MFE assinarão o acordo parassocial que vai estabelecer as regras e deveres para a convivência entre os dois acionistas principais.

A Impresa “atravessa uma fase delicada, caracterizada pela dificuldade em obter novas linhas de crédito e renovar as atuais, o que limita a sua capacidade de assegurar com normalidade e segurança o crescimento sustentado da sua atividade“, algo que espera reverter com esta injeção de dinheiro, como referido num documento enviado à CMVM, aquando da marcação da assembleia geral. O grupo enfrenta dívidas de 145 milhões de euros.

Com base na informação disponível até junho, disponibilizada no domingo após pressão do regulador dos mercados financeiros, a dona da SIC e do Expresso anunciou esperar um ligeiro crescimento das receitas até 2028, à taxa média anual de 0,5%.

O conselho de administração liderado por Francisco Pedro Balsemão tem agora um ano para concretizar o acordo com a MFE, como definido na alteração de estatutos aprovada na mesma AG.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Acionistas da Impresa aprovam entrada dos italianos MFE no capital por 17,3 milhões

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião